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Professores recebem salário maior que médicos em cidade do interior do Piauí; veja qual

Rendimentos dos profissionais da educação básica chegam a ser quase três vezes o piso do magistério em alguns casos, somando-se as gratificações.

11/04/2026 às 14h22

Com vencimentos de quase R$ 10 mil mensais, passando, em alguns casos, dos R$ 13 mil, os professores da rede municipal de ensino de Campo Largo do Piauí estão entre os mais bem pagos do Brasil. Certos profissionais chegam a receber salário maior que o de alguns médicos do município. É o que mostra um levantamento feito pelo Portalodia.com junto ao Portal da Transparência do Município.

Campo Largo do Piauí paga aos professores de sua rede municipal salários que chegam a ser até duas vezes maiores que o piso nacional da categoria. O piso salarial dos professores em 2026 foi fixado em R$ 5.130,63 para uma jornada de 40 horas semanais. Alguns docentes em Campo Largo chegam a receber R$ 9.010,23 para a mesma jornada. Somados com as gratificações, os salários passam dos R$ 12.600, podendo chegar próximo dos R$ 13 mil em alguns casos.

Professores recebem salário maior que médicos em cidade do interior do Piauí - (Arquivo/ Agência Brasil) Arquivo/ Agência Brasil
Professores recebem salário maior que médicos em cidade do interior do Piauí

Para efeito de comparação, há médicos especialistas em Saúde da Família que atendem no município e recebem salário mensal de R$ 9.363.

O salário pago aos professores da rede municipal em Campo Largo do Piauí está muito acima da média brasileira. Dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025 revelam que somente 68,5% dos municípios brasileiros pagam os professores com jornada superior a 40 horas semanais valor igual ou superior ao piso do magistério.

O rendimento bruto mensal dos professores das redes públicas da Educação Básica com nível superior completo é de R$ 5,5 mil no Brasil. Número inferior aos R$ 6,4 mil de rendimento bruto mensal dos demais profissionais assalariados com o mesmo nível de escolaridade. Em Campo Largo do Piauí, a realidade é diferente: docentes da rede pública municipal de Educação Básica têm mais que o dobro de rendimento que a média do Brasil.

Ainda, segundo o Anuário da Educação Básica, 93,8% dos municípios do Piauí pagam salário aos professores acima do piso nacional da categoria. Campo Largo está inserido nesta parcela. O percentual está bastante acima dos 68,5% da média brasileira de municípios que pagam o piso do magistério aos seus docentes.

93,8% dos municípios do Piauí pagam salário aos professores acima do piso nacional da categoria - (Ravena Rosa/Agência Brasil) Ravena Rosa/Agência Brasil
93,8% dos municípios do Piauí pagam salário aos professores acima do piso nacional da categoria

Salários mais altos que os da capital piauiense

Os profissionais da educação básica de Campo Largo do Piauí recebem salários superiores inclusive a muitos profissionais que atuam na educação básica de Teresina. A capital tradicionalmente é a cidade do estado que concentra as maiores receitas devido ao contingente populacional e ao volume de mercadorias e serviço circulando. As receitas estão diretamente ligadas com a capacidade de investimento na Educação.

Conforme os dados do Portal da Transparência de Campo Largo e de Teresina, o salário-base de um professor de 40 horas semanais na cidade do interior é cerca de R$ 8 mil. Em Teresina, o salário-base para a mesma jornada fica numa média de R$ 5.130, já reajustado em 6% no início de 2026. Mas quando se observa os vencimentos no topo da carreira, com o reajuste, professores de classes superiores, como Licenciatura Plena/Classe II, podem chegar a receber, em Teresina, valor próximo de R$ 9 mil.

A diferença é que o salário-base inicial de um docente da educação básica em Campo Largo é quase 50% maior que o salário-base inicial na capital.

Professores recebem salário maior que médicos em cidade do interior do Piauí - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Professores recebem salário maior que médicos em cidade do interior do Piauí

Investimento condicionado à arrecadação

O financiamento da educação básica no Brasil envolve recursos vinculados constitucionalmente, fundos redistributivos, contribuições sociais, receitas específicas e repasses de programas federais por meio do Ministério da Educação e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o Fundeb. A previsão é que Fundeb, sozinho, financie em R$ 370,3 bilhões a educação básica brasileira este ano.

A Constituição Federal, em seu artigo 212, obriga os municípios a investirem, no mínimo, 25% da receita de impostos e transferência na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino. Esse percentual inclui os 20% do Fundeb, devendo o restante ser aplicado diretamente em ações educacionais obrigatórias. A base de cálculo para se chegar a estes 25% incide sobre receitas próprias como IPTU, ISS e ITBI, e transferências como Fundo de Participação dos Municípios e o ICMS.


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