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Piauí registra dois a três acidentes por mês no setor de telecomunicações, diz sindicato

Sinttel-PI aponta que ocorrências envolvendo trabalhadores de telecomunicações continuam frequentes no estado, apesar de não registrar mortes nos últimos seis anos.

24/08/2026 às 12h08

24/08/2026 às 12h08

O setor de telecomunicações do Piauí registra, atualmente, uma média de dois a três acidentes de trabalho por mês, de acordo com levantamento apresentado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado do Piauí (Sinttel-PI). O dado foi divulgado nesta segunda-feira (24), durante sessão solene na Assembleia Legislativa pelos 60 anos da entidade.

De acordo com o sindicato, oito trabalhadores morreram em acidentes relacionados às atividades de telecomunicações entre 2018 e 2020. Nos últimos seis anos, não foram registradas novas mortes pela entidade. Ainda assim, o Sinttel afirma receber informações sobre duas a três ocorrências por mês e ressalta que os números podem estar abaixo da realidade.

Piauí registra dois a três acidentes por mês no setor de telecomunicações, diz sindicato - (Divulgação) Divulgação
Piauí registra dois a três acidentes por mês no setor de telecomunicações, diz sindicato

Entre os acidentes mais graves estão ocorrências envolvendo choques elétricos e quedas durante serviços de instalação e manutenção de redes. Técnicos que trabalham em postes podem ficar expostos ao contato acidental com fios de alta tensão, especialmente quando a infraestrutura de telecomunicações está próxima à rede de distribuição de energia.

O alerta ocorre em meio à expansão dos pequenos provedores de internet no interior do Piauí. O crescimento da oferta de fibra óptica ampliou a conectividade em municípios e comunidades, mas também aumentou a demanda por profissionais responsáveis pela instalação, manutenção e reparo das redes.

O presidente do Sinttel-PI, Cochise Ferreira da Silva, defendeu que a expansão do setor seja acompanhada por qualificação profissional e medidas de segurança. Segundo ele, pequenos provedores tiveram papel na ampliação do acesso à internet, mas o crescimento precisa ocorrer com atenção às condições de trabalho.

“Agora precisamos garantir que esse crescimento venha acompanhado de qualificação e segurança para quem trabalha”, afirmou Cochise durante a sessão.

A entidade também aponta preocupação com empresas e prestadores de serviços que atuam sem estrutura adequada de supervisão técnica. Segundo o sindicato, a redução de custos na contratação e a falta de acompanhamento podem aumentar a exposição dos instaladores a situações de risco.

Para profissionais que trabalham simultaneamente com eletricidade e em locais elevados, duas normas regulamentadoras são especialmente importantes. A NR 10 estabelece medidas de segurança para atividades envolvendo instalações e serviços com eletricidade. Já a NR 35 estabelece requisitos para atividades realizadas em altura, acima de dois metros, quando existe risco de queda.

As duas normas tratam de riscos diferentes e, quando a atividade reúne eletricidade e trabalho em altura, uma capacitação não substitui a outra. O trabalhador precisa estar preparado tanto para evitar choques e acidentes elétricos quanto para utilizar equipamentos e procedimentos adequados contra quedas.

Crescimento da internet aumenta demanda por profissionais

Um levantamento apresentado pelo Sinttel-PI identificou mais de 5 mil CNPJs no estado relacionados a atividades do segmento de telecomunicações. O número reúne diferentes tipos de negócios e microempreendedores e aparece em um cenário de expansão dos serviços de internet por fibra óptica.

A transformação do setor também inclui a chegada de novas tecnologias, como o 5G e ferramentas de inteligência artificial. Para o deputado estadual Francisco Limma (PT), que propôs a sessão pelos 60 anos do sindicato, a mudança tecnológica exige investimento na formação e requalificação dos trabalhadores.

“A tecnologia vai continuar avançando. O desafio é fazer com que o trabalhador avance junto com ela. Não podemos permitir que a transformação digital deixe pessoas para trás”, afirmou Limma.

O alerta sobre os acidentes foi apresentado durante a sessão que marcou as seis décadas do sindicato, que atualmente reúne cerca de 1.958 integrantes entre trabalhadores de operadoras, prestadoras de serviços, terceirizadas e outras empresas.

Além dos oito trabalhadores mortos entre 2018 e 2020, a entidade informou que continua recebendo relatos de acidentes, com uma média atual de duas a três ocorrências mensais no setor de telecomunicações do Piauí.