Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

“O Falso Francês”: adaptação para HQ transforma romance piauiense em aventura ilustrada

Adaptação em quadrinhos da obra de Ítalo Damasceno amplia alcance da história e aposta na leitura de imagens para conquistar novos públicos.

10/06/2026 às 11h21

A novela “O Falso Francês”, do escritor piauiense Ítalo Damasceno, ganhou uma adaptação em quadrinhos e passou a circular entre leitores durante o Salão do Livro do Piauí (SaLiPi), que acontece esta semana, em Teresina. Produzida pela Quinta Capa Livraria em parceria com a IDS Selo Editorial, a obra acompanha João Manuel, um jovem da fictícia São Félix do Morro Alto, no Brasil do século XIX, que sonha em publicar folhetins em um jornal local.

Publicada originalmente como e-book durante a pandemia de Covid-19, a adaptação para HQ une a história escrita por Ítalo ao roteiro de João Luiz Pikachu, ilustrações e edição de Bernardo Aurélio, além da colorização assinada por Maria Clara e Hely de Brito.

Escritor Ítalo Damasceno e quadrinista Bernardo Aurélio - (Weligton Oliveira/O Dia) Weligton Oliveira/O Dia
Escritor Ítalo Damasceno e quadrinista Bernardo Aurélio

A obra mostra como o personagem principal, João Manuel, diante da falta de oportunidades para seguir seu sonho profissional, inventa uma história que desencadeia uma sequência de situações inesperadas e bem-humoradas. O livro se transformou em série e deve contar, ao todo, com quatro volumes.

Em entrevista ao O Dia, Ítalo Damasceno revelou que a ideia de levar a narrativa para os quadrinhos surgiu de um encontro entre o autor e o ilustrador Bernardo Aurélio durante uma feira literária no litoral do Piauí. Segundo o escritor, a possibilidade de adaptar a história para ilustração já passava por sua cabeça, mas faltava a avaliação de alguém como experiência na linguagem.

“Eu até achava que tinha um potencial para quadrinho. Então eu tinha vontade de conhecer o trabalho (de Bernardo) e mostrar a história para que ele dissesse se aquilo funcionaria ou não. E foi bem o que aconteceu”, contou.

O autor admite que, acostumado a referências mais tradicionais dos quadrinhos, ele via a ideia com curiosidade, mas não tinha certeza sobre a adaptação. A leitura do livro por Bernardo Aurélio acabou servindo como confirmação de que a história poderia ganhar uma nova forma.

Segundo o quadrinista, a adaptação amplia as possibilidades de contato do público com a obra. Ele destaca que os quadrinhos dialogam tanto com leitores experientes, quanto com quem está começando a criar o hábito da leitura.

“O Falso Francês”: adaptação para HQ transforma romance piauiense em aventura ilustrada - (Weligton Oliveira/O Dia) Weligton Oliveira/O Dia
“O Falso Francês”: adaptação para HQ transforma romance piauiense em aventura ilustrada

“Eu acho que muita gente está conhecendo “O Falso Francês” pelo quadrinho. O leitor e mangá, o leitor que está iniciando nas letras, encontra uma porta de entrada. Mas o quadrinho não é apenas uma ponte para a leitura. Ele é uma linguagem própria”, afirmou Bernardo.

Ler imagens também é ler

O quadrinista ainda chama atenção para um aspecto que costuma passar despercebido por parte dos leitores. Para ele, ler quadrinhos envolve mais do que acompanhar os diálogos presentes nos balões.

“Tem gente que lê só os textos e acha que terminou a leitura, mas não leu o quadrinho inteiro. É preciso aprender a ler imagem. Os quadrinhos têm códigos, sequências e elementos gráficos que contam parte da história e que não existem em outras linguagens”, explicou.

A observação dialoga diretamente com uma discussão cada vez mais presente em ambientes educacionais e culturais sobre alfabetização visual. Em uma época marcada pelo consumo constante de imagens, os quadrinhos aparecem como um formato que combina texto e narrativa visual de forma integrada.

A produção da HQ levou cerca de um ano e meio para ser concluída. Só a etapa de ilustração consumiu entre oito e nove meses de trabalho. O projeto reuniu profissionais de diferentes cidades piauienses, mostrando como a produção artística tem se desenvolvido de maneira colaborativa mesmo à distância.

“O Falso Francês”: adaptação para HQ transforma romance piauiense em aventura ilustrada - (Weligton Oliveira/O Dia) Weligton Oliveira/O Dia
“O Falso Francês”: adaptação para HQ transforma romance piauiense em aventura ilustrada

Atualmente, Bernardo Aurélio mora em Piripiri, enquanto Hely de Brito vive em Picos. A equipe também contou com a participação de Maria Clara na colorização e de João Luiz Pikachu na adaptação do texto original para roteiro.

Além da narrativa principal, a publicação traz prefácio da quadrinista Lu Cafaggi, mensagem de Sidney Gusman e um jogo educativo desenvolvido pela professora Leiris Tatiana. Parte da tiragem será destinada a bibliotecas e escolas públicas.

Para os criadores, o lançamento representa não apenas uma nova etapa para “O Falso Francês”, mas também uma forma de ampliar a circulação da literatura produzida no estado. A expectativa agora é avançar para a adaptação do segundo livro da série. Segundo Bernardo, as conversas já começaram para que o próximo volume seja desenvolvido antes mesmo da abertura de novos editais de financiamento.

Enquanto isso, a HQ segue apresentando a história de João Manuel a novos leitores, agora por meio de páginas ilustradas que misturam humor, aventura e uma homenagem ao prazer de contar histórias.

Com edição de Ithyara Borges