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Multitarefa: produtividade ou caminho para o burnout?

A multitarefa trata-se de uma situação no qual o indivíduo tenta realizar várias atividades ao mesmo tempo, fazendo com que seu cérebro disperse a atenção entre uma e outra atividade.

26/02/2025 às 08h48

26/02/2025 às 08h48

A multitarefa, embora vista como uma habilidade valorizada, pode prejudicar a saúde mental e emocional. Ao tentar realizar várias atividades simultaneamente, o cérebro se sobrecarrega, resultando em estresse, cansaço e até síndrome de burnout. A psicanálise aponta que essa prática pode ser gerada por medos inconscientes e a busca por aprovação, impactando negativamente o bem-estar.

A multitarefa trata-se de uma situação no qual o indivíduo tenta realizar várias atividades ao mesmo tempo, fazendo com que seu cérebro disperse a atenção entre uma e outra atividade. Na neurociência, segundo a psicanalista e especialista em desenvolvimento profissional, Rachel Poubel, isso é chamado de “efeito ping-pong” e causa uma sobrecarga no cérebro devido ao acúmulo de tarefas, gerando cansaço físico e mental. Essa sobrecarga, ao longo do tempo, gera a Síndrome de Burnout, um distúrbio emocional que provoca sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento.

Quando a pessoa tem um dia cansativo, devido às multitarefas, ela consegue descansar, mas quando ela está com sucessivos dias de sobrecargas de multitarefas, devido ao Burnout, ela fica todo tempo em alerta, tanto que, mesmo estando em casa, pode ter uma crise de pânico ou ansiedade. Nesses casos, a pessoa não precisa mais de descanso, mas, sim, de tratamento, pois ela já desencadeou patologias mentais e emocionais

Rachel Poubelpsicanalista e especialista em desenvolvimento profissional

Do ponto de vista da psicanálise, a multitarefa é gerada no inconsciente, podendo, no indivíduo, o medo em desagradar, em achar que será demitido e, por isso, a necessidade em querer realizar diversas atividades. Não se trata somente de um fenômeno comportamental, mas de uma resposta de fatores internos, como ansiedade, a busca por aprovação e o medo por gerar enfrentamentos.

“O primeiro passo é reconhecer esse comportamento de que está realizando multitarefas, vista como um mecanismo de defesa, no qual a pessoa busca se proteger de ser maltratada, excluída ou de não receber um elogio. Por trás de uma pessoa sobrecarregada, há silêncios interiores, ou seja, situações dentro do seu inconsciente que precisam ser tratadas para que ela perca esse medo de desagradar ou de não ser útil o suficiente”, comentou a psicanalista.

A multitarefa, quando realizada constantemente, pode abalar a saúde mental, emocional e até física, desregulando hormônios e órgãos, chegando a provocar, inclusive, úlceras e gastrite, ou desencadeando crises de ansiedade e de síndrome do pânico. “Quando uma pessoa chega a desenvolver esses sintomas, é porque ela já está vivendo na multitarefa e no Burnout há muito tempo. Dificilmente é uma pessoa que sabe dizer ‘não’ e impor limites”, enfatizou.

Desempenhar multitarefas no ambiente corporativo não é o mais indicado

No mundo corporativo e no cotidiano, realizar multitarefa é muitas vezes visto como uma habilidade positiva e até o “diferencial” entre os demais. Contudo, Rachel Poubel orientou que, ao invés de tentar realizar diversas atividades ao mesmo tempo, como uma forma de se autopromover, o mais adequado seria desenvolver suas tarefas já determinadas, mas com qualidade e da melhor forma possível.

Desempenhar multitarefas no ambiente corporativo não é o mais indicado - (Freepik) Freepik
Desempenhar multitarefas no ambiente corporativo não é o mais indicado

“Se a pessoa focar no seu serviço em uma tarefa, o resultado talvez rendesse mais do que ela fazendo várias. Muitas vezes, o colaborador sente aquela pressão em mostrar o que está fazendo e seus resultados, e isso gera um cansaço excessivo, com os finais de semana e até as férias não sendo mais suficientes para essa pessoa descansar. Ela passará a ficar sempre cansada e em estado de alerta, lançado no organismo hormônios do estresse e da ansiedade, fazendo com que adoeça”, complementou.

E a psicanalista alerta: nem sempre a sensação de estar realizando diversas tarefas ao mesmo tempo é sinal de produtividade. Por isso, fazer uma atividade por vez, certamente, ocasionaria em melhores resultados. E, para alcançar esses índices produtivos, a organização é fundamental. “Precisamos parar de acreditar que conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo, e por um longo período. Produtividade é alcançar seus objetivos de maneira saudável, respeitando seu corpo e suas emoções”, reforçou Rachel Poubel.

Reeducando a mente para evitar riscos da multitarefa, por meio do autoconhecimento

Para reeducar a mente e evitar riscos de multitarefas, a sugestão da psicanalista Rachel Poubel é compreender o que está levando o indivíduo a realizar diversas atividades ao mesmo tempo. Segundo ela, é por meio da terapia que a pessoa obtém o autoconhecimento.

“A pessoa precisa se conhecer para melhorar a qualidade do dia a dia e ter atenção plena, ou seja, fazer uma coisa de cada vez, e sempre respeitando o horário de descanso, porque ele faz parte da produtividade. É preciso respeitar o corpo e as emoções, ter atenção com o uso das telas, especialmente com o celular, evitando seu uso meia hora antes de dormir e meia hora após acordar. Devemos desacelerar a mente fazendo uma leitura, por exemplo. O sono, a alimentação e o exercício físico são o tripé principal da saúde física e mental, e ter práticas espirituais, como a meditação ou aplicar técnicas de meditação”, concluiu Rachel Poubel.


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