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Motoristas e cobradores vão paralisar 100% nesta segunda (18) após anúncio de estado de greve

A medida, segundo o Sintetro, ainda não representa a greve definitiva, mas autoriza a realização de paralisações como forma de pressionar o poder público e o sindicato patronal durante as negociações salariais.

15/05/2026 às 09h58

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) aprovou o estado de greve da categoria durante assembleia realizada nesta semana. A medida, segundo o presidente do sindicato, Antônio Cardoso, ainda não representa a greve definitiva, mas autoriza a realização de paralisações como forma de pressionar o poder público e o sindicato patronal durante as negociações salariais.

“O estado de greve é aprovado em assembleia, mas ainda não é a greve de fato. Apesar disso, dá direito ao sindicato de fazer paralisações por um determinado período, e pode ocorrer na garagem, nos terminais, ao longo do percurso ou até mesmo nas praças”, explicou.

Motoristas e cobradores vão paralisar 100% nesta segunda (18) após anúncio de estado de greve - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Motoristas e cobradores vão paralisar 100% nesta segunda (18) após anúncio de estado de greve

De acordo com o representante da categoria, na próxima segunda-feira (18), quando ocorrerá o estado de greve, 100% da frota deverá ser paralisada por um período entre uma e duas horas. Já para o dia 25 de maio, está prevista uma greve geral dos motoristas e cobradores.

Segundo Antônio Cardoso, apesar de existir uma determinação judicial que prevê a circulação mínima de 30% da frota durante movimentos grevistas, a categoria pretende suspender totalmente as atividades.

É uma manifestação que os trabalhadores fazem para chamar atenção do poder público e do sindicato patronal, pois, da forma que eles querem negociar, a categoria não aceita

Antônio Cardosopresidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí

O presidente do Sintetro destaca que a categoria acumula perdas trabalhistas desde 2019. Entre os principais pontos, ele cita o fim do ticket alimentação, mudanças no plano de saúde e redução salarial.

“Perdemos a convenção e o salário foi reduzido. Somente o cobrador não teve redução, pois ele recebe um salário mínimo. Este ano, os trabalhadores pediram 2% de reajuste no salário, o de motorista é o maior da categoria e custa R$ 2.403,83, e um reajuste no ticket alimentação, que hoje as empresas pagam R$ 650, e pedimos R$ 950”, disse.

Ainda segundo Antônio Cardoso, o valor pago atualmente pelas empresas para o plano de saúde é insuficiente. “No plano de saúde, estão pedindo um reajuste de 49%. A empresa paga R$ 125 e o trabalhador complementa o restante, pois o plano de saúde é R$ 200”, explicou.

Conforme o sindicato, a proposta apresentada pelo Setut e pelos consórcios foi rejeitada pela categoria. Entre os pontos ofertados estão um reajuste linear de 3%, no qual o plano saúde sairia de R$ 125 para R$ 128, um aumento de apenas R$ 3, e acréscimo de R$ 39 no ticket alimentação. “É um absurdo, um valor que não dá nem para pensar em fazer compras”, criticou.

Outras reivindicações

Além das questões salariais, os trabalhadores também cobram melhorias na frota de ônibus que circula na capital. Segundo Antônio Cardoso, os veículos apresentam problemas estruturais constantes, o que afeta tanto os trabalhadores quanto os passageiros.

“As portas estão caindo, os pneus velhos, sem ar-condicionado e isso está adoecendo os trabalhadores. A população também é penalizada, pois paga uma passagem, o ônibus quebra e ela fica no prejuízo. A população acha que é culpa do motorista, mas não é”, destacou.

Mesmo com a greve prevista para o dia 25, o presidente do Sintetro afirma que ainda espera um acordo antes da paralisação definitiva. “Vamos dar esse tempo para que a Strans, o prefeito e o Setut, junto com a gente, entrem em um consenso e não tenha a greve. Essa é uma arma que o trabalhador tem, mas que não gostamos de usar, pois traz prejuízo para todo mundo”, afirmou.

Antônio Cardoso também comentou que tentou abrir diálogo com a Prefeitura de Teresina, mas afirma que os ofícios enviados pela categoria não foram recebidos pelo prefeito nem pelo vice-prefeito.

O prefeito está falando sobre a licitação do lixo e a gente não entende porque não tem também uma licitação do transporte, já que são quatro consórcios. Queremos que resolvam a questão salarial e também a frota, que está sucateada e está atrapalhando a categoria

Antônio Cardosopresidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí

Sobre as justificativas apresentadas pelo sindicato patronal para a falta de reajuste, Antônio Cardoso afirmou que os empresários atribuem a situação à falta de atualização da tarifa e aos débitos do município com o sistema de transporte.

“Eles disseram que a culpa parte diretamente do município, que a passagem está há seis anos sem reajuste, que as ruas estão esburacadas, que a prefeitura deve mais de R$ 200 milhões e que não pagam corretamente a meia passagem e a gratuidade, além do aumento do diesel”, relatou.

O presidente do Sintetro também questionou os números divulgados sobre a quantidade de ônibus em circulação na capital.

“Sempre foi noticiado que a frota era composta por 270 ônibus, sendo que a ordem de serviço é de 245 veículos, mas em horário de pico operam cerca de 220 veículos. Há uma discordância entre município e a própria Strans sobre a quantidade de veículos, e sabemos que não circulam 245 veículos. Segundo o sindicato patronal, para rodar essa quantidade de veículos, precisa aumentar o subsídio”, concluiu.

Nota Setut

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) informa que recebeu com surpresa a decisão do sindicato laboral sobre o estado de greve, no momento em que não houve notificação, por via oficial, acerca da deliberação. Ao mesmo tempo em que lamenta a decisão e ressalta que as negociações referentes a salário, ticket alimentação e plano de saúde foram realizadas com base no índice da inflação.

O SETUT segue à disposição e aberto à realização das tratativas necessárias para impedir o comprometimento do serviço de transporte público da capital, cujo principal afetado é o usuário.

Nota Strans

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) informa que acompanha atentamente as discussões relacionadas ao possível movimento grevista no transporte público de Teresina.

O SINTETRO comunicou estado de greve entre os dias 18 e 22 deste mês. A STRANS entende que a situação envolve empregados e empregadores e segue esperançosa de que as partes cheguem a um consenso, evitando prejuízos à população teresinense.

Ao mesmo tempo, a STRANS está se antecipando aos fatos e iniciando o cadastramento de transportes alternativos. Caso a greve venha a ser confirmada, o município estará preparado para garantir atendimento à população e minimizar os impactos à mobilidade urbana, assegurando que os usuários do transporte público não sejam prejudicados.


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