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Infestação de caramujos africanos preocupa moradores do Povoado Campestre, em Teresina

Animal transmite doenças graves como meningite parasitoses causadas pelo contato com o muco das lesmas.

27/05/2026 às 11h00

27/05/2026 às 11h00

Moradores do Povoado Campestre, na zona Rural de Teresina, têm vivido uma situação preocupante com uma infestação de caramujos africanos em diferentes áreas da comunidade. O caramujo africano transmite doenças graves como a meningite e parasitoses causadas pelo contato com o muco das lesmas. E o que chama a atenção é no Campestre, os animais têm sido encontrados em ruas, quintas, terrenos baldios, áreas de mata e até dentro de residências.

Além do aumento da presença dos caramujos, moradores relatam também casos frequentes de pessoas com sintomas parecidos como febre, náusea, vômitos e dores. São sintomas semelhantes a casos de dengue, por exemplo, mas que também podem estar associados às doenças transmitidas pelos caramujos africanos.

Infestação de caramujos africanos preocupa moradores do Povoado Campestre, em Teresina - (Reprodução/Whatsapp) Reprodução/Whatsapp
Infestação de caramujos africanos preocupa moradores do Povoado Campestre, em Teresina

Murilo Garcia Felipe é animador infantil e frequenta o povoado Campestre. Ele relatou ao Portalodia.com que a presença dos caramujos se tornou constante no cotidiano dos moradores. Murilo afirma que os animais aparecem em diversos pontos do povoado, inclusive em roupas, lençóis e banheiros das casas.

“Onde você anda, você encontra caramujo. Em poucos metros andando, a gente acaba pisando e quebrando dois ou três no caminho”, relatou.

De acordo com os moradores, não há uma ação coletiva organizada para conter a infestação de caramujos africanos. As medidas adotadas até agora partem de iniciativas individuais como uso de sal, água sanitária, queima dos animas e eliminação manual. Vale lembrar que os caramujos africanos não possuem predadores naturais, o que facilita sua proliferação e dificulta sua eliminação.

Moradores dizem que até o momento, não procuraram empresas especializadas em controle de pragas ou órgãos públicos porque a situação ainda seria controlável. No entanto, se os caramujos africanos continuarem a se reproduzir e ocupar mais espaços, há quem fale em procurar o Centro de Zoonoses e os órgãos de controle sanitário e de saúde. Isso, porque a proliferação destes moluscos é considerada praga urbana com risco à saúde pública.

Ovos de caramujo africano - (Reprodução/Whatsapp) Reprodução/Whatsapp
Ovos de caramujo africano

Falta de informação

Outro ponto que preocupa é a falta de informação sobre os riscos relacionados ao caramujo africano. Segundo Murilo, muitos moradores não sabem diferenciar a espécie invasora dos caramujos comuns e desconhecem as doenças que podem ser transmitidas pelo animal.

O caramujo africano é considerado uma espécie invasora e pode atuar como hospedeiro de parasitas capazes de transmitir enfermidades como angiostrongilíase abdominal e meningite eosinofílica. A contaminação pode ocorrer por meio do contato com o muco do animal ou pela ingestão de alimentos contaminados. Entre os sintomas associados estão febre, dor abdominal, náusea, vômitos, perda de apetite e alterações intestinais.

Moradores do Povoado Campestre relatam que, nas últimas semanas, dezenas de pessoas apresentaram sintomas semelhantes e que podem ser confundidos com sinais de outras doenças como a dengue, por exemplo. Em uma única rua, pelo menos nove pessoas chegaram a passar mal com vômito, dores abdominais, febre e náuseas nos últimos dias.

Em diferentes áreas do povoado, pelo menos 50 pessoas registraram sintomas do tipo, segundo Murilo. Ele conta que sua esposa chegou a ser internada com redução de plaquetas, constipação e inchaço abdominal, mas que no atendimento, nenhum profissional chegou a cogitar a relação dos sintomas com a infestação de caramujos, mesmo ele tendo relatado que os animais estão à solta pelo povoado.

O Portalodia.com procurou a Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS) para questionar se há casos registrados de doenças transmitidas por caramujos africanos na capital e se o órgão tem conhecimento da situação junto com o Centro de Zoonoses. Até o fechamento desta matéria, nenhum retorno foi obtido. O espaço segue aberto para futuros esclarecimentos.


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