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Grotão coloca em risco dezenas de famílias na Vila da Paz, zona Sul de Teresina

Pelo menos 50 famílias vivem em região de risco de desmoronamento e precisam ser removidas

18/04/2026 às 12h24

O surgimento de crateras tem ocorrido em todas as regiões de Teresina. No dia 07 de abril, moradores da Vila da Paz, zona Sul da cidade, foram surpreendidos quando parte da Rua Uruçuí foi “engolida” após uma chuva. A via está localizada sobre o grotão que corta o bairro.

Devido à erosão, parte da rua foi interditada pela Prefeitura de Teresina, que está realizando o reparo do local. Contudo, o que chama atenção é a vulnerabilidade e o perigo que os moradores dessa região correm, especialmente aqueles localizados próximos ao grotão. Pelo menos 50 famílias vivem em região de risco de desmoronamento e precisam ser removidas. Outros já foram orientados que devem ser transferidos com urgência.

Em um desses imóveis vive a dona de casa Regina Mourão de Oliveira (47). Ela e os filhos moram de aluguel no imóvel, que tem, como quintal, um imenso grotão. A casa apresenta diversas rachaduras e corre risco de desabar. Sem condições para buscar outro lugar, a família vive diariamente o medo de a casa cair no buraco.

Em um desses imóveis vive a dona de casa Regina Mourão de Oliveira (47) - (Assis Fernandes/ODIA) Assis Fernandes/ODIA
Em um desses imóveis vive a dona de casa Regina Mourão de Oliveira (47)

“A gente mora aqui porque é o que podemos pagar. Meus filhos fazem bico e o dinheiro é pouco. Temos medo de ficar aqui, mas não temos para onde ir. Não moramos nesse lugar perigoso porque queremos. Aqui tem muita doença. Meus filhos vivem doentes. Queria muito ter uma casa, mas já me inscrevi nesses programas e nunca fui chamada”, conta.

A idosa Maria de Jesus Ferreira (64) também mora próximo ao grotão e teve que a sua casa não resista às próximas chuvas. Ela, a filha e a neta moram de aluguel e sobrevivem com apenas um salário mínimo. Valor insuficiente para alugar uma residência em um local seguro.

“Nós pagamos R$ 450, incluindo aluguel, água e luz. Não achamos outra casa por esse valor, então só nos resta ficar aqui. A casa está com o teto quase desabando e paredes rachadas. Quando chove, a rua vira um rio e vai levando pedaços da parede. Ninguém mora em um lugar como esse porque quer. Nós estamos abandonados”, desabafa.

Quem também mora próximo ao grotão é Fábio de Sousa Cruz. Morador da Vila da Paz há 28 anos, ele conta que o local já foi cenário de situações devastadoras. Uma casa chegou a desabar após uma das chuvas. Em outra situação, um dos moradores caiu dentro do bueiro. Uma realidade triste para dezenas de famílias, que buscam, não apenas moradia, mas dignidade.

Quem também mora próximo ao grotão é Fábio de Sousa Cruz.  - (Assis Fernandes/ODIA) Assis Fernandes/ODIA
Quem também mora próximo ao grotão é Fábio de Sousa Cruz.

“Essa cratera que abriu na rua é antiga, mas piorou com a chuva, chegando ao ponto de engolir parte da rua. A prefeitura está arrumando, mas o correto era remover os moradores do entorno desse grotão. É muito perigoso morar aqui. A gente vive com medo, ainda mais quando chove”, disse.

Ele comentou que já foi feito um levantamento de famílias que deverão ser indenizadas e retiradas do local. Porém, segundo Fábio, essa situação se arrasta há anos e, enquanto nada é resolvido, a população segue em perigo.

“Eu sou um dos moradores que está esperando há anos por essa indenização, mas é só promessa. Minha casa fica ao lado do grotão e, quando chove, a correnteza é muito forte, parecendo um rio. Nossas casas até tinham quintal, mas a água levou. Um morador já caiu nesse buraco e foi levado. Isso é muito grave”, enfatizou.

Pessoas já caíram dentro de grotão, na Vila da Paz, e perderam a vida - (Assis Fernandes/ODIA) Assis Fernandes/ODIA
Pessoas já caíram dentro de grotão, na Vila da Paz, e perderam a vida

Contraponto

A equipe de reportagem do ODIA entrou em contato com a Defesa Civil municipal e a SDU Sul, que explicaram as providências que serão adotadas nesse local.

Nota de esclarecimento

Ao tomar conhecimento da situação, a Defesa Civil de Teresina deslocou equipe técnica até o local, onde foi realizada a interdição da área, em razão do risco identificado.  

Diante da urgência, a Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul (SDU Sul) foi imediatamente acionada e compareceu ao local com equipe composta por engenheiros e assistente social, prestando o devido suporte técnico e social.

Ressalta-se que, desde o mês de fevereiro, a SDU Sul vem realizando o mapeamento das áreas próximas ao canal, com o objetivo de identificar moradias em situação de vulnerabilidade.

Após a conclusão do levantamento, a superintendência adotará as medidas necessárias para garantir a realocação das famílias para locais seguros, em conformidade com a legislação vigente.

A Defesa Civil de Teresina segue acompanhando a situação e reforça seu compromisso com a segurança e o bem-estar da população.


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