Neste domingo (26), é celebrado o Dia dos Avós, uma data que homenageia aqueles que vão muito além do papel de cuidar dos netos. São eles que transmitem histórias, valores, costumes e ensinamentos que atravessam gerações. Em muitas famílias, esse legado passa pela cozinha, pelas receitas de família ou pelas histórias contadas ao longo da vida. Na casa de dona Enedina Normando, ele é tecido ponto a ponto, por meio do crochê.
Foi com a avó paterna que dona Enedina aprendeu a arte de transformar linhas em peças delicadas. Na época, o aprendizado era rígido e não permitia erros. As tardes passadas na casa da avó ainda permanecem vivas na memória e hoje são lembradas com carinho.
"A mãe de meu pai, que era minha avó, fazia crochê divinamente bem. Eu passava as tardes na casa dela. Quando eu chegava lá, já tinha a pecinha para eu fazer e já tinha marcado até onde eu tinha que fazer naquela tarde. E não podia errar. Se errasse, ela desmanchava tudo e eu fazia de novo. Chegava a dar vontade de chorar", conta, sorrindo.
Hoje, o ensino ganhou outro significado. A mesma técnica que antes era aprendida com disciplina agora é passada à neta, Maria Fernanda Passos, de 14 anos, com muito carinho, incentivo e paciência. A adolescente teve o primeiro contato com o crochê aos nove anos, quando aprendeu a fazer a corrente utilizando apenas as mãos. Na época, a agulha parecia complicada demais e, por isso, ela desenvolveu sua própria técnica. Mais tarde, durante as férias, resolveu aprender o crochê de verdade. Foi na casa da avó que descobriu os diferentes pontos.
"Nas férias do ano passado eu fui para casa da minha avó, para ela me ajudar. Aí eu aprendi três tipos de pontos. Eu sei o básico, mas eu ainda não cheguei nem perto do nível da minha avó”, fala, humildemente.
Maria Fernanda fala com orgulho da professora que tem. Dona Enedina, por sua vez, acompanha atentamente cada novo trabalho da neta e se encanta ao ver a dedicação da adolescente. Se antes passava horas produzindo peças para a família, hoje o crochê continua sendo um passatempo prazeroso. Ela prefere trabalhos menores, que permitem variar os modelos e manter o entusiasmo.
"Eu gosto muito de coisas pequenas. Tem pessoas que gostam de fazer varanda de rede, eu nunca fiz, porque eu não suporto aquele tamanho grandão. Eu gosto de fazer bico. Faço um hoje, depois faço outro modelo para não enjoar”, conta.
As peças produzidas por dona Enedina são vendidas por ela e até pelo marido. Esse contato com o artesanato também despertou na neta o espírito empreendedor. Maria Fernanda produz acessórios para cabelo, capas para canetas e outros pequenos itens que fazem sucesso entre as colegas da escola.
"Eu gosto de fazer acessórios de cabelo. Lá na minha escola, muita gente pergunta se eu tenho para vender essas coisas. Eu tenho uma amiga minha que também faz crochê e a gente estava quase pensando em fazer uma lojinha juntas”, conta.
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Para Maria Fernanda, aprender crochê foi algo inesperado. Quando criança, não imaginava que um dia gostaria tanto da atividade. Hoje, ela vê no hobby uma forma de diversão e também uma prova de que, com persistência, é possível aprender qualquer coisa.
"Quando eu era pequena, minha avó tentou introduzir o crochê para mim e eu falava: 'não, não vou conseguir fazer'. Só que parece que é meio inevitável. E hoje, para onde eu vou, eu levo as agulhas e linhas”, comenta.
A adolescente conta que aprendeu com a avó ponto a ponto e que tudo foi ensinado com muito carinho, dedicação e paciência. Para Maria Fernanda, dona Enedina não lhe ensinou apenas a produzir peças artesanais. A avó também transmite valores que serão levados para toda a vida.
"Não foi só o crochê. A avó me ensinou várias coisas. Ela me ensinou a costurar na máquina dela. Brigadeiro também eu só sei fazer porque ela e minha mãe fazem muito. A vovó gosta muito de cozinhar. Ela tem muitas revistas de comida e eu peguei várias, que estão lá no meu quarto. Ela tem o caderno de receita dela que eu tô doida para pegar também”, brinca.
Mais do que ensinar receitas ou pontos de crochê, dona Enedina deixa um legado de dedicação, carinho e amor, que Maria Fernanda leva como exemplo para a vida. As linhas, os novelos e as agulhas podem até uni-las, mas é o respeito, a admiração e o afeto que faz esse emaranhado de sentimentos torná-las cada vez mais próximas.