Quando o mês de junho se aproxima, Pedro II deixa de ser apenas aquela cidade serrana conhecida pelas opalas e pelo seu clima ameno em meio ao calor piauiense. As ruas ganham sotaques de diferentes estados, as fachadas exibem placas de “aluga-se” e moradores transformam quartos vazios em fonte de renda temporária.
A poucos dias da 20ª edição do Festival de Inverno de Pedro II, um dos eventos anuais mais aguardados, a chamada “Suíça Piauiense” vive novamente sua temporada mais movimentada do ano – e também uma grande corrida na busca por hospedagens.
A procura por casas, pousadas e imóveis de temporada cresceu ainda mais nas últimas semanas após a confirmação de atrações nacionais como Marina Sena, Ferrugem, Roupa Nova e Titãs. O famoso festival acontece entre os dias 4 e 7 de junho e deve atrair milhares de visitantes para uma cidade de pouco mais de 40 mil habitantes.
Corretor de imóveis e morador de Pedro II, Raul Azevedo já tem experiência com a agitação trazida pelo evento cultural. Segundo o profissional, o início deste ano foi marcado por uma procura tímida, impulsionada pela percepção de orçamento apertado entre turistas. Porém, o cenário mudou após o anúncio das atrações principais.
“No início o ano, a procura estava bem fraca, muita gente reclamando que estava tudo caro e dizendo que o dinheiro estava apertado”, relata. O cenário mudou após a confirmação de atrações nacionais mais populares. Segundo Raul, a procura cresceu nas últimas semanas e cerca de 32 imóveis entre casas, apartamentos e quartos já foram alugados para o período do festival.
Apesar da alta demanda, os preços ficaram mais estáveis em comparação aos últimos anos. O corretor afirma que encontrou alternativas para diferentes perfis de visitantes, principalmente famílias. “Tive casas de cerca de R$ 1.000 pelos quatro dias e o máximo chegou a R$ 4.000 em imóveis para até 10 pessoas”, explica.
Casas ocupam espaço deixado por pousadas lotadas
Com a rede hoteleira próxima da capacidade máxima, muitos turistas passaram a procurar casas de temporada como alternativa mais econômica e até mesmo confortável, para certas pessoas. Segundo Raul, o perfil predominante dos visitantes é justamente familiar, principalmente pela possibilidade de dividir custos e ter mais privacidade.
Nas pousadas, por sua vez, o ritmo é de ocupação acelerada. Antônia Gomes, gerente de uma pousada da cidade, afirma que o estabelecimento recebe entre 20 e 30 mensagens diárias em busca de reservas. “Temos reservas feitas com três meses de antecedência. No momento, só temos vagas disponíveis para o dia 7 de junho”, conta.
Ela afirma que a procura neste ano já supera a registrada em 2025 e diz que os hóspedes chegam principalmente de outros estados do Nordeste. “As pessoas perguntam muito se a pousada fica perto da praça de eventos, se tem garagem, se os quartos são completos e se a localização é boa. Eles procuram conforto porque muitos passam o dia inteiro passeando”, explica.
Segundo Antonia, o festival movimenta praticamente todos os setores da cidade. “O Festival de Inverno é esperado por todos, não só pelo impacto financeiro, mas porque temos o privilégio de receber pessoas de vários estados. Pedro II fica mais conhecida e isso fortalece nosso turismo”, afirma.
A empresária Francisca Maria, proprietária de outra pousada em Pedro II, relata que a lotação começou ainda em março e observa uma mudança no perfil do público. “A procura para hospedagem no festival ocorre com bastante antecedência. Normalmente as pessoas procuram no mês de março e já não temos mais vagas”, diz.
Ela explica que houve apenas um pequeno reajuste nas diárias este ano, mas destaca que a demanda segue crescendo a cada edição. “Está vindo mais gente jovem por conta das atrações atuais, mas recebemos pessoas de todos os perfis, desde famílias até pessoas mais velhas. Muitos procuram apenas um lugar para dormir, porque passam o dia nas cachoeiras, nos mirantes e no comércio local. Já outros fazem bate e volta só para os shows”, comenta.
Mesmo com mudanças no comportamento de consumo dos visitantes, Francisca afirma que o festival continua sendo o principal motor da economia local. “É um período muito importante para pousadas, restaurantes e para todo o comércio. Já foi ainda mais forte anos atrás, mas continua movimentando bastante Pedro II”, avalia.
Durante os quatro dias de programação, Pedro II amplia temporariamente sua própria estrutura. Casas viram hospedagens, moradores se tornam anfitriões e pequenos negócios encontram, no fluxo de turistas, uma vitrine rara para além das montanhas da Serra dos Matões.
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