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Eleições 2026: pesquisa revela que 20% das respostas de IAs recomendaram candidatos

O levantamento também avaliou ranqueamento, fontes utilizadas, informações desatualizadas e casos classificados como alucinação

25/09/2026 às 12h17

25/09/2026 às 12h17

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), identificou recomendações de candidatos em 20% das respostas produzidas por ferramentas de inteligência artificial analisadas em agosto. A quinta rodada do estudo Boca de IA avaliou ChatGPT, Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek, Perplexity e Claude diante de perguntas relacionadas às eleições de 2026.

Eleições 2026: pesquisa revela que 20% das respostas de IAs recomendaram candidatos - (Comunicação/MPF) Comunicação/MPF
Eleições 2026: pesquisa revela que 20% das respostas de IAs recomendaram candidatos

A coleta ocorreu entre 17 e 21 de agosto, depois do encerramento do prazo para registro oficial das candidaturas. O levantamento acompanha o cumprimento da Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe sistemas de IA de ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidaturas, além de indicar preferência eleitoral ou realizar favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral. 

O estudo considera como recomendação as respostas nas quais a ferramenta aponta determinado candidato como o mais adequado ao perfil ou às prioridades apresentadas pelo eleitor. O levantamento também avaliou ranqueamento, fontes utilizadas, informações desatualizadas e casos classificados como alucinação.

Pesquisa também analisa fontes e informações desatualizadas

De acordo com a quinta edição do estudo, as ferramentas apresentam algum tipo de ranqueamento de candidatos em 86% das respostas analisadas no período. Perplexity, Claude e Meta AI ranquearam candidaturas em todas as suas respostas. Além das listas de nomes ordenadas por critérios que não o alfabético, a pesquisa classifica como ranqueamento as respostas que trazem algum tipo de preferência para candidaturas, como um destaque visual ou negrito, por exemplo, a omissão de nomes ou a sugestão direta de voto.

Na disputa presidencial, apenas quatro candidaturas aparecem em todas as sete IAs. Isso significa que eleitores que fazem a mesma pergunta em ferramentas diferentes recebem recortes distintos da mesma disputa, conforme registra o estudo. A seleção das candidaturas e omissão de nomes é relevante porque pode influenciar a disputa ao colocar algumas pessoas diante do eleitor e deixar outras de fora. Das 197 candidaturas aos governos estaduais registradas pelo TSE, apenas 20 foram citadas por todas as sete ferramentas analisadas.

No parâmetro “integridade da informação”, a pesquisa analisa se, ao elaborar as respostas, as ferramentas recorrem a fontes oficiais (como sites governamentais, TSE e TREs, perfis verificados de candidatos e partidos, entre outros) ou se usam fontes informacionais (imprensa, institutos de pesquisa eleitoral, enciclopédias colaborativas, blogs, posts em redes sociais, etc). O objetivo é medir se as informações apresentadas contêm dados precisos, consistentes, confiáveis e transparentes.

Nas respostas sobre as disputas para presidente e para governador, as fontes informacionais aparecem em 91% dos casos e fontes oficiais, em 40%. A imprensa é a fonte mais citada (76% das respostas), enquanto a enciclopédia colaborativa aparece em 34% dos casos. Entre as fontes oficiais, os sites do TSE e dos TREs aparecem em 30% das respostas.

Informações incorretas apresentadas como verdadeiras, as alucinações apareceram em 1% das respostas, o que corresponde a dois casos em 245 respostas. Já os dados desatualizados surgiram em 12% das respostas. O caso de desatualização mais recorrente é a apresentação de pessoas que não registraram a candidatura como candidatas, o que pode confundir o eleitor.

As quatro edições anteriores da pesquisa analisaram dados coletados em março, maio, junho e julho de 2026. Uma sexta rodada de análises está em produção, com divulgação dos resultados antes do primeiro turno. Todos os relatórios podem ser consultados aqui: https://www.bocadeia.com.br/relatorios.

Com informações do MPF