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Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina

Experiência reúne visita guiada, subida à torre e café compartilhado na estação; com investimento de R$ 40 por pessoa, os visitantes percorrem o interior do prédio com guias.

07/03/2026 às 11h36

Tomar um café da tarde dentro de um prédio que atravessou um século de história pode parecer cena de filme antigo. Em Teresina, porém, se tornou uma experiência real. O projeto Café na Estação promove visitas guiadas à Estação Ferroviária da capital, inaugurada em 1926, combinando passeio histórico, subida à torre e um momento de convivência entre os participantes.

A atividade é organizada pelo perfil Tempo e Cultura e acontece dentro do edifício que hoje abriga a sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Piauí.

Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina - (Reprodução/Arquivo Pessoal) Reprodução/Arquivo Pessoal
Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina

Com investimento de R$ 40 por pessoa, os visitantes percorrem o interior do prédio com o auxílio de guias de turismo, exploram três andares ligados por escada em espiral, têm acesso à mesa colonial e chegam à varanda com vista para avenidas importantes da cidade, como a Frei Serafim e a Miguel Rosa, a maior avenida da capital em extensão.

Mais do que uma visita técnica, a proposta é criar uma experiência afetiva com o patrimônio. O passeio termina com um café compartilhado entre os participantes, momento pensado para estimular conversas e trocas de histórias.

Segundo a jornalista e historiadora Marina Loiola, responsável pela iniciativa e planejamento das visitas, a estação foi, durante décadas, um dos principais pontos de circulação de pessoas e mercadorias na capital.

Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina - (Reprodução/Arquivo Pessoal) Reprodução/Arquivo Pessoal
Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina

“Durante muitos anos, ela foi a porta de entrada e saída de pessoas, mercadorias e ideias”, disse. Ela ressaltou, ainda, o papel do local na formação de laços entre os municípios piauienses, unindo caminhos e pessoas. “O trem conectava Teresina a outras regiões e ajudou no crescimento econômico da cidade”, afirmou Marina.

Prédio completa 100 anos

A programação também ganha significado especial em 2026, quando o prédio completa 100 anos. Para Marina Loiola, a receptividade do público tem relação direta com a memória coletiva ligada ao local. “Esse prédio carrega muitas histórias. É um marco na vida de muitas pessoas que moram em Teresina”, destacou.

O projeto surgiu a partir da percepção de que muitos moradores da cidade nunca haviam entrado na estação. Durante as visitas, não é raro ouvir relatos de surpresa. “Muita gente diz que passa na frente há anos e nunca tinha entrado. O pertencimento nasce quando você conhece e vivencia o lugar”, explica.

Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina - (Reprodução/Arquivo Pessoal) Reprodução/Arquivo Pessoal
Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina
Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina - (Reprodução/Arquivo Pessoal) Reprodução/Arquivo Pessoal
Café na Estação Ferroviária convida teresinenses a redescobrir prédio centenário em Teresina

A estação passou, recentemente, por um processo de restauração que buscou preservar características arquitetônicas originais e adaptar o prédio para novos usos. Como se trata de um imóvel tombado, as intervenções precisaram respeitar a identidade histórica do edifício.

Atualmente, além de sediar o Iphan, o espaço começa a receber iniciativas culturais. Para Marina, manter o prédio em atividade é essencial para a preservação. “Tudo que tem movimento é visto e cuidado. Quando um prédio deixa de ser visitado, ele acaba sendo esquecido”, afirma.

O público das visitas é diverso. Há idosos que lembram do tempo em que o trem ainda circulava, pais levando filhos pela primeira vez e curiosos interessados na história da cidade. Em comum, todos compartilham o mesmo simples gesto: sentar, tomar um café e redescobrir um pedaço da memória de Teresina.


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Com edição de Nathalia Amaral.