Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

'Blue Monday': por que esta segunda é considerada o dia mais triste do ano? Entenda

Contas batendo na porta e cobranças pessoais. É na terceira semana do ano que a rotina começa a voltar ao eixo para muita gente - e, às vezes, as frustrações vêm junto.

19/01/2026 às 09h31

Cansaço, desânimo e frustração são sentimentos que ninguém quer ter, mas que acompanham todo mundo pelo simples fato de sermos humanos. Porém, há dias em que o impacto deles na vida das pessoas tende a ser maior. Na terceira segunda-feira do ano, que em 2026 cai no dia 19 de janeiro, sensações como essas ganham mais visibilidade. É a chamada Blue Monday, expressão em inglês para “segunda-feira triste”.

'Blue Monday': por que esta segunda é considerada o dia mais triste do ano? Entenda - (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Marcelo Camargo/Agência Brasil
'Blue Monday': por que esta segunda é considerada o dia mais triste do ano? Entenda

Considerada internacionalmente como “o dia mais triste do ano”, do ponto de vista social e psicológico, a data está associada ao retorno à “vida normal” depois das festas de Natal e Ano Novo, quando o impacto das questões financeiras e pessoais não resolvidas no ano anterior volta com força total. O resultado é o que se percebe no dia a dia: cansaço, desânimo e frustração ao se dar conta de que, no novo ano, nem tudo é realmente novo.

O conceito de Blue Monday foi criado pelo psicólogo anglo-indiano Cliff Arnall. Por meio de uma equação matemática, o especialista associou a tristeza da terceira segunda-feira de janeiro a fatores acumulados, como condições climáticas, dívidas contraídas no fim do ano, queda da motivação e aumento das cobranças pessoais.

Em países do hemisfério Norte, por exemplo, o período é de inverno, com menos dias ensolarados. A falta de exposição à luz natural afeta os níveis de serotonina, neurotransmissor ligado à regulação do humor, o que pode favorecer sentimentos de tristeza e melancolia e uma visão mais pessimista da realidade. Situações delicadas, como contas a pagar e metas não cumpridas, acabam tendo um peso ainda maior.

Segundo a psicóloga Ianny Luizy, o início do ano costuma ser vivido como um verdadeiro “turbilhão de emoções”. Ela explica que, além do balanço emocional feito no fim do ano, janeiro chega com cobranças concretas e imediatas. “A gente sai de um período muito festivo e passa para um turbilhão de responsabilidades de uma vez só”, afirma. Entre elas estão impostos como IPTU, gastos com material escolar, anuidades de conselhos profissionais e outras despesas típicas do começo do ano.

No Brasil, essa sobrecarga financeira é um dos fatores que mais contribuem para a sensação de peso emocional em janeiro. As despesas se somam às dívidas contraídas no Natal e no Réveillon, com viagens, presentes e festas, o que impacta diretamente o ânimo para colocar planos em prática. Para a psicóloga, esse cenário gera angústia e ansiedade, especialmente porque muitas pessoas sentem que já começam o ano “atrasadas”. “É como se o ano já tivesse começado, mas a pessoa ainda estivesse lidando com pendências do ano anterior”, explica a profissional.

Ianny Luizy também chama atenção para uma dualidade comum nesse período. De um lado, a pressão para iniciar mudanças e cumprir promessas feitas na virada do ano; de outro, a sensação de falta de energia e motivação. “A motivação precisa ser intrínseca, e quando a realidade bate à porta com tantas cobranças, isso gera desconforto e até falta de ânimo para começar”, pontua. Ela lembra ainda que, culturalmente, muitos brasileiros têm a percepção de que “o ano só começa depois do carnaval”, o que transforma janeiro em um limbo entre responsabilidades e adiamentos.

Apesar da popularidade do termo, a Blue Monday não é um conceito unânime no meio científico. Há aqueles que apontam que a tristeza é subjetiva e não pode ser restrita a uma data específica. Qualquer um pode ser acometido por sentimentos negativos de acordo com a situação que vive. Contas sempre existirão, assim como cobranças internas e externas.

As orientações para enfrentar a terceira segunda-feira de janeiro, portanto, não diferem muito das recomendações para outros momentos de maior estresse emocional: cuidar da saúde mental, manter uma rotina minimamente organizada, fazer pausas, reservar tempo para o lazer, buscar contato com a natureza e adotar práticas que ajudem a aliviar a tensão, como exercícios de respiração e meditação.

Para Ianny Luizy, o mais importante é aliviar a pressão por grandes recomeços. “O que a gente sempre recomenda é que não se inicie, mas que se continue. As metas não precisam começar em janeiro com tanta força. Se algo já vinha sendo feito, o ideal é apenas dar continuidade, sem essa cobrança intensa de começar tudo do zero”, conclui.


Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.