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A uma semana das eleições, MPT já recebeu 583 denúncias de assédio eleitoral

Registros incluem ameaças, constrangimentos e pressão política no trabalho; Nordeste concentra 144 denúncias, segundo levantamento divulgado pelo MPT.

27/09/2026 às 08h48

27/09/2026 às 08h48

A uma semana da eleição, 583 denúncias de assédio eleitoral já chegaram ao Ministério Público do Trabalho (MPT) em 2026. Mais de 200 delas foram registradas somente em setembro. No próximo domingo (4), eleitores vão às urnas para escolher presidente, governador, senador e deputados.

A uma semana das eleições, assédio eleitoral no trabalho já soma 583 denúncias em 2026 - (© Fernando Frazão/Agência Brasil) © Fernando Frazão/Agência Brasil
A uma semana das eleições, assédio eleitoral no trabalho já soma 583 denúncias em 2026

Os casos envolvem situações em que trabalhadores são submetidos a pressão relacionada às suas escolhas políticas no ambiente profissional. Entre as condutas estão ameaças de demissão, prejuízos nas condições de trabalho, imposição de materiais de campanha, perseguição por divergência política e constrangimento para participar de atos ligados a candidaturas.

O Nordeste aparece na segunda posição entre as regiões com mais denúncias, com 144 registros. O Sudeste concentra 207 ocorrências, enquanto São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão entre os locais com maior número de casos.

No Ceará, foram registradas 24 denúncias. Para o MPT, o assédio eleitoral ocorre quando trabalhadores são submetidos a coação, intimidação, ameaça, humilhação ou constrangimento relacionado ao processo eleitoral, com o objetivo de influenciar ou manipular o voto, o apoio, a orientação ou a manifestação política.

Pressão também pode ocorrer por meios digitais

A prática não se restringe às situações presenciais. Mensagens enviadas em grupos corporativos de WhatsApp, e-mails e reuniões virtuais também podem ser utilizadas para pressionar trabalhadores durante o período eleitoral.

Levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) identificou a presença de meios virtuais em pouco mais de 67% dos processos analisados sobre assédio eleitoral. O WhatsApp aparece como instrumento utilizado em 37% dos casos.

Entre as ocorrências estão ameaças de demissão ou de prejuízos nas condições de trabalho em razão do resultado das eleições, exigência de apoio a determinada candidatura e constrangimento para participar de atividades de campanha. A perseguição motivada por divergências políticas também aparece entre as condutas identificadas.

Desde agosto, o MPT participa da campanha nacional “No meu voto mando eu”, realizada em conjunto com a Justiça do Trabalho, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral. A iniciativa integra a Aliança pelo Voto Livre e Secreto e busca prevenir o assédio eleitoral e reforçar a liberdade de escolha no ambiente de trabalho.

Quem sofrer ou presenciar uma situação de assédio eleitoral pode denunciar ao MPT pelo site do órgão. Também é possível procurar o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da região onde ocorreu o fato ou utilizar os canais do Ministério Público Eleitoral (MPE).