A atleta Sarah Menezes faz parte da memória afetiva e esportiva do Brasil e, de forma muito especial, do Piauí. O dia 29 de julho de 2012 não foi apenas uma data olímpica: foi o momento em que uma jovem piauiense entrou definitivamente para a história do judô mundial. Naquele dia, durante os Jogos Olímpicos de Londres, Sarah conquistou a medalha de ouro no judô feminino, tornando-se a primeira brasileira campeã olímpica na modalidade e encerrando um jejum de 20 anos sem ouro para o judô do país, desde Rogério Sampaio, em Barcelona, em 1992.
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A vitória sobre a romena Alina Dumitru, campeã olímpica em Pequim 2008, repercutiu em todo o Brasil. No Piauí, o feito ganhou um destaque ainda mais simbólico. Sarah Menezes estampou a capa do Jornal O Dia, com a manchete que entrou para a história: “Sarah, o ouro do Piauí”. A imagem da atleta virou símbolo de pertencimento, orgulho e possibilidades. O judô feminino nunca mais seria visto da mesma forma.
Doze anos depois, a história voltou a se repetir, e se ampliar. Em 2024, nos Jogos Olímpicos de Paris, Sarah novamente subiu ao pódio olímpico, agora fora dos tatames, como treinadora da Seleção Brasileira feminina. À frente da equipe desde 2021, comandou a conquista de uma medalha de bronze e uma de ouro, tornando-se a primeira judoca brasileira campeã olímpica como atleta e como técnica. Um feito raro, poderoso e carregado de significado.
Hoje, aos 35 anos, Sarah relembra a trajetória com emoção e consciência do impacto que construiu. “Fiquei muito feliz, foi tudo o que imaginei conquistar na minha carreira. Aos 16 anos, pensei em desistir. Conciliar treino e escola era muito difícil. Mas quando decidi ser atleta internacional e representar o Piauí para o mundo, conquistar o ouro foi perfeito”, lembra.
Ela reconhece que sua conquista abriu portas para outras mulheres. “Naquela época, a Seleção era toda masculina. Com o tempo, as meninas começaram a aparecer mais, a ter espaço, entrevistas e títulos possíveis. Não só desejados.”
Segundo Sarah, o ‘ouro’ nunca foi apenas o momento do pódio. Ela lembra de todo o esforço que fez ao longo dos anos, do sacrifício e do apoio que recebeu para alcançar a tão desejada medalha.
“O ‘ouro’ foi minha rotina, meu dia a dia. Foi algo desafiador, porque ninguém nunca imaginou algo tão grandioso acontecer na cidade, ainda mais eu, que era uma criança pequena e magra. As pessoas não tinham tanta dimensão. Hoje eu até brinco com as pessoas, que o tamanho não importa, mas, sim, a determinação que eu tive, a vontade de alcançar meus objetivos, e o apoio do grupo, pois sozinha eu não conseguiria nada. A equipe, tanto profissional como familiares e amigos, e a impressa, que é de extrema importância, pois é onde temos a visibilidade. Esse conjunto fez com que eu conquistasse toda essa minha trajetória”, enfatiza.
Quase 15 anos após esse feito, a história de Sarah continua sendo lembrada e contada, não somente pela imprensa, mas por todo o povo piauiense. “É algo que acho muito legal [o reconhecimento]. Não somente para mim, mas para a juventude e para as crianças que querem ser atletas e representar o estado e a cidade que vivem, a família e o sobrenome”, disse.
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A treinadora da seleção
A trajetória de Sarah Menezes é vista como inspiração para novas e futuras meninas que sonham em seguir na carreira esportiva. Apesar dos desafios, o conselho dado é somente um: “Não desista! É possível conquistar, sim, mas vai depender da determinação de cada jovem de seguir em frente e nunca deixar os estudos. É preciso ter energia para conquistar os objetivos”, orienta.
Nessa nova fase da sua vida, agora como treinadora, Sarah destacou como foi enfrentar essa transição e, principalmente, o trabalho para construir um novo legado, agora treinando e ensinando novos atletas.
“Foi difícil deixar de ser atleta, mas, ao mesmo tempo foi uma escolha que fiz, pois o corpo cansa e eu precisava fazer essa modificação. Sempre escutei pessoas dizendo que eu deveria estar à frente da Seleção, mas era algo que eu não imaginava. Só que eu tive a coragem de enfrentar esse novo desafio. Um ano após eu ter minha primeira gestação, entrei na Seleção e foi lindo. As atletas aceitaram e acreditaram, pude ter uma visão de fora dos tatames, orientando, e acredito que ajudei muito a equipe, tanto a masculina quanto a feminina, e o resultado veio com os detalhes”, disse.
Para Sarah, ganhar uma medalha como atleta e outra como treinadora tem o mesmo sentimento, mas com significados diferentes. “É igual, pois mesmo estando fora [dos tatames], estou junto. A única diferença é que não sou eu que estou na ação. Mas, aqueles segundos que você consegue dar uma instrução, faz a diferença, pois há uma conexão do atleta com o treinador”, concluiu.
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