João Gomes, Mestrinho e Jota.pê levaram ao palco do Folguedos São João 2026, em Teresina, no último sábado (12), o projeto Dominguinho, fenômeno musical que conquistou o público brasileiro e ganhou projeção internacional. Antes do show gratuito, os três artistas conversaram com o Portal O Dia sobre a recepção do público piauiense, o sucesso da parceria e os próximos passos da iniciativa.
Mesmo com carreiras consolidadas individualmente, a apresentação marcou a estreia do projeto Dominguinho em solo piauiense.
Pergunta: Sendo o primeiro show do Dominguinho no Piauí, o que o público pode esperar?
João Gomes: “Dá aquele frio na barriga. É um projeto novo na minha vida, mas aqui a galera sempre recebe a gente de braços abertos. Eu sou muito feliz por já ter vivido momentos únicos no Piauí”.
O cantor pernambucano ainda relembrou, em tom bem-humorado, uma passagem anterior pelo estado, quando pegou uma bicicleta em frente ao hotel e encarou o sol forte de Teresina em pleno meio-dia.
O projeto nasceu da união entre João Gomes, o sanfoneiro sergipano Mestrinho e o cantor paulista Jota.pê. A proposta mistura forró, baião, xote, MPB e releituras de clássicos da música brasileira em formato acústico e intimista. O sucesso do primeiro álbum impulsionou uma turnê nacional e levou o trio a conquistar o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa em 2025.
Pergunta: O sucesso dos dois primeiros volumes abre espaço para um Dominguinho Vol. 3 ou uma turnê ainda maior?
João Gomes: “Ainda é muito cedo para falar sobre isso. Estamos navegando nesse segundo volume. Mas o Jota e o Mestrinho são muito importantes para que a gente continue sonhando. O Dominguinho nasceu em um lugar, mas hoje parece que um lugar só já é pouco para ele”.
O segundo volume do projeto foi lançado recentemente, no último mês de maio, e reúne 12 faixas inéditas gravadas no Centro Histórico de Salvador. O repertório mantém a proposta de aproximar tradição e contemporaneidade, incluindo releituras de sucessos de diferentes gêneros musicais.
Durante a entrevista, outro tema chamou atenção dos artistas. Mesmo em um horário avançado da noite e após dois shows de outros artistas, dezenas de crianças acompanhavam o show ao lado dos pais. A presença do público infantil tem se tornado uma marca do Dominguinho e surpreende até os próprios integrantes.
Pergunta: Muitas crianças acompanham o projeto. Como vocês enxergam essa conexão com o público infantil?
Mestrinho: “É maravilhoso. A gente vê muitas crianças curtindo o projeto, tocando sanfona e se inspirando na música. Estamos alcançando uma geração que está começando agora e isso deixa a gente muito feliz”.
Jota.pê: “Uma das coisas mais bonitas que vejo é criança brincando de Dominguinho. Elas escolhem qual dos três querem ser e obrigam os pais a completar o trio”.
Conheça o trio
João Gomes chegou ao projeto em um momento de consolidação da carreira. Apenas aos 23 anos, o pernambucano já dividiu palco e estúdio com grandes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil, Marisa Monte, Lulu Santos e Vanessa da Mata, além de ter recebido elogios de Caetano Veloso.
Conhecido inicialmente pelo piseiro, o cantor ampliou seu repertório e se firmou como um dos artistas mais populares e versáteis da música brasileira atual, sem abandonar as referências nordestinas que marcaram sua trajetória.
Mestrinho, por sua vez, carrega a música em sua história familiar. Neto do tocador de oito baixos Manezinho do Carira e filho do sanfoneiro Erivaldo de Carira, o sergipano ganhou o primeiro acordeon aos cinco anos de idade. A ligação com Dominguinhos foi além da influência artística. Ele trabalhou ao lado do mestre do forró e hoje é considerado um dos principais sanfoneiros da nova geração da música brasileira.
Já Jota.pê representa a ponte entre a tradição nordestina e a nova MPB. O cantor e compositor paulista, que não nega o afeto pelo Nordeste, acumula quatro Grammys Latinos, incluindo o prêmio de Melhor Canção em Língua Portuguesa por “Ouro Marrom”. Em Teresina, João Gomes e Mestrinho abriram espaço para a faixa ser apresentada solo pelo cantor, em um dos momentos mais marcantes e emocionantes do show.
O álbum “Se o Meu Peito Fosse o Mundo” de Jota.pê também recebeu reconhecimento internacional e ajudou a projetar o artista para um público cada vez mais amplo, tornando sua participação no Dominguinho um dos diferenciais do projeto.
Homenagem como essência do projeto
O nome do projeto é uma homenagem direta a Dominguinhos, um dos maiores nomes da música brasileira.
Pergunta: O que Dominguinhos representa para a identidade musical do projeto?
Mestrinho: “Eu sou totalmente influenciado por Dominguinhos. Trabalhei com ele durante muitos anos e carrego essa essência na minha sanfona. Acho que todos nós fomos inspirados por ele de alguma forma”.
No palco do Folguedos São João, a conexão entre os três artistas ficou evidente durante o espetáculo. Entre conversas espontâneas, improvisos, releituras e sucessos dos dois volumes do projeto, João Gomes, Mestrinho e Jota.pê transformaram a apresentação em uma celebração da música nordestina, aproximando a plateia de um repertório que dialoga com memória, afeto e identidade cultural.
O trio se apresentou por cerca de duas horas, em um show marcado pela espontaneidade e pela forte interação com o público. O repertório reuniu sucessos dos dois volumes do projeto, clássicos do forró e releituras de canções conhecidas nacionalmente, transformando o palco em uma celebração da cultura do Nordeste e das memórias afetivas que atravessam gerações.