A Polícia Federal (PF) abriu, nesta semana, um inquérito para investigar a divulgação de vídeos nas redes sociais que simulam agressões contra mulheres em resposta a rejeições amorosas.
O conteúdo, conhecido como trend “caso ela diga não”, viralizou principalmente no TikTok nos últimos dias e passou a ser alvo de investigação após denúncia apresentada à Advocacia-Geral da União (AGU).
Nos vídeos, jovens aparecem encenando reações violentas após uma suposta recusa em situações românticas, como pedidos de namoro. Em algumas gravações, os criadores de conteúdo dão socos, chutes e até simulam ataques com faca contra manequins que representam mulheres. As publicações costumavam vir acompanhadas de frases que associavam diretamente a violência à rejeição afetiva.
Diante da repercussão, a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia (PNDD), vinculada à AGU, encaminhou uma notícia-crime à Polícia Federal pedindo apuração do caso. A corporação abriu o inquérito e solicitou a remoção dos conteúdos identificados na plataforma.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) também enviou um ofício ao TikTok Brasil pedindo esclarecimentos sobre as medidas adotadas pela empresa para conter a disseminação desse tipo de conteúdo.
O documento foi elaborado por diferentes áreas da pasta, incluindo a Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
No ofício, o ministério solicita informações detalhadas sobre como funcionam os sistemas de moderação da plataforma, incluindo mecanismos automatizados de detecção de conteúdos ilegais, revisão humana e monitoramento de tendências que possam estimular violência ou discurso de ódio. A empresa terá prazo de cinco dias para responder.
Além disso, o governo quer saber se os perfis responsáveis pela publicação dos vídeos receberam algum tipo de monetização ou recompensa financeira pelo alcance gerado pelas postagens.
Segundo as autoridades, a investigação busca identificar os responsáveis pela criação e disseminação dos conteúdos. Registros técnicos e metadados relacionados às publicações foram encaminhados ao Laboratório de Operações Cibernéticas da Senasp para auxiliar na análise e eventual identificação dos autores.
Em nota, o Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça afirmaram que conteúdos que sugerem agressões contra mulheres contribuem para banalizar a violência de gênero e reforçar discursos discriminatórios. Os órgãos também defenderam a apuração rigorosa do caso.
Dados citados pelas autoridades apontam que o Brasil registra, em média, quatro feminicídios e cerca de dez tentativas do crime por dia, cenário que tem levado o poder público a ampliar políticas de enfrentamento à violência contra mulheres, inclusive no ambiente digital.
O crescimento de comunidades online associadas à chamada “machosfera”, grupos virtuais que difundem discursos hostis às mulheres e críticas ao feminismo, reflete essa atual realidade. Parte desses espaços está ligada ao chamado movimento “redpill”, que reúne fóruns e perfis nas redes sociais voltados à discussão de relações afetivas sob uma perspectiva frequentemente marcada por posições misóginas.
A circulação massiva de conteúdos desse tipo nas plataformas digitais pode ampliar a normalização de comportamentos violentos e exige monitoramento mais rigoroso por parte das redes sociais. Enquanto isso, o inquérito da PF segue em andamento para apurar possíveis crimes relacionados às publicações.
Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.