A próxima composição do Congresso Nacional terá 68,9% dos parlamentares classificados nas faixas de baixa ou muito baixa convergência com pautas de clima e meio ambiente. O levantamento considera os 594 deputados e senadores que formarão a 58ª Legislatura, entre 2027 e 2031.
A análise foi realizada pelo Observatório do Clima com base no índice de convergência ambiental, que considera a atuação e os votos dos congressistas em temas relacionados ao meio ambiente e às mudanças climáticas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (6).
O indicador utiliza quatro faixas. Parlamentares com até 25% de alinhamento ficam na categoria muito baixa; de 26% a 50%, baixa; de 51% a 69%, boa; e de 70% a 100%, muito boa.
Senado concentra maior percentual
No Senado, 64 dos 81 integrantes da próxima legislatura, ou 79%, estão nas faixas baixa ou muito baixa. Apenas 17 senadores, equivalentes a 21%, aparecem nas categorias boa ou muito boa.
O resultado representa uma mudança em relação à legislatura que termina neste ano. Entre os atuais senadores, 58, ou 71,6%, estavam nas duas faixas de menor convergência ambiental. O percentual, portanto, aumentou na próxima composição.
Os dois senadores eleitos pelo Piauí para a próxima legislatura, Marcelo Castro e Júlio César, são representantes, respectivamente, do MDB e do PSD. Os dois partidos perderam participação relativa na composição do Senado. Das 8 cadeiras do MDB escolhidas para a 58ª legislatura, sete têm média Baixa. Já no PSD, uma cadeira tem média Muito Baixa, duas têm média Baixa e mais duas têm média Boa, segundo a análise apresentada pelo Observatório do Clima.
Na Câmara dos Deputados, 345 dos 513 parlamentares eleitos, o equivalente a 67,3%, foram classificados nas categorias baixa ou muito baixa. Outros 40 deputados estão na faixa boa e 128 na muito boa.
Entre os 513 eleitos, 301 foram reeleitos e 212 são novos na Casa. O levantamento aponta que os novos deputados apresentam menor convergência média com a agenda ambiental. Entre eles, 69,8% estão nas faixas baixa ou muito baixa, ante 65,4% dos reeleitos.
A análise também aponta crescimento da bancada do Partido Liberal. No Senado, o PL passou de 15 para 28 cadeiras, enquanto na Câmara saiu de 98 para 121 deputados. O Observatório do Clima relaciona a expansão do partido à piora do indicador, por considerar historicamente baixa sua convergência ambiental.
Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, o cenário pode aumentar a possibilidade de mudanças em políticas ambientais. Entre os riscos citados por ela estão alterações na atuação dos órgãos ambientais, redução de áreas protegidas e mudanças na proteção de florestas e biomas.
Em meio a um cenário não só nacional, mas global, cada vez mais tomado pela insegurança climática, o Senado assume uma responsabilidade ainda maior de reforçar e fortalecer os meios pelos quais estados e municípios podem prevenir riscos, adaptar territórios, financiar respostas e proteger as populações mais vulnerabilizadas.
Os próximos representantes da população na Casa da Federação deverão escolher entre ajudar um país a enfrentar uma crise já existente, que evolui cada vez mais, ou seguir com um caminho em que a resposta do poder público chega quando a população já sente o desastre na pele.