Ao menos seis mortes suspeitas e 225 casos de pancreatite foram notificados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil em associação ao uso de medicamentos agonistas do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
Os registros constam no VigiMed, sistema oficial de farmacovigilância, e estão sob investigação. A agência reforça que os dados não indicam, até o momento, a necessidade de suspensão do uso desses medicamentos, mas acendem um alerta para a prescrição responsável e o acompanhamento médico contínuo.
As notificações envolvem diferentes princípios ativos, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida, presentes em medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Victoza, Trulicity e Mounjaro. Segundo a Anvisa, os casos foram registrados tanto após o início da comercialização quanto durante estudos clínicos, com ocorrências em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. No caso dos óbitos, as unidades da federação não foram informadas.
A agência esclarece que os registros são considerados suspeitos, já que passam por análise técnica antes de qualquer confirmação de nexo causal. Além disso, especialistas apontam que o número pode ser maior, uma vez que a notificação de eventos adversos não é obrigatória no país. “A subnotificação dificulta a identificação precoce de novos riscos e pode atrasar medidas regulatórias”, destaca a Anvisa em comunicado.
O risco de pancreatite já é conhecido e consta em bula de alguns desses medicamentos. No caso da tirzepatida, por exemplo, o documento informa que a pancreatite aguda é uma reação adversa incomum, mas possível. A Anvisa reforça que ainda não é possível afirmar se os casos registrados foram causados diretamente pelos medicamentos ou se estão relacionados a fatores de risco prévios dos pacientes.
Dados internacionais também reforçam a atenção. No Reino Unido, a agência reguladora local registrou 1.296 notificações de pancreatite associadas a agonistas de GLP-1 entre 2007 e outubro de 2025, incluindo 19 mortes. Em nível global, são mais de 14,5 mil notificações e 378 óbitos suspeitos.
Desde junho de 2025, passou a valer no Brasil a exigência de retenção da receita médica para a dispensação desses medicamentos. “O uso sem acompanhamento dificulta a identificação rápida de eventos graves, como a pancreatite, que pode evoluir de forma súbita e fatal”, alertou a Anvisa. O principal risco, segundo especialistas, está no uso indiscriminado, especialmente de versões manipuladas ou adquiridas no mercado ilegal, que não oferecem controle de dose nem monitoramento clínico adequado.
A recomendação é que pacientes procurem atendimento médico imediato diante de sintomas como dor abdominal intensa e persistente, náuseas e vômitos, e que qualquer suspeita de reação adversa seja comunicada ao VigiMed.
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