Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Coluna Campelo Filho

por Campelo Filho

O voto é uma forma de assumir a responsabilidade pelo caminho que decidimos percorrer

A responsabilidade pela construção do Brasil é de todos nós que vivemos em uma sociedade e compartilhamos o desejo de um país melhor e mais justo.

26/09/2026 às 08h00

26/09/2026 às 08h00

Votar é algo sério demais para se desprezar a oportunidade. A afirmação parece simples, mas carrega o peso de uma responsabilidade que vai muito além do momento em que cada um de nós se dirige à urna para digitar o número daqueles escolhidos para nos representar pelos próximos quatro anos no Executivo e Legislativo.

 

 

Sim, votar é muito sério. E votar de forma consciente e livre é a manifestação mais concreta do poder que pertence ao cidadão em uma Democracia. É uma ação individual, pensamos. Mas por trás desse ato simples, assumimos também a responsabilidade pelos efeitos da nossa escolha que, diga-se, são coletivos, atingindo a sociedade, o estado, o país; interferindo em políticas públicas como educação, saúde e segurança, só para citar três dos grandes problemas do país, mas que sequer foram prioridades dos candidatos em seus debates no período eleitoral. Um total descaso para com a sociedade, que se limita, tal qual ovelhas, a ser conduzida ordeiramente ao seu berço esplêndido.

 

 

Por isso, a escolha não deve ser feita apenas pela simpatia, pela tradição, pelo dinheiro, pela experiência política, pela novidade ou mesmo pelo repúdio a este ou aquele candidato. Tampouco deveria resultar da ausência de esperança ou do desinteresse.

 

 

O voto consciente pressupõe saber em quem se está votando e por que se está votando. Pressupõe analisar condutas, valores e aquilo que apresenta como proposta concreta (não genérica) para enfrentar os problemas que afligem a sociedade. Pressupõe liberdade, reflexão e, sobretudo, disposição para conhecer aquele que pretende receber a confiança popular. Mas como fazer isso diante de tamanha polarização, jogo de interesses e guerra de ideologias? Como confiar nos nossos políticos diante do cenário atual que vivemos: um país que atravessa uma grave crise socioeconômica e institucional em todos os poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário?

 

 

Fiquemos com essas indagações como um exercício de autoanálise e autoconhecimento por uma questão simples e pouco abordada: não queremos e não precisamos de um super-herói ou salvador da pátria. Seria simplificar demais a questão. Precisamos, na verdade, de políticos e eleitores (nós) sérios e comprometidos com o país, porque, no fim das contas, eleitores e políticos são, antes de tudo, homens e mulheres capazes de interferir nos destinos do país e é aí que aparecem duas palavras fundamentais: querer e vontade. Não se trata de um querer mesquinho ou egoísta, mas de um querer que carregue o desejo efetivo de fazer a coisa certa e lutar por um país melhor. E não se trata de uma vontade qualquer, mas de uma vontade de decisão, capaz de nos conduzir em direção a um objetivo superior.

 

 

Precisamos compreender que a construção do Brasil não é responsabilidade apenas dos políticos, enquanto ocupantes dos espaços de poder. Tampouco é exclusiva de nós, eleitores, que escolhemos quem ocupará esses espaços. Essa responsabilidade é de todos nós que vivemos em uma sociedade e compartilhamos o desejo de um país melhor e mais justo.

 

O voto é, portanto, uma forma de assumir a responsabilidade pelo caminho que decidimos percorrer. Talvez, seja essa a principal reflexão sobre o seu verdadeiro sentido. Lembremo-nos disso no próximo dia 04 de outubro.