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Coluna Campelo Filho

por Campelo Filho

IA no Direito: uso avança, mas maturidade do setor depende de governança, diretrizes formais e investimento

A edição 2026 do Relatório sobre o Impacto da IA no Direito aponta que 51% das organizações não possuem diretrizes formais para o uso de IA e/ou não têm previsão de formalizar o uso da tecnologia.

13/04/2026 às 16h32

Os dados de 2026 do Relatório sobre o Impacto da IA no Direito revelam um salto de 55% para 77% no número de usuários frequentes em relação ao levantamento de 2025, confirmando aquilo que já vínhamos observando: a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma curiosidade experimental para se tornar uma ferramenta de uso prático, cada vez mais presente na rotina de três em cada quatro profissionais.

Realizado pelas seccionais da OAB de São Paulo, Paraná, Bahia, Goiás, Pernambuco e Espírito Santo, em parceria com o Jusbrasil, a Trybe e o ITS Rio, o relatório apresenta um panorama sobre a adoção, as percepções e os resultados da IA generativa no Direito, mapeando oportunidades e desafios da tecnologia na área. Ao todo, mais de 1.800 profissionais de todas as regiões do país participaram do estudo e responderam a questões sobre a importância da capacitação para o uso da tecnologia, o papel do ambiente institucional, os principais casos de aplicação, entre outros pontos. As expectativas dos profissionais em relação à IA também foram medidas, e o resultado aponta uma percepção positiva entre 84% dos que adotaram a tecnologia, reforçando a avaliação de que a inteligência artificial já produz efeitos concretos na rotina jurídica.

Mas, se por um lado a IA já é parte consolidada da rotina da advocacia, como destaca o presidente da OAB/SP, Leonardo Sica, por outro os dados também revelam um descompasso entre o ritmo de adoção pelos profissionais e a participação das lideranças e das organizações na condução desse processo. Segundo o estudo, o grande desafio para o futuro está na liderança, cujo protagonismo caiu de 14% em 2025 para 8% em 2026. Além disso, 51% das organizações informaram que não possuem diretrizes formais para o uso de IA e/ou não têm previsão de formalizar o uso da tecnologia. Apenas 34% das organizações contam com orçamento dedicado à contratação de ferramentas e/ou à capacitação em IA.

“O profissional do Direito já abraçou a IA, mas essa inovação está acontecendo ‘fora do radar’ das organizações. É imprescindível e urgente que as lideranças assumam o controle dessa narrativa”, alerta o CEO da Trybe, Matheus Ganem. “O relatório comprova que o resultado real com a IA não acontece por acaso, mas em um ambiente que incentive o uso, garanta governança e invista em qualificação. Capacitar equipes é o alicerce para que o avanço não seja apenas rápido, mas, principalmente, responsável, produtivo e focado no que o ser humano faz de melhor: estratégia e relacionamento com clientes”, pontua Matheus.

Para além dos números, o relatório reconhece que o uso de IA no Direito é um caminho sem volta e alerta para a urgência das lideranças e organizações assumirem o protagonismo estratégico. “A maturidade do setor dependerá da transição do uso orgânico para uma governança clara, com diretrizes formais e orçamentos dedicados. Somente com o olhar atento das instituições e a supervisão humana permanente poderemos extrair o valor máximo da IA com a segurança que o Direito exige.”

Fonte: Relatório de Impacto da IA Generativa no Direito – Edição 2026