O deputado estadual Dr. Thales Coelho (PT) afirmou que os parlamentares da base governista não devem interferir diretamente nas decisões políticas dos municípios em relação aos apoios para o Senado Federal nas eleições de 2026. Segundo ele, a realidade política de cada cidade precisa ser respeitada, especialmente diante das diferentes alianças locais envolvendo os principais pré-candidatos ao Senado.
Em entrevista ao O Dia, o parlamentar comentou que a orientação da base do governador Rafael Fonteles para o chamado “voto casado” nos nomes de Marcelo Castro e Júlio César não pode ser aplicada da mesma forma em todos os municípios do estado. Para ele, muitos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores possuem relações políticas históricas também com o senador Ciro Nogueira, o que dificulta uma uniformidade de posicionamento.
“Essa questão de Senado é um pouco realmente contraditória. O governador, ele chega, fez um grupo político dele e realmente ele quer que vote no grupo político dele. E eu, como deputado, respeito ele, mas também gostaria de respeitar meus líderes políticos. Tem muitas cidades no interior do estado do Piauí que a gente não tem aquele poder de mudar o voto do prefeito, do vice-prefeito ou do vereador. Então, cada senador tem que buscar seu voto, tanto o Marcelo Castro, como o Júlio César, como o Ciro Nogueira, através de ações”, declarou.
O parlamentar também ressaltou que não cabe aos deputados estaduais definir os apoios municipais para o Senado. Segundo ele, as lideranças locais possuem autonomia política e tomam decisões baseadas nas próprias articulações e interesses regionais.
“Não é o deputado estadual, não é o deputado federal que vai escolher isso. Então, eu deixo muito livre isso em questões municipais. Tem um prefeito de cidade já vai votar em um candidato a senador e outro fora do governo. Então, assim, não sou eu que vou mudar mas tem questões também que tem deputados, tem vereadores ou prefeitos que votam justamente em toda a base do governador. Isso muito relativo”, pontuou.
Pré-campanha antecipada
Durante a entrevista, Dr. Thales Coelho avaliou ainda que a pré-campanha eleitoral começou de forma antecipada no estado, principalmente após as discussões envolvendo a redução no número de vagas para deputados estaduais e federais.
Segundo ele, o cenário provocou uma corrida antecipada dos parlamentares em busca da manutenção e ampliação de bases eleitorais no interior do Piauí.
“A pré-campanha começou muito cedo. Cada deputado estadual saiu em busca de fortalecer suas bases. Hoje percebemos uma disputa muito grande, com muitos novos candidatos entrando, mas eu me sinto confortável porque temos mantido nossos compromissos e ampliado nossas lideranças em várias cidades do estado”, afirmou.
Relação com oposição segue “harmônica”
Mesmo após deixar o Progressistas e ingressar no PT, Dr. Thales Coelho afirmou manter uma relação amistosa com lideranças da oposição, incluindo o senador Ciro Nogueira. O deputado destacou que a mudança partidária ocorreu de forma dialogada e sem rompimentos pessoais.
“A minha relação com o senador Ciro e com a base do Progressistas é muito harmônica. Isso é política, não é inimizade. Nós saímos pela porta da frente. Foi uma decisão construída para apoiar o trabalho do governador Rafael Fonteles e contribuir mais com o estado do Piauí”, declarou.
O parlamentar também descartou qualquer tipo de conflito político pessoal com integrantes da oposição e afirmou que mantém diálogo aberto com diferentes grupos políticos no estado.