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Arraial

Fóssil de preguiça gigante é encontrado por pesquisadores da UFPI no Norte do Piauí

Um osso encontrado por um morador foi fundamental para a pesquisa, que identificou que o animal viveu há aproximadamente 33 mil anos

27/04/2026 às 16h20

27/04/2026 às 16h20

Um fóssil de preguiça-gigante foi identificado no município de Arraial, no centro-norte do Piauí, ampliando o conhecimento sobre a presença desses animais pré-históricos no estado. O achado é destaque de uma dissertação de mestrado desenvolvida pela pesquisadora Mariana Miranda de Sousa, no campus de Floriano da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Fóssil de preguiça gigante é encontrado por pesquisadores da UFPI no Norte do Piauí - (Divulgação/UFPI) Divulgação/UFPI
Fóssil de preguiça gigante é encontrado por pesquisadores da UFPI no Norte do Piauí

O material fóssil foi atribuído ao gênero Eremotherium laurillardi, uma preguiça-gigante terrestre que viveu nas Américas durante o período Pleistoceno, há cerca de 10 a 11 mil anos. A identificação foi confirmada a partir de análises morfológicas e cronológicas conduzidas no estudo.

Segundo a pesquisa, o achado é considerado incomum para a região, já que registros desse tipo costumam ser mais frequentes no sudeste do Piauí, especialmente em áreas como o entorno do Parque Nacional da Serra da Capivara. A descoberta em Arraial contribui para ampliar o entendimento sobre a distribuição geográfica da espécie no estado.

Além da identificação do fóssil, o estudo também buscou reconstruir aspectos do ambiente em que o animal viveu, incluindo sua dieta e as condições climáticas da época. Os dados ajudam a traçar um panorama mais detalhado da fauna e do clima no Piauí durante o período pré-histórico.

De acordo com a pesquisadora Mariana Miranda, o registro levanta questionamentos sobre a ocupação da espécie em áreas ainda pouco exploradas. "A importância dessa amostra que encontramos lá em Arraial tem uma relevância grande na questão da distribuição geográfica dessa espécie, pois a gente comumente encontra fósseis no sudeste piauiense. O Arraial, que fica no centro-norte do estado, é um registro diferenciado", reiterou a acadêmica.

Pesquisadora Mariana Miranda de Sousa - (Divulgação/UFPI) Divulgação/UFPI
Pesquisadora Mariana Miranda de Sousa

Foram utilizados métodos paleoecológicos para compreender a idade e os aspectos ecológicos do animal. Parte do material foi analisada em uma universidade no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, devido à necessidade de técnicas específicas.

Mariana explicou que a datação indicou que o animal viveu há aproximadamente 33 mil anos. Ainda segundo a pesquisadora, um osso encontrado por um morador da região foi fundamental para a pesquisa. Ele guardava o fóssil em casa e, após saber das buscas na região, entregou o material à prefeitura do município.

"A nossa presença mobilizou um morador, que, sabendo da nossa busca, entregou à prefeitura um osso longo que ele guardava em casa, achando exatamente na mesma área da nossa exploração. Esse osso foi a peça-chave para o nosso trabalho também. Graças a ele, conseguimos realizar análises profundas desde a identificação da anatomia até exames isotópicos e de datação para entender como esse animal vivia. Ao final, fizemos questão de que o fóssil retornasse para Arraial do Piauí. Como foi um presente do morador para o município, ele agora pertence ao museu da cidade", finalizou.