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Alzheimer exige atenção a sinais de perda de função e cuidados preventivos

Durante o Setembro Roxo, geriatra orienta sobre sinais de alerta, fatores de risco e hábitos que podem contribuir para preservar a autonomia na velhice.

22/09/2026 às 14h03

22/09/2026 às 14h03

O Setembro Roxo, mês de conscientização sobre a Doença de Alzheimer, chama atenção para a importância da prevenção, do diagnóstico e do acompanhamento médico. Em entrevista ao O Dia, a geriatra Larissa Barros explicou que um dos principais sinais de alerta não é apenas o esquecimento, mas a perda de funções que antes eram realizadas normalmente.

“É o deixar de fazer o que habitualmente se faz”, explicou a médica. Ela cita como exemplos uma pessoa que passa a se perder em locais conhecidos ou alguém que sempre cozinhou e começa a esquecer o fogão ligado ou deixar ocorrer vazamento de gás.

Alzheimer exige atenção a sinais de perda de função e cuidados preventivos - (Reprodução/Magnific) Reprodução/Magnific
Alzheimer exige atenção a sinais de perda de função e cuidados preventivos

A especialista destaca que demência e Alzheimer não são sinônimos. A demência é uma condição neurodegenerativa progressiva que compromete capacidades cognitivas, enquanto a Doença de Alzheimer é um dos tipos de demência. No Alzheimer, a memória costuma ser uma das funções mais afetadas, mas atenção e capacidade de planejamento também podem sofrer alterações.

Prevenção e fatores de risco

Embora o envelhecimento esteja relacionado ao processo, a médica ressalta que alterações cognitivas não devem ser tratadas simplesmente como consequência normal da idade. Antes de um diagnóstico de Alzheimer, outras causas precisam ser investigadas, como alterações na tireoide e deficiências vitamínicas.

Entre os fatores associados ao maior risco estão baixa escolaridade, hipertensão, diabetes, depressão e sedentarismo. Larissa explica que controlar essas condições pode contribuir para ampliar a chamada reserva cognitiva e preservar a autonomia por mais tempo.

“Quanto mais reserva eu tiver, mesmo que o processo esteja acontecendo, eu tenho uma margem que vai me garantir manter uma autonomia”, afirmou.

Dra. Larissa Barros, geriatra - (O Dia TV) O Dia TV
Dra. Larissa Barros, geriatra

A geriatra também recomenda manter atividade física, aprendizado e interação social. Segundo ela, a passividade cognitiva e longos períodos de ociosidade podem prejudicar a estimulação cerebral, enquanto atividades novas, desafios e convivência social funcionam como estímulos.

O cuidado também deve envolver a família. A Doença de Alzheimer é progressiva e irreversível, mas o acompanhamento busca retardar a evolução e preservar a independência do paciente pelo maior período possível. Para isso, podem participar profissionais como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e neurologistas.

Mulheres estão entre as mais afetadas

A médica explica que as mulheres representam a maior parcela dos pacientes acompanhados, em parte pela maior expectativa de vida e pela maior procura por serviços de saúde. A relação entre menopausa e cognição também merece atenção, já que alterações hormonais podem provocar a chamada “névoa cognitiva”, dificultando diferenciar sintomas transitórios de um processo demencial.

Por isso, Larissa orienta que mudanças persistentes na memória ou na capacidade de realizar atividades cotidianas sejam avaliadas por profissionais de saúde. O acompanhamento permite investigar as causas e identificar precocemente alterações que possam comprometer a autonomia.