Vereadores de Teresina utilizaram a tribuna da Câmara Municipal nesta terça-feira (15) para cobrar maior agilidade na execução de emendas parlamentares destinadas a obras, serviços e ações em diferentes áreas da capital. Durante a sessão, os parlamentares divergiram sobre os motivos da demora na liberação dos recursos e também discutiram os mecanismos de controle adotados pela Prefeitura.
O vereador Dudu (PT) afirmou que não vê relação entre a execução das emendas e a disputa pela Presidência da Câmara para o biênio 2027/2028. Segundo ele, há parlamentares que apoiam o líder do prefeito, Bruno Vilarinho (PRD), e outros que não declararam apoio, mas que tiveram emendas executadas.
“Não, muito pelo contrário. Aqui, as minhas emendas e as de outros vereadores que já foram pagas são de vereadores que tanto apoiam o vereador Bruno Vilarinho como não. Dou exemplo aqui, por exemplo, o Zé Filho. O Zé Filho, inclusive, coloca o nome dele como pré-candidato à presidência da Câmara. E as emendas dele foram pagas”, afirmou.
Dudu avaliou ainda que parte das declarações feitas durante a sessão ocorreu “no calor da emoção” e disse não acreditar que a questão das emendas interfira na condução da Câmara ou na eleição da próxima Mesa Diretora.
O vereador Leonardo Eulálio (PL) defendeu a criação de uma comissão para discutir com a Prefeitura e os órgãos responsáveis a disponibilidade de recursos para áreas consideradas prioritárias, especialmente a saúde.
“Acho que a gente deveria fazer uma comissão para buscar juntamente com a secretaria, ou então convocá-los para cá. Porque o que está faltando mesmo, que eu acho, no meu modo de ver, são recursos. Porque a gente não observa nenhum incremento de recursos. O último incremento que teve foi quando o Marcelo Castro foi ministro e ele, então, ampliou o nosso teto. Agora foi ampliado mais R$ 120 milhões, que vai ser diluído ao longo dos anos. Mas se a gente tem em mente que o HUT consome R$ 30 milhões por mês, esse valor de R$ 112 milhões continua sendo insuficiente”, declarou.
O vice-líder do prefeito, Pedro Alcântara (Progressistas), também rejeitou a possibilidade de a liberação das emendas estar condicionada a apoio político. Para ele, a demora está relacionada aos procedimentos de fiscalização e controle que antecedem a execução dos recursos. Segundo o parlamentar, as emendas precisam passar por diferentes setores antes de serem liberadas.
“Tem que se ter o maior cuidado. A emenda passa pelo órgão que vai liberar, o setor jurídico, pela Contraloria do Município, pela Contraloria Geral da União. Enfim, é um dinheiro que tem que ser com muito cuidado […]. Então, ‘ah, mas está demorando muito’. É o cuidado, tem que ter cuidado mesmo. É dinheiro público. E o dinheiro público tem que ter lisura, sob pena de você ficar inelegível, responder processo e, se for o caso, até a cadeia. É dinheiro público”, afirmou.