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Travessias irregulares e falta de passarelas colocam pedestres em risco na BR-343

A travessia de pedestres em diferentes pontos da BR-343, em Teresina, tem sido marcada por dificuldades e situações de risco. Na região do Dirceu, moradores, trabalhadores e estudantes enfrentam problemas relacionados à falta de passarela, à sinalização insuficiente e à distribuição das faixas de pedestres.

Já nas proximidades da Rodoviária de Teresina, ainda na extensão da BR-343, onde existe uma passarela, trabalhadores afirmam que muitos pedestres continuam atravessando a rodovia por locais inadequados.

Assis Fernandes/O Dia
Travessias irregulares e falta de passarelas colocam pedestres em risco na BR-343

A situação chama atenção após a morte de uma idosa de 81 anos, identificada como Luzia Maria, atropelada no último dia 22 de setembro enquanto tentava atravessar a BR-316, na zona Sul de Teresina. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a vítima teria passado por cima da mureta que divide os sentidos da rodovia e entrado repentinamente na frente de um carro. O acidente aconteceu a poucos metros de uma passarela.

O caso não é isolado. Somente este ano, a BR-316 registrou sete atropelamentos e três mortes. A mureta existe para impedir a travessia de pedestres, mas ainda há quem passe por cima dela.

O trecho tem quatro passarelas entre a rotatória da Avenida Miguel Rosa e a rotatória do bairro Porto Alegre. Ainda assim, os equipamentos são pouco utilizados pela população. Com o prolongamento da BR-343, pedestres que circulam pela região podem ficar expostos a situações semelhantes. Entre a rotatória da Avenida Miguel Rosa e a rotatória da Paulo Ferraz, há apenas uma passarela, em frente à Rodoviária de Teresina.

Resta saber como os pedestres atravessarão seis faixas de rolamento, em trecho de intenso fluxo de veículos, sem outros dispositivos de segurança. A reportagem do O Dia esteve no Dirceu, perto da Rua Gibraltar e do Viaduto do Dirceu, em obras, e no São Pedro, próximo à passarela da Avenida Presidente Getúlio Vargas.

A falta de uma passarela

No Dirceu, a falta de sinalização e de passarela, somada à má distribuição das faixas, aumenta o risco de acidentes. A principal reivindicação de quem mora, trabalha e estuda ali é uma passarela e mais fiscalização, pois a faixa existente não é respeitada pelos motoristas.

Erivaldo Rodrigues, funcionário que trabalha na região, diz que a travessia piora na entrada e na saída das escolas. “Tem dois colégios que ficam do lado, e esse bairro todinho atravessa. Essas crianças passam o dia todo por aqui”, afirmou.

Proprietário de restaurante há 12 anos, Epitácio Rodrigues cita os horários de maior movimento, às 7h, ao meio-dia e à tarde, quando há mais estudantes. “É o maior sacrifício para atravessar aqui. (Os pedestres) têm que ficar esperando a boa vontade de alguém”, disse.

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Epitácio Rodrigues, comerciante

Erivaldo avalia que uma passarela seria mais eficaz do que apenas mais faixas, já que a existente fica distante. “Pode até ser que a sinalização amenize um pouco, mas o que resolveria mesmo é a passarela”, declarou.

Além do grande fluxo, ele destaca a presença frequente de caminhões e aponta problemas na sinalização da faixa existente. Segundo Erivaldo, a pintura está desgastada e os motoristas nem sempre percebem que há um ponto destinado à travessia.

“Pode até ser que a sinalização amenize um pouco, mas o que resolveria mesmo é a passarela. Tem a faixa de pedestres, mas pouco motorista sabe que tem, porque não tem sinalização nenhuma”, declarou.

Para ele, a extensão da via e o tamanho da comunidade justificam a existência de mais pontos seguros para a passagem de pedestres. “Aqui mora gente demais, e a maioria depende daqui, seja para o que for”, disse.

Erivaldo afirma, ainda, que inúmeros acidentes já ocorreram no trecho e que moradores procuraram o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para reivindicar melhorias.

A passarela é a solução?

Na região próxima à Rodoviária de Teresina, a realidade é diferente. Há passarela, mas, segundo quem trabalha na área, muitos pedestres preferem atravessar em locais impróprios, sem faixa, por uma via onde passam milhares de carros por dia, incluindo caminhões e carretas.

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Travessias irregulares e falta de passarelas colocam pedestres em risco na BR-343

Michele Soares, que trabalha na região desde 2019, considera que a escolha de atravessar fora da passarela aumenta o risco para os próprios pedestres. Segundo ela, o fluxo de veículos é intenso, principalmente nos horários de maior movimentação.

“Tem uma passarela bem aqui e aí os pedestres não passam. Preferem arriscar a vida na BR. Se tem uma passarela, dá para a pessoa usar”, afirmou.

Ela relata que o movimento só começa a diminuir por volta das 21h ou 22h. Além da passarela, Michele cita a existência de um retorno próximo como outra possibilidade para quem precisa fazer a travessia.

Michele compara o comportamento dos pedestres na época da construção da passarela com os dias atuais. Segundo ela, a estrutura era uma reivindicação da população, que protestou para que fosse realizada. Hoje, após a construção, ela não é utilizada como deveria ser.

Para a trabalhadora, a construção de novas estruturas não resolve sozinha o problema se os equipamentos não forem utilizados. “As pessoas pedem para fazer (a passarela) e, quando fazem, pouquíssimas pessoas passam por lá. Quem tem consciência passa por lá, mas tem gente que prefere arriscar sua vida”, declarou. Michele também questiona a necessidade de instalar passarelas em diversos pontos caso parte dos usuários continue optando pela travessia irregular.

Assis Fernandes/O Dia
Travessias irregulares e falta de passarelas colocam pedestres em risco na BR-343

A reportagem do O Dia procurou o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) para que se posicionasse sobre os problemas citados. O órgão não deu esclarecimento acerca de novas passarelas ou barreiras na BR-343. O espaço segue aberto.

Na BR-316, uma passarela a poucos metros não impediu que Luzia Maria, aos 81 anos, tentasse pular a mureta, com uma rodovia para atravessar e a pressa de quem vive do trabalho na rua. Catadora de recicláveis e mãe de cinco filhos, ela virou mais um número numa estatística que já soma sete atropelamentos e três mortes só em 2026.

Na BR-343, o roteiro ameaça se repetir. De um lado, o Dirceu pede uma passarela que nunca veio, e crianças cruzam seis faixas à espera da "boa vontade" de um motorista. Do outro, na Rodoviária, existe uma passarela que muitos ignoram. Entre a estrutura que falta e a que sobra sem uso, quem paga a conta é o pedestre, que segue atravessando na pista. Enquanto órgãos responsáveis não respondem, a pergunta que atravessa a rodovia é a mesma que ficou para a família de Luzia: quantas travessias mais serão necessárias para que alguém escute?