Três anos depois de ser atingido por um tiro na cabeça durante uma tentativa de assalto em Teresina, o fotógrafo Walefy Alves voltou a trabalhar e hoje realiza ensaios no Parque da Cidadania. A rotina profissional foi retomada após um período de internação e de recuperação que deixou dificuldades na fala, na memória e na realização de tarefas do dia a dia.
Walefy foi baleado quando voltava para casa de moto depois de um trabalho. Segundo o relato do fotógrafo, ele foi abordado por assaltantes em uma ladeira e levantou os braços para mostrar que não oferecia resistência. Quando tentou deixar o local, ouviu vários disparos.
Um dos tiros atingiu a região da perna e outro acertou a cabeça. Mesmo ferido, Walefy conseguiu se levantar e seguir para casa. Os assaltantes não levaram os objetos que estavam com ele.
O fotógrafo contou que permaneceu no chão por algum tempo até conseguir reunir forças para levantar. Depois, ainda caiu algumas vezes enquanto tentava recolher os pertences e conduzir a moto.
Ao chegar em casa, Walefy foi recebido pela mãe, que percebeu a gravidade da situação e o ajudou antes de levá-lo para atendimento médico. Ele passou pelo Hospital do Promorar e, posteriormente, foi encaminhado ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT).
Retorno ao trabalho veio após período de recuperação
A recuperação modificou a rotina do fotógrafo. Walefy passou cerca de 15 dias internado e, quando voltou para casa, ainda não conseguia falar normalmente. A esposa, Raquel, passou a ajudá-lo na comunicação e nas atividades profissionais. Enquanto ele ainda não conseguia falar, ela interpretava o que precisava ser feito e auxiliava no contato com os clientes.
A retomada começou poucos dias depois da volta para casa. Segundo Raquel, cerca de uma semana após receber alta, Walefy já voltou a editar fotografias que havia produzido antes do ataque. “Ele passou uns 15 dias no hospital, chegou em casa e uma semana depois já editou as fotos e começamos a trabalhar. Só que ele não falava, eu era a fala dele”, relatou Raquel.
O retorno ao trabalho também aconteceu de forma gradual. A esposa conta que precisou estudar sobre os cuidados indicados pelos médicos para ajudá-lo durante o período de recuperação.
No início, até tarefas simples exigiam adaptação. Raquel lembra que Walefy tentava se comunicar por gestos e que ela precisava interpretar o que ele queria dizer. “No dia que ele chegou, ele chorou porque não conseguia falar, tentava apontar para apagar a luz e ninguém entendia. Eu tive que literalmente decifrar o que ele estava querendo falar”, contou.
Atualmente, Walefy ainda apresenta dificuldades relacionadas a nomes próprios e à memória recente, segundo a esposa. A bala permanece alojada na cabeça, e uma nova cirurgia não foi realizada.
O fotógrafo explicou que os médicos avaliaram os riscos de retirar o projétil e optaram por não realizar o procedimento naquele momento. Segundo ele, uma nova intervenção poderia exigir outro período de recuperação. “Se tirar, vai passar aquele tempo todo para se recuperar de novo, vai ter tudo de novo. Aí eu prefiro nem passar, porque a gente tem que trabalhar, fazer alguma coisa da vida, não consigo passar dois meses parado”, afirmou.
Mesmo com as limitações, Walefy retomou os ensaios fotográficos. Atualmente, ele e a esposa trabalham no Parque da Cidadania de quarta-feira a domingo e também atendem em um estúdio cedido pelo pai dela, na Zona Sul de Teresina.
Durante os trabalhos no parque, o fotógrafo também precisou lidar com as mudanças na comunicação. Ele conta que, quando voltou a fotografar sozinho, passou a explicar aos clientes que ainda estava em processo de recuperação. “Quando eu fui pro parque esses dias sozinho, até falei pros clientes: ‘Gente, se quiser sorrir pode sorrir, porque é um momento que vai passar’”, relatou.
Três anos depois do episódio, Walefy mantém a atividade profissional e continua trabalhando com fotografia. Ao falar sobre o período vivido desde o disparo, ele destacou a importância de continuar a rotina mesmo diante das dificuldades. “Gente, nunca desista da vida. Tem momentos que é realmente muito complicado, mas eu digo para vocês: vale a pena viver. A vida é bela e deve ser vivida”, afirmou.