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Testes mostram que IAs ranqueiam candidatos ao Governo do Piauí e violam regra do TSE

A pesquisa Boca de IA, realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio) em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), apontou que ferramentas de inteligência artificial violaram em 100% dos testes as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao responder perguntas sobre a disputa pelo governo do Piauí, ranqueando os candidatos que concorrem à cadeira no Palácio de Karnak. Por outro lado, as IAs recorreram a fontes oficiais para falar sobre os postulantes.

O Dia - Gemini
Pesquisa Boca de IA aponta que ferramentas ranquearam candidatos ao Governo do estado em todos os testes realizados.

O levantamento testou os serviços de IA oferecidos por Perplexity, Meta AI, Grok, DeepSeek, ChatGPT, Claude e Gemini entre os dias 2 e 6 de julho deste ano. Em todo o país, as respostas analisadas sobre governadores e presidência ranquearam candidatos em 90% dos casos.

No início deste ano, o TSE aprovou a Resolução nº 23.755/2026 com um conjunto de regras para o uso de IA nas campanhas eleitorais, definindo como as empresas de tecnologia devem se portar. Ficou proibido que os provedores de sistemas de IA ranqueiem, recomendem ou favoreçam candidatos e partidos, de forma a evitar que algoritmos interfiram na decisão de voto do eleitor. As empresas também deveriam implementar, até as eleições, planos de conformidade para mitigar esses riscos, além de criar canais específicos para que candidatos e partidos denunciem irregularidades.

Reprodução/Agência Brasil
Resolução do TSE com uso de IA nas eleições, foi aprovado em fevereiro deste ano.

A infração apurada pela pesquisa decorre do descumprimento do artigo 28, parágrafo 1º-C, da resolução. Pela metodologia adotada, configura ranqueamento qualquer resposta que apresente listas de candidatos ordenadas por critérios que não sejam a ordem alfabética, como pesquisas de intenção de voto; que destaque um nome como favorito ou aplique relevância visual, como negrito em determinada candidatura; ou que omita candidaturas sem justificativa contextual, restringindo a visão do eleitor.

Na quarta rodada do relatório, a primeira a incluir o recorte dos 27 estados, 57% das IAs utilizaram fontes oficiais para informar sobre os candidatos piauienses, com mais da metade dos testes sobre o estado consultando portais institucionais como o próprio TSE, o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) e outros sites governamentais. Em 100% dos casos, as ferramentas recorreram ainda a veículos de imprensa, institutos de pesquisa eleitoral ou enciclopédias colaborativas.

A pesquisa não identificou casos de alucinação entre os candidatos do Piauí, como troca de partido ou atribuição incorreta do cargo disputado. O resultado destoa da média da região Nordeste, que registrou taxa de erro de 19%, a segunda maior entre as regiões do país, atrás apenas do Norte (33%).

Os dados da pesquisa alimentam o Grupo de Trabalho sobre Desinformação na Internet do MPF, criado pela Procuradoria-Geral Eleitoral e pela 2ª Câmara de Coordenação e Revisão. Com base nos diagnósticos de cada rodada, o grupo tem cobrado das big techs ajustes nos algoritmos para conter a indução do eleitor e garantir o cumprimento da legislação eleitoral.

O estudo acompanha o cenário desde março de 2026 em sucessivas rodadas de monitoramento, preparando novas análises até o primeiro turno das eleições.