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Debate O Dia: Joel critica volume de empréstimos e Rafael rebate: “Piauí fez o dever de casa nas finanças”

Os candidatos ao Governo do Piauí Joel Rodrigues (Progressistas) e Rafael Fonteles (PT) protagonizaram, nesta quarta-feira (16), um embate sobre as operações de crédito contratadas pelo Estado durante o Debate O Dia. Joel questionou o volume de empréstimos autorizados e contratados durante a atual gestão e cobrou explicações sobre a aplicação dos recursos, enquanto Fonteles afirmou que a capacidade de financiamento do Piauí é resultado da situação fiscal do Estado. O encontro reuniu cinco candidatos ao Palácio de Karnak.

Assis Fernandes / O DIA
Debate O Dia: Joel critica volume de empréstimos e Rafael rebate: “Piauí fez o dever de casa nas finanças”

Ao direcionar a pergunta ao governador e candidato à reeleição, Joel Rodrigues afirmou que os valores relacionados às operações de crédito precisam ser esclarecidos à população. O progressista questionou quanto o Estado efetivamente contratou durante o atual mandato.

“Governador, no outro momento aqui o candidato Elizeu Aguiar fez uma pergunta. Ele não obteve resposta. E eu queria agora que respondesse, não a mim, não a Elizeu, mas respondesse ao povo do Piauí: quanto mesmo você pegou de empréstimos no seu mandato?”, questionou.

Rafael Fonteles respondeu que é preciso diferenciar os valores autorizados pela Assembleia Legislativa daqueles efetivamente contratados pelo Governo do Estado. Segundo ele, o Piauí possui capacidade fiscal para acessar operações de crédito, respeitando os limites avaliados pelos órgãos responsáveis.

“O Piauí, justamente porque tem as condições fiscais adequadas, atestadas pelo Tesouro Nacional, pelo Senado Federal e pelas instituições financeiras, pode tomar financiamentos até o valor de 16% da receita corrente líquida anual. Então, como a receita corrente líquida anual gira em torno de R$ 20 bilhões por ano, se você fizer uma conta aproximada, em torno de R$ 3,2 bilhões por ano. Então, o máximo possível nesses quatro anos seria aproximadamente R$ 12 bilhões. Não se pode confundir o que foi autorizado pela Assembleia Legislativa com o que foi efetivamente contratado”, declarou.

O candidato à reeleição argumentou ainda que o acesso a financiamentos permite antecipar investimentos públicos e associou a capacidade de contratação à gestão das contas estaduais.

“Eu aproveito a sua pergunta, Joel, para explicar. Só tem capacidade de financiamento para antecipar investimentos, para ter estrada boa, escola de tempo integral, hospital reformado, polícia equipada, quem fez o dever de casa nas finanças. E eu fui oito anos secretário de Fazenda, quatro anos presidente do Comsefaz e estou há quatro anos como governador fazendo o dever de casa. Por isso tivemos acesso a tantos recursos”, afirmou.

Joel relaciona empréstimos à falta de água

Na réplica, Joel Rodrigues contestou a explicação de Rafael e afirmou que o valor que considera efetivamente contratado seria diferente do apresentado pelo governador. O candidato direcionou a crítica principalmente para o abastecimento de água em municípios do interior.

“Esse valor real é totalmente diferente do que está dizendo aqui o governador. Mas eu quero falar com você que está sofrendo por falta de água. Esse dinheiro poderia ter resolvido o problema de Jaicós. O governador esteve lá em 2024, voltou agora em 2026 e disse que ia resolver o problema, e ainda não resolveu”, afirmou.

Joel também citou situações de abastecimento em municípios do semiárido e defendeu investimentos em adutoras. As críticas à falta de água e à aplicação de recursos no setor já haviam aparecido em outro momento do debate, quando os dois candidatos trocaram questionamentos sobre o abastecimento hídrico no estado.

“Você tem ali a Barragem do Estreito, com tanta água, mais de 250 milhões de metros cúbicos, e a gente tinha em Marcolândia vários carros-pipa, com as pessoas tendo que pagar, porque esse dinheiro do empréstimo não chegou para mudar essa realidade. Então, é simples: construir essas adutoras, que é um compromisso da nossa gestão. Fazer com que os recursos sejam aplicados para resolver o problema da água, porque esses recursos não chegaram para colocar água na sua torneira”, declarou.