Na sessão plenária desta terça-feira (25), a Câmara Municipal de Teresina (CMT) discutiu a falta de vagas em cemitérios públicos da capital. O vereador Deolindo Moura (PT) afirmou que a situação agrava as dificuldades das famílias de baixa renda para realizar sepultamentos. Pedro Alcântara (PP) rebateu o colega e disse que a capital tem vagas disponíveis, classificando as denúncias como "narrativas eleitorais".
Deolindo Moura solicitou requerimento verbal para a realização de uma audiência pública sobre o tema. Segundo o vereador, famílias de baixa renda dependem de auxílio parlamentar para custear funerais, e o atual plantão funerário da Prefeitura, concentrado em uma única empresa prestadora, dificulta o acesso da população carente a um sepultamento digno. O parlamentar relatou casos de sepultamentos improvisados na calçada do Cemitério da Santa Cruz, na zona Sul, por falta de vagas internas.
"Nós estamos pagando para as pessoas serem enterradas desde a gestão passada. Nós [vereadores] estamos pagando para fazer o túmulo da pessoa. Eu já enterrei cinco pessoas lá no cemitério da Santa Cruz. Cinco pessoas na calçada do cemitério. Pode perguntar lá, na calçada, abriram o buraco e enterraram porque não tinha mais local lá dentro", declarou.
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O vereador João Pereira (PT) apoiou os argumentos de Deolindo e chamou atenção para o impacto financeiro do sepultamento sobre famílias mais pobres. Segundo ele, o custo pode superar R$ 6 mil, somando valores de gaveta e preparo do corpo. O parlamentar citou que a gestão municipal investiu R$ 8 milhões na aquisição de uma área para construção de um cemitério na região da estrada de União.
"O cidadão que muita das vezes a família dele não tem um emprego, não tem renda alguma, ele se submete naquele momento à pior desumanidade. Por isso nós temos que aprofundar o diálogo para que a gestão municipal, para que o prefeito Silvio Mendes tome uma posição firme de resolver essa situação", declarou.
Pedro Alcântara discordou dos colegas e afirmou que Teresina possui cemitérios públicos e privados com vagas disponíveis, incluindo o cemitério Santa Maria da Codipi. Para o vereador, as dificuldades relatadas decorrem da condição financeira das famílias e da preferência por sepultar entes queridos em cemitérios de bairros específicos, próximos às residências, em vez de se deslocar a locais com espaço disponível.
"Joga-se para o público a narrativa de que Teresina não se pode nem morrer porque não tem onde enterrar. Senhoras e senhores, estão me assistindo por aí, ouvindo por aí no mundo, é mentira! Aqui tem diversos cemitérios públicos e tem dois privados sobrando vaga para enterrar todo mundo", declarou.
Alcântara associou a fala dos colegas à frase atribuída ao ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, "Uma mentira falada mil vezes se torna verdade", e disse haver "muitos Goebbels" na Câmara Municipal em relação ao tema.
"Há uma dificuldade para quem é pobre, que não tem plano de saúde, que não tem dinheiro. Então você que está me ouvindo na China, no Japão, na Austrália, no inferno, onde tiver, é mentira. Isso não existe. Isso não é transparente, não é verdade, é uma maldade muito grande", declarou.
Situação dos cemitérios em Teresina
Em reportagem especial sobre os cemitérios da capital, o Portal O Dia apurou junto às Superintendências de Desenvolvimento Urbano que, até o fim do ano passado, apenas dois cemitérios públicos tinham vagas disponíveis: o Camboa, no bairro Jacinta Andrade, na zona Norte, e o Santa Mônica, no bairro Pedra Mole, na zona Leste. Nas demais regiões, os sepultamentos ocorrem exclusivamente por reabertura de jazigos familiares.
A discussão sobre a situação dos cemitérios na capital não é recente. Em julho deste ano, os vereadores aprovaram requerimento de autoria de Pedro Alcântara solicitando que a Prefeitura assuma a construção de jazigos no modelo de gaveta em cemitérios públicos. O texto foi encaminhado ao prefeito Silvio Mendes e prevê estudos técnicos, financeiros e jurídicos para viabilizar a medida, com prioridade para famílias em situação de vulnerabilidade social.
O requerimento pede que a gestão, por meio das Superintendências de Desenvolvimento Urbano e dos órgãos responsáveis pela administração dos cemitérios, elabore um plano de implantação gradativa, priorizando unidades com maior demanda e critérios sociais de atendimento.
Durante a sessão desta terça-feira (25), Deolindo Moura afirmou que vai apresentar um projeto de lei para tratar da falta de vagas nos cemitérios de Teresina. O vereador não detalhou o conteúdo da proposta, que segundo ele está pronta desde as últimas eleições e deve passar por atualização.