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Venezuelanos denunciam surto de tuberculose em abrigo; FMS nega

Uma denúncia recebida pela reportagem aponta que ao menos 15 indígenas venezuelanos da etnia Warao, em seis abrigos em Teresina, estariam com tuberculose, enfrentando dificuldades de acesso ao tratamento e convivendo com condições precárias. Atualmente, os abrigos somam mais de 89 famílias, reunindo cerca de 321 pessoas. Os espaços são acompanhados pela Fazenda da Paz, em parceria com a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi).

Reprodução
Denúncia aponta que pelo menos 15 venezuelanos em abrigos de Teresina estariam com tuberculose.

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) nega a existência de casos ativos da doença entre os refugiados. Em relato enviado ao Portal O Dia, um dos abrigados afirma que procurou uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde realizou exame que apontou diagnóstico positivo para tuberculose, tendo iniciado o tratamento com medicação.

Segundo a denúncia, a falta de estrutura adequada e de orientação para separar casos suspeitos e confirmados pode ter contribuído para a disseminação da doença. Um dos indígenas Warao encaminhou à reportagem uma lista com pelo menos oito nomes no abrigo da Miguel Rosa que teriam a doença.Ainda conforme os relatos, o atendimento de saúde estaria limitado à atuação de uma única enfermeira, que teria deixado de frequentar os abrigos por falta de suporte para deslocamento.

Em nota, a FMS informou que 15 pessoas estão em tratamento para Infecção Latente por Tuberculose (ILTB), que não corresponde à forma ativa da doença, e reforçou que há acompanhamento das equipes de saúde.

“Esse atendimento foi resultado de um grande trabalho desenvolvido pela FMS em parceria com a Semcaspi, que organizou e garantiu o transporte próprio da instituição para levar todos os abrigados até uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde realizaram os exames necessários, incluindo o IGRA, assegurando diagnóstico preciso e acompanhamento adequado”, diz trecho da nota.

O órgão também afirmou que há uma enfermeira de nível central responsável por dar suporte às equipes de Saúde da Família que acompanham os abrigos. “Essa profissional coordena e acompanha as atividades coletivas, para dar apoio técnico e organizacional às equipes locais. Informamos que todos os abrigos estão sob acompanhamento das equipes de Saúde da Família das UBS de cada território, assegurando assistência contínua e integral”, acrescentou.

A denúncia aponta ainda que as condições estruturais dos abrigos podem favorecer a propagação de doenças. Segundo os relatos, a Fazenda da Paz, responsável pelo acompanhamento desde setembro de 2025, não estaria garantindo suporte adequado para a limpeza dos espaços. Um funcionário compareceria apenas uma vez por semana para deixar materiais considerados insuficientes. A reportagem procurou a Fazenda da Paz, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Em relação a outros problemas relatados, como cozinhas e banheiros desativados, além da necessidade de uso de baldes abastecidos em uma única torneira e da alimentação que, apesar de adaptada à cultura Warao, não seria suficiente para atender as famílias, a Semcaspi informou em nota que a segurança alimentar dos venezuelanos têm fornecimento regular, que os espaços contam com equipes de saúde e que os imigrantes possuem intérpretes. A secretaria acrescentou que a responsabilidade pela estrutura é do Governo Estadual, através da SASC.

Ao Portal O Dia, a SASC comunicou que é responsável pela manutenção dos abrigos e que está retomando um processo de contratação de uma empresa para realizar reformas e melhorias estruturais que abrigam os venezuelanos indígenas de etnias Warao.

Nota da Semcaspi

A Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (SEMCASPI) informa que o atendimento à população migrante venezuelana em Teresina ocorre por meio de articulação intersetorial permanente entre diferentes órgãos e políticas públicas, com o objetivo de assegurar acolhimento digno, proteção social e acesso a direitos.

A atuação conjunta com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), a rede socioassistencial e parceiros institucionais garante atendimentos regulares de saúde, incluindo consultas, vacinação e acompanhamento das pessoas acolhidas. No campo educacional, todas as crianças estão devidamente matriculadas na rede de ensino.

A comunicação com os acolhidos é fortalecida pela atuação de mediadores linguísticos e culturais venezuelanos, contratados pela instituição parceira responsável pela execução do serviço, o que qualifica o atendimento e amplia a compreensão das orientações institucionais.

A segurança alimentar também está assegurada, com fornecimento regular de alimentação nos abrigos pela OSC parceira.

Quanto à estrutura física dos espaços de acolhimento, os imóveis são de responsabilidade do Governo do Estado, que já foi formalmente comunicado sobre as demandas existentes, havendo previsão de intervenções e melhorias por parte da Secretaria de Estado da Assistência Social (SASC).

As equipes técnicas também realizam acompanhamento sistemático da situação documental dos acolhidos, garantindo sua inserção e atualização no Cadastro Único e o acesso a benefícios e programas sociais do Governo Federal.

Encontra-se ainda em fase de pactuação um protocolo interinstitucional que estabelecerá fluxos de funcionamento dos abrigos e estratégias de acompanhamento e ações socioeducativas voltadas à população migrante.

A SEMCASPI reafirma seu compromisso com a proteção social, a dignidade humana e a garantia de direitos da população migrante.

Nota da FMS

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) esclarece que não procede a informação de que 15 abrigados venezuelanos estariam com tuberculose ativa e de que não haveria suporte de saúde.

Não há nenhum caso de doença ativa nos abrigos. As 15 pessoas em tratamento recebem medicação para Infecção Latente por Tuberculose (ILTB), medida preventiva para evitar o desenvolvimento da doença.

Esse atendimento foi resultado de um grande trabalho desenvolvido pela FMS em parceria com a Semcaspi, que organizou e garantiu o transporte próprio da instituição para levar todos os abrigados até uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde realizaram os exames necessários, incluindo o IGRA, assegurando diagnóstico preciso e acompanhamento adequado.

Quanto à atuação da enfermagem, a FMS informa que existe uma enfermeira de nível central que dá suporte às equipes de Saúde da Família responsáveis por cada abrigo. Essa profissional coordena e acompanha as atividades coletivas, para dar apoio técnico e organizacional às equipes locais.

Informamos que todos os abrigos estão sob acompanhamento das equipes de Saúde da Família das UBS de cada território, assegurando assistência contínua e integral.


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