Um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) mostra que apenas 100 municípios concentram cerca de 77,6% de toda a arrecadação de tributos no Brasil, ainda que abriguem pouco mais de um terço da população nacional. Teresina aparece entre essas cidades, ocupando a 47ª posição no ranking, com arrecadação superior a R$ 5,8 bilhões.
O posicionamento da capital piauiense evidencia tanto o peso da cidade na economia regional, quanto a desigualdade na distribuição da base tributária do país. O estudo utiliza dados da Receita Federal referentes ao ano de 2024 e considera os valores recolhidos em cada município, independentemente do destino final dos recursos.
No topo do ranking, São Paulo lidera de forma isolada, com mais de R$ 581,2 bilhões arrecadados, seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 306,9 bilhões), Brasília (R$ 180,1 bilhões), Belo Horizonte (R$ 54,7 bilhões) e Osasco (R$ 50,2 bilhões). O conjunto dos 100 maiores municípios somou mais de R$ 1,9 trilhões, segundo a base principal do levantamento.
A presença do Nordeste na lista, entretanto, é limitada. Apenas 12 municípios da região figuram entre os 100 maiores arrecadadores, contrastando com a forte concentração no Sudeste – onde 53 municípios aparecem na lista – e no Sul – região que soma 26 cidades no ranking. O Centro-Oeste tem seis cidades, enquanto o Norte tem apenas três.
Essa distribuição reflete a concentração histórica de atividades industriais, comerciais e logísticas nas regiões mais desenvolvidas. Além das capitais, polos industriais e centros de serviços ampliam a arrecadação local, o que contribui para a desigualdade regional.
O levantamento também indica que a reforma tributária tende a alterar esse cenário ao longo dos próximos anos. Atualmente, a cobrança ocorre majoritariamente na origem, favorecendo municípios com grandes parques industriais. Com a nova lógica baseada no destino, cidades mais populosas e com maior consumo, incluindo capitais nordestinas, podem ganhar participação relativa na arrecadação.
No caso de Teresina, a presença entre os 50 maiores arrecadadores reforça o papel da capital como principal polo econômico do Piauí. Apesar disso, o valor arrecadado ainda está distante dos grandes centros do Sudeste, o que evidencia a disparidade na capacidade de geração de receitas próprias entre as regiões.
O IBPT também calculou a arrecadação per capita e destacou municípios com valores elevados, como Barueri (SP) e Itajaí (SC), impulsionados por forte atividade empresarial e baixa população relativa. Esses dados reforçam que a concentração de empresas e cadeias produtivas é determinante para o desempenho tributário local.
O mapa dos tributos traçado pelo estudo evidencia que, apesar de avanços pontuais, a estrutura econômica brasileira ainda concentra receitas em poucos centros urbanos, mantendo o Nordeste em posição secundária na arrecadação nacional.
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