A retirada dos cobradores dos ônibus de Teresina não deve ocorrer de forma imediata, segundo informações apresentadas nesta sexta-feira (11). O sistema ainda registra cerca de 50% dos pagamentos das passagens em dinheiro, cenário que dificulta a eliminação da função neste momento. A discussão ocorre junto ao anúncio de mudanças no transporte público da capital.
O prefeito Silvio Mendes anunciou a compra de 96 novos ônibus, todos com ar-condicionado, além de medidas para ampliar a frota em circulação e recuperar estruturas utilizadas pelos passageiros. Atualmente, segundo os dados apresentados, 213 ônibus estão operando em Teresina, enquanto o contrato previa originalmente 436 veículos.
A primeira meta estabelecida é elevar a quantidade de ônibus em circulação para 278. A aquisição dos novos veículos deverá utilizar cerca de R$ 85 milhões de uma operação de crédito já aprovada e aproximadamente R$ 37 milhões em recursos próprios, conforme informado pela Prefeitura.
No que diz respeito aos cobradores, O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro), Antônio Cardoso, afirmou que a categoria é contrária à retirada imediata desses trabalhadores, mas explicou que existe uma discussão sobre a possibilidade de operação sem a função em parte dos veículos.
Segundo ele, uma proposta aprovada em assembleia prevê que, caso a retirada avance, primeiro seja atingida a marca de 225 ônibus operando com cobradores e motoristas. A partir desse número, alguns veículos poderiam funcionar sem cobrador, especialmente os de menor porte.
Antônio Cardoso também destacou que os trabalhadores que atualmente atuam como cobradores poderiam ser capacitados para dirigir ônibus. “Eles é que vão dirigir esses ônibus”, afirmou. Nesse modelo, o sindicato defende uma valorização salarial, considerando a possibilidade de o motorista assumir também atividades relacionadas à cobrança.
A permanência dos cobradores também está relacionada ao comportamento dos passageiros. Para o presidente do Sintetro, a renovação da frota pode ajudar a recuperar a confiança da população no transporte coletivo.
“A população realmente lamenta pelos ônibus não terem ar-condicionado, de quebrarem e (as pessoas) terem que descer do ônibus para subir uma ladeira”, afirmou. Segundo ele, a melhoria da frota pode contribuir para que os passageiros voltem a utilizar o sistema com maior frequência.
Novos ônibus e estrutura
Além da compra dos veículos, a Prefeitura informou que pretende encaminhar na segunda-feira (14) uma licitação para 500 paradas de ônibus. Também está prevista a recuperação das estações de transbordo que foram danificadas.
Para Antônio Cardoso, o sindicato é favorável ao aumento e à renovação da frota. Ele relacionou as condições atuais de operação a problemas enfrentados por motoristas e cobradores, como calor excessivo e estresse durante o trabalho.
A posição contrária, segundo ele, está concentrada na retirada dos cobradores, embora a categoria já tenha discutido um modelo gradual para eventual mudança.
A compra dos 96 veículos, a ampliação da frota e as intervenções nas paradas e estações fazem parte das medidas anunciadas para alterar o funcionamento do transporte coletivo da capital. A retirada dos cobradores, por sua vez, depende da reorganização do sistema de bilhetagem e arrecadação e não foi anunciada como uma mudança imediata.