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Sem estrutura, população cobrar melhorias para o Complexo esportivo e de lazer do Parque Piauí

Um imenso quarteirão com árvores, amplo espaço para caminhada e corrida, quadras de areia, campo com grama, bancos e palco para apresentações artísticas. Um local que certamente seria bem aproveitado pela população que reside em frente ou próxima ao Complexo Esportivo e de Lazer do Parque Piauí, zona Sul de Teresina, não fosse as péssimas condições do equipamento público.

Localizado na Rua Marechal Hermes da Fonseca, o local tem grande potencial cultural, de lazer e esportivo, mas está sem os cuidados necessários para oferecer à população uma boa condição de uso. Parte das pedras que formam as calçadas estão soltas, colocando em risco à segurança dos que por ali transitam, especialmente os idosos que costumam realizar caminhadas no início e no final do dia.

Assis Fernandes/ODIA
Sem estrutura, população cobrar melhorias para o Complexo esportivo e de lazer do Parque Piauí

Além disso, as áreas verdes do complexo também estão sofrendo com o descaso. As árvores, algumas com mais de 30 anos, estão sem poda, enquanto outras precisaram ser cortadas devido aos cupins e pragas. As poucas plantas dos canteiros, colocadas pelos próprios moradores, tentam resistir à falta de água e ao intenso sol.

Já para quem busca o espaço para a prática de esporte ou lazer, também encontra uma estrutura defasada e precária. A academia ao ar livre que existe no complexo está com os equipamentos quebrados. As quadras de areia estão com os alambrados e arquibancadas quebrados. Os refletores também não funcionam, o que deixa o espaço às escuras à noite, trazendo à população insegurança. Os banheiros do vestiário estão inutilizáveis. Além disso, o local não conta com uma área destinada ao lazer das crianças menores, com escorregadores e balanços, por exemplo.

Quem mora próximo ao Complexo do Parque Piauí, cobra à gestão municipal melhorias e revitalização do espaço. Como a dona Maria do Socorro de Sousa (63), que reside em frente à praça há mais de 40 anos.

Assis Fernandes/ODIA
Sem estrutura, população cobrar melhorias para o Complexo esportivo e de lazer do Parque Piauí

“A pracinha pequena, chamamos de Praça das Mangueiras, e todas as plantas e árvores que existem foram plantadas por nós, moradores da rua. Nós que cuidamos da praça, limpamos, regamos e varremos. Mas a parte maior, que integra o complexo, não conseguimos cuidar, pois é muito grande. A praça estava mais feia, nós que nos mobilizamos para tentar arrumar. A gente espera pelo poder público e ele não vem”, conta.

Ela cita ainda que a grande parte dos moradores que residem no entorno da praça e, consequentemente, utilizam o espaço, são idosos, o que exige ainda mais cuidados, especialmente nos passeios, que estão danificados e com imensos buracos. Em geral, eles costumam praticar caminhada no início e no final do dia.

“A praça tem equipamentos de academia ao ar livre, mas a metade está quebrada. Às 5h já tem idosos caminhando na praça, mas o piso está destruído e é perigoso a gente cair e se machucar. A gente até vê as pessoas bagunçando e quebrando os equipamentos, mas não podemos nem reclamar”, relata.

Socorro ainda explica que uma equipe da gerência da limpeza costuma ir ao local duas vezes na semana para recolher o lixo do espaço. Porém, como as sacolas não são levadas imediatamente por um caminhão, isso faz com que outros moradores aproveitem para descartar resíduos de maneira irregular.

Assis Fernandes/ODIA
Sem estrutura, população cobrar melhorias para o Complexo esportivo e de lazer do Parque Piauí

“Tem um pessoal da prefeitura que vem recolher o lixo, mas eles deixam os sacos na praça e pessoas de outras ruas e até bairros vêm aqui e jogam lixo em cima. Tem hora que é tanto lixo que precisamos descer da calçada para desviar”, revela a moradora.

Os próprios moradores que organizam, na medida do possível, o canteiro. Uma delas é a responsável por reutilizar pneus velhos como vasos e por confeccionar as placas que colorem as praças e orientam os moradores a não depredarem o local.

Mas não adianta, mesmo assim as pessoas quebram e roubam as plantas. O vandalismo aqui é grande. Antes tinha até brinquedos na praça, mas quebraram tudo. Uma praça deste tamanho e nós não temos como aproveitar

Maria do Socorromoradora

Sobre a manutenção da praça, a moradora Socorro Fontinele explica que seria necessário, pelo menos, mais dois pontos de água, de modo que todas as plantas que existem no Complexo pudessem ser regadas. Ela cita, inclusive, que foi a própria comunidade que comprou a mangueira utilizada para regar as plantas das praças.

“Sem esses pontos de água, nós, os moradores, mal conseguimos regar as plantas. Mas não é só isso que precisa melhorar: os bancos precisam ser renovados, a passarela precisa ser consertada. Muitos desses buracos são feitos pelos parques de diversão que vêm, instalam suas tendas e quando vão embora deixam a praça quebrada. Esse espaço foi entregue aos moradores como um centro de lazer. Inclusive, colocaram barras de ferro no chão para evitar a entrada de carros, mas as pessoas quebram, colocam as carretas em cima da grama e quando vão embora deixam o espaço todo danificado”, denuncia a moradora.

Complexo não conta com espaço de lazer para crianças

No final da tarde, as mães e até avós costumam levar as crianças para brincar no Complexo do Parque Piauí. Contudo, sem estrutura, a brincadeira não dura muito tempo, afinal, não há opções de lazer e entretenimento.

“As crianças querem brincar, mas não tem aonde, pois não têm playground. O piso também está todo danificado, então as crianças não podem correr. Além disso, é muito quente, pois faltam árvores. Algumas morreram e precisaram ser cortadas e as poucas que ainda resistem, estão com pragas ou cupins, ou estão secando, pois não são regadas. Quer dizer, é um espaço de esporte e lazer que não dá para ser utilizado, pois não tem estrutura”, explica a moradora Elenilda Ferreira, moradora do bairro Parque Piauí há 30 anos.

Assis Fernandes/ODIA
Sem estrutura, população cobrar melhorias para o Complexo esportivo e de lazer do Parque Piauí

Socorro Fontinele lembra que o Parque Piauí serve como um suporte para os demais bairros da zona Sul, especialmente porque em frente ao Complexo de Esporte e Lazer estão localizados hospital, centro social e mercado. “O Parque Piauí é um bairro central, onde os moradores do Saci, Bela Vista, Promorar e Lourival Parente buscam o comércio daqui, por ser mais centralizado. Esse complexo é o coração da região, que vai completar quase 60 anos. Mas vamos comemorar o quê?” indaga a moradora.

Semel prevê recuperação do complexo esportivo do Parque Piauí

A Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU-Sul) informou que já possui o projeto de reforma da Praça da Integração, no bairro Parque Piauí. E que, atualmente, a Superintendência está em fase de captação de recursos para viabilizar a execução da obra. A proposta prevê a melhoria e requalificação do espaço, garantindo um ambiente mais adequado para a convivência e lazer da população.

Já a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer de Teresina (Semel) informou que vem realizando um trabalho contínuo de levantamento e avaliação das condições das praças esportivas da capital, com o objetivo de identificar as necessidades de manutenção, recuperação e reforma desses espaços públicos.

Dentro desse trabalho, o Complexo Esportivo e de Lazer do Parque Piauí também recebeu uma visita técnica da equipe da Semel. A vistoria foi realizada pelo coordenador da Secretaria responsável pelo setor de Manutenção, Edson Santos, acompanhado do engenheiro da Semel, Osvaldir, que fizeram o levantamento das principais intervenções necessárias para a recuperação do espaço.

A partir da avaliação técnica realizada no local, estão previstos serviços de recuperação de muretas de contorno do campo de futebol, das quadras de futebol de salão e das quadras de vôlei de areia; recuperação das arquibancadas do campo de futebol; recuperação dos alambrados do campo e da quadra de futebol de salão; construção de alambrado de proteção no contorno das quadras de vôlei de areia; recuperação de portões; além de pintura de muros e muretas. Segundo Edson Santos, o trabalho realizado pela Semel busca atuar de forma planejada, evitando intervenções pontuais sem um diagnóstico técnico das necessidades de cada equipamento esportivo.

“A determinação da Semel é cuidar das praças esportivas de Teresina com planejamento e responsabilidade. Por isso, nossas equipes estão realizando visitas técnicas para identificar as necessidades de cada espaço e levantar, de forma detalhada, os serviços que precisam ser executados. No Parque Piauí, fizemos esse levantamento e já temos identificadas as principais intervenções necessárias para recuperar a estrutura e oferecer melhores condições para a população.”

O coordenador também destaca que, por se tratar de uma intervenção em equipamento público, a execução dos serviços precisa respeitar todas as etapas administrativas e legais previstas para a contratação pública.

“É importante esclarecer que existe um processo legal a ser cumprido para que uma obra ou serviço público seja realizado. A Semel está seguindo todas as etapas necessárias, com o devido planejamento e os procedimentos administrativos previstos em lei. Nosso objetivo é que a intervenção seja feita de maneira correta, com segurança, qualidade e durabilidade.”

A Semel reforça que o trabalho de recuperação das praças esportivas faz parte de uma ação mais ampla de manutenção e qualificação dos equipamentos esportivos de Teresina. A Secretaria alegou que vem realizando visitas técnicas em diferentes regiões da cidade para conhecer de perto a realidade de cada espaço e estabelecer as prioridades de intervenção. A proposta é garantir que os equipamentos públicos estejam cada vez mais adequados para a prática esportiva, o lazer e a convivência comunitária, valorizando espaços que são utilizados diariamente por crianças, jovens, adultos e idosos.