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Rota das Torres Sagradas, uma peregrinação pelas igrejas mais antigas de Teresina

Com o propósito de celebrar a memória viva de Teresina, por meio de suas referências religiosas e arquitetônicas, o movimento Tempo e Cultura promove visitas às três igrejas mais antigas de Teresina: Nossa Senhora do Amparo, Nossa Senhora das Dores e São Benedito. O passeio diurno envolve fé, história e memórias afetivas na capital. Um triângulo de fé que guarda as origens de Teresina.

No coração de Teresina, entre ruas movimentadas e prédios, existe um caminho que convida ao silêncio, à memória e à fé. É o passeio Torres Sagradas, um roteiro que leva os visitantes a um encontro com a história viva da capital piauiense. A experiência, promovida pelo movimento Tempo e Cultura, reúne pessoas de diferentes lugares do Piauí.

Welligton Oliveira/ODIA
Rota das Torres Sagradas, uma peregrinação pelas igrejas mais antigas de Teresina

Marina Loiola, coordenadora do Movimento Tempo e Cultura, conta que sempre teve um trabalho de educação patrimonial na página disponível nas redes sociais. Com a divulgação dos conteúdos, ela conta que percebia o interesse dos piauienses por conhecer cada vez mais a capital e outras curiosidades do estado.

“Foi daí que partiu a ideia, de que eu teria que levar essas pessoas para dentro desses locais, não só para elas conhecerem, mas para vivenciar esses locais. São dessas atitudes que nasce o pertencimento”, disse.

No roteiro, a primeira parada é na Igreja São Benedito, localizada na Frei Serafim, próxima ao Palácio de Karnak. No alto da antiga jurubeba, o templo resiste ao tempo, como símbolo de devoção e memória. A igreja foi projetada pelo Frei Serafim, que trouxe ao Piauí traços europeus adaptados à realidade nordestina. Construída em um período que Teresina apenas estava começando, a igreja carrega marcas profundas da história.

Divulgação/ PMT/ Lucas Dias
Igreja São Benedito, localizada na Frei Serafim, próxima ao Palácio de Karnak

A estudante Emanuelly Cristiny teve a oportunidade de participar da rota das torres, e conta sua experiência ao mergulhar em locais que, muitas vezes, passam despercebidos no dia a dia, mas guardam, atrás de suas paredes, histórias desconhecidas ou pouco lembradas.

“O nosso estado é menos valorizado pelo outros porque as pessoas não sabem a história e o poder de tudo que se passou aqui. A igreja foi construída por escravos, mesmo eu morando aqui, eu não sabia. É uma experiência incrível a gente conhecer um pouco mais sobre as histórias de Teresina”, comenta.

Cada descoberta muda o olhar e o encantamento, muitas vezes, dá lugar à reflexão. A próxima parada a ser visitada é a Catedral de Nossa Senhora das Dores, coração da cidade. A porta santa atrai fieis e visitantes, especialmente em períodos religiosos, como um convite à reflexão e à renovação da fé.

Arquidiocese de Teresina
Catedral de Nossa Senhora das Dores está localizada no coração de Teresina

A catedral também preserva parte do piso original, revelando nos detalhes a história que resiste ao tempo. A guia de turismo Jaqueline Nobre conta que há algumas portas santas espalhadas pelo Brasil e, uma delas, fica em Teresina, na Catedral Nossa Senhora das Dores.

“Se você vê as nossas igrejas, ela não traz uma grande imponência e ostentação, o que ela mais traz é a proclamação da fé da população, o fervor das pessoas em entrar em um templo religioso e participar das celebrações”, destaca.

Cada olhar desperta sentimentos e é nesse encontro de emoções que tudo ganha um novo significado. A história deixa de ser distante e passa a ser sentida. Para o servidor público José Airton, o sentimento é de reconhecimento. É uma oportunidade que a gente tem de conhecer um pouco mais da história, não só vinculada à igreja católica, mas também da própria história do Piauí. É uma oportunidade significativa para a gente enriquecer e aumentar o conhecimento, tanto no que se refere à construção e história das igrejas, como da história de Teresina e do Piauí”, acrescenta.

O passeio segue e chega ao ponto onde tudo começou, a Igreja Nossa Senhora do Amparo, inaugurada pouco depois da fundação de Teresina, e tem 200 anos de história. É também onde fica localizado o Marco Zero da capital.

Welligton Oliveira/ODIA
A Igreja Nossa Senhora do Amparo, inaugurada pouco depois da fundação de Teresina, e tem 200 anos de história

A guia de turismo Denise Torres conta que a Igreja Nossa Senhora do Amparo é a igreja matriz de Teresina. “Teresina começou e foi fundada aqui, e foi dessa igreja que o Conselheiro Saraiva fez todos os limites. Desta igreja partem todas as distâncias para a cidade de Teresina”, completa.

Do alto das torres, a vista revela uma cidade que cresceu, mas que ainda guarda suas raízes. O historiador Daniel James conta que a história da igreja é tão profunda para Teresina que um dos primeiros prédios a surgir na cidade é uma igreja. “Foi o marco do início do planejamento para Teresina. Temos isso também com o Poti Velho, com a Igreja do Amparo de lá. Com isso, podemos vivenciar que a religião para o nosso povo teresinense é muito forte, ao ponto que nos motiva a ter esses momentos de conhecimento maior e mais profundo sobre a história das nossas igrejas”, disse.