A forte chuva registrada na noite deste domingo (05) provocou alagamentos em diversos pontos de Teresina e deixou uma família ilhada na região da Avenida Professor Camilo Filho, na zona Sudeste da capital. O volume de água foi suficiente para transbordar o Riacho Itararé e inundar uma residência, deixando os moradores completamente ilhados por, pelo menos, quatro horas, até que o volume da água baixasse.
O imóvel é o único da região e abriga três pessoas: as irmãs Maria de Lourdes, de 71 anos, e Rosaline do Nascimento, de 64 anos, e o primo José de Ribamar Pinheiro (51). A família conta que, quando a chuva iniciou, por volta das 3h, todos ficaram apreensivos, temendo que a água pudesse invadir a residência. Por volta das 5h, todos os cômodos já haviam sido tomados pela água e pela lama. “Quando começa a chover, a gente já fica atento. Mas dessa vez foi muito forte. Quando os cachorros começaram a chorar, a gente já sabia que tinha água dentro de casa”, relatou.
Os moradores tiveram que agir rápido e suspender os poucos móveis que sobraram na residência. Armários, camas e estantes foram destruídos em enchentes passadas, como a registrada no dia 18 de março deste ano. Nas paredes ainda há as marcas das últimas cheias.
A família vive no local há seis décadas e relata que os alagamentos se tornaram mais frequentes ao longo dos anos. Segundo o jardineiro Ribamar de Sousa, a situação agravou-se com a construção da galeria que corta a avenida Camilo Filho. As obras de drenagem não acompanharam o volume de água da região, o que faz com que o fluxo seja represado e retorne para as casas.
“A água entra pela base da casa, por conta da pressão acumulada nas ruas. É como um barco: se tiver um furo, a água entra por baixo. Aqui acontece assim. Antes alagava, mas não desse jeito. Depois que mexeram na avenida, piorou muito. A água não tem para onde escoar. Se aqui fosse uma comunidade, já teriam resolvido isso, mas como é só a gente, ninguém faz nada”, conta Ribamar.
Os momentos de chuva, para a família, passaram a ser um tormento, mudando completamente a rotina.
Enquanto todo mundo pede chuva, a gente fica com medo. Se começar a chover de noite, ninguém dorme
Desde que as águas começaram a baixar, a família tem feito um mutirão para limpar o imóvel e retirar a lama que se acumulou nos cômodos, utilizando baldes e rodo. Já no quintal, as marcas do estrago permanecem, principalmente no jardim, fonte de renda da família, que depende da venda de mudas e adubo.
“A gente perdeu tudo. As plantas estão destruídas, molhou o adubo. Agora é esperar até o meio do ano para conseguirmos recuperar tudo e voltar com as vendas. Leva cinco, seis dias para secar tudo e, se der uma chuva até mais fraca do que essa que teve ontem, vai alagar de novo, porque o solo não consegue absorver a água. É muito difícil. Aqui é estilo fênix. Todo ano a gente tem que renascer, afirmou.
Contraponto
A equipe de reportagem do PortalODia.com entrou em contato coma a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Sudeste, que informou estar ciente da situação e que uma equipe de engenharia será acioada para verificar a demanda e tomar as providências cabíveis.
Confira abaixo a nota na íntegra:
A Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sudeste (SDU Sudeste vem por meio desta nota esclarecer informações acerca da Av. Camilo Filho.
Informamos que a SDU Sudeste já tem conhecimento do transbordamento do Riacho Itararé neste trecho da Av. Camilo Filho. Equipes de engenharia foram acionadas e irão ao local averiguar a situação e tomar as devidas providências. Seguimos monitorando a situação.
A Prefeitura Municipal de Teresina e a SDU Sudeste reafirmam seu compromisso com o desenvolvimento urbano da capital, sempre respeitando o processo legal dos projetos, ações e serviços.
Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.