Acontece na tarde desta segunda-feira (3) a 18ª edição da Procissão das Sanfonas, em Teresina, evento cultural que reúne sanfoneiros e admiradores para celebrar o legado de Luiz Gonzaga e valorizar a cultura nordestina. Neste ano, a homenagem foi dedicada ao centenário de Helena Gonzaga, aos 80 anos de Alceu Valença e aos 37 anos de saudade de Luiz Gonzaga.
Mantendo vivo o legado do Rei do Baião, falecido em 2 de agosto de 1989, a procissão saiu da Catedral de Nossa Senhora das Dores em direção ao Museu do Piauí, reunindo músicos e o público pelas ruas do Centro da capital ao som dos clássicos de Gonzaga. O evento é promovido pela Colônia Gonzaguiana do Piauí, grupo cultural dedicado à preservação e à pesquisa sobre a vida e a obra do artista, com apoio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves.
William Serraine, criador e organizador da Procissão das Sanfonas, destacou o motivo das homenagens desta edição. "Neste ano, estamos celebrando Alceu Valença, que é o maior nome vivo da cultura nordestina. Há muitos grandes sanfoneiros e forrozeiros, mas o legado de Alceu Valença para a música nordestina é incomparável. Também homenageamos dona Helena Gonzaga, companheira de Luiz Gonzaga por 40 anos, que completa seu centenário neste ano. Ela nasceu em 1926", explicou.
Para William, homenagear essas personalidades e levar novamente a procissão às ruas representa a preservação de um patrimônio imaterial do município e também do estado do Piauí.
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Segundo ele, o grande diferencial desta edição foi o aumento do público e a presença de participantes de diferentes estados. "O grande diferencial é a quantidade de pessoas participando. Hoje pela manhã estive com o pessoal de São Luís, que nunca tinha vindo. Ontem almoçou lá em casa um grupo de Fortaleza. Chegou gente da Paraíba, de outros estados e, sem contar, de diversos municípios piauienses", afirmou.
Para o organizador, o crescimento da procissão demonstra que a iniciativa vem cumprindo seu principal objetivo: manter viva a memória do Rei do Baião. "Isso nos deixa muito felizes. A cada ano a Procissão das Sanfonas ganha mais adeptos, levando adiante o legado de Luiz Gonzaga para que ele nunca seja esquecido", finalizou.
Antes da saída da procissão, o padre Antônio Cruz conduziu a bênção das sanfonas e ressaltou que o momento vai além da tradição cultural, representando também um gesto de reafirmação da fé, da identidade e dos valores do povo nordestino. Para o religioso, a celebração une espiritualidade e cultura, fortalecendo o sentimento de pertencimento e esperança.
"Nesse ano, ainda mais o Evangelho de hoje, fala que Jesus anda sobre o mar, e Pedro anda com ele sobre o mar, mas tem medo e começa a afundar, porque desvia o olhar de Jesus, então quando nós desviamos o olhar daquilo que nós acreditamos, nós nos perdemos, então hoje, benzer essa sanfona, nessa 18ª procissão, é motivo para reafirmar a nossa crença naquilo que nós somos, os nossos valores, então descobrir a luz que nós temos, descobrir o som que nós temos, descobrir o norte para caminhar e esperançar", disse.