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Prisão de Tatiana Medeiros faz um ano e Justiça deve publicar sentença neste mês

A vereadora de Teresina, Tatiana Medeiros (PSB), completou nessa sexta-feita, 3 de abril, um ano desde que foi presa no âmbito de uma das investigações mais complexas e emblemáticas da história política recente do Piauí. O caso, que começou ainda em 2024, evoluiu de uma apuração policial para uma crise institucional com desdobramentos judiciais e políticos que seguem sem definição final.

Tatiana Medeiros foi eleita vereadora de Teresina, no dia 06 de outubro de 2024, com 2.925 votos, por quociente partidário, no Partido Socialista Brasileiro (PSB). No registro de sua candidatura, a parlamentar declarou que hão havia nenhum bem material em seu nome.

Reprodução
Prisão de Tatiana Medeiros faz um ano e Justiça deve publicar sentença neste mês

A origem da investigação remonta ao dia 17 de dezembro de 2024, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação “Escudo Eleitoral” e cumpriu mandados de busca e apreensão na instituição “Vamos Juntos”, localizada na zona Norte de Teresina e fundada pela então recém-eleita vereadora. Durante a ação, foram apreendidos cerca de R$ 100 mil em espécie dentro da entidade. A suspeita central era o uso de recursos oriundos de organização criminosa para financiar campanhas eleitorais nas eleições municipais daquele ano.

Naquele momento, a Polícia Federal já investigava uma possível ligação entre Tatiana Medeiros e Alandilson Cardoso Passos, seu namorado e apontado como integrante da facção criminosa conhecida como “Bonde dos 40” e preso um mês antes por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações avançaram ao longo dos meses seguintes, reunindo elementos que levariam ao desdobramento mais contundente do caso.

Em 3 de abril de 2025, a PF realizou nova fase da operação e efetuou a prisão da vereadora, sob suspeita de envolvimento com organização criminosa e uso de recursos ilícitos na campanha eleitoral. No mesmo dia, Tatiana foi afastada do cargo após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI).

Dias após a prisão da vereadora, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Teresina adotou medidas que resultaram na exoneração de todos os ocupantes de cargos em comissão vinculados ao gabinete de Tatiana Medeiros. Também foi suspenso o pagamento da verba indenizatória destinada à parlamentar. Contudo, o pagamento mensal do salário de vereador, fixado em R$ 25 mil, continua sendo pago para a parlamentar.

Ainda em abril, a Polícia Federal indiciou a parlamentar por uma série de crimes, incluindo organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e peculato, na modalidade conhecida como “rachadinha”. Um relatório da investigação apontou a movimentação de mais de R$ 9 milhões em um suposto esquema de compra de votos, envolvendo dezenas de contas bancárias ligadas ao grupo investigado.

Arquivo / O Dia
Prisão de Tatiana Medeiros faz um ano e Justiça deve publicar sentença neste mês

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou denúncia à Justiça pouco tempo depois, ampliando o alcance do processo. Somadas, as penas previstas para os crimes imputados podem ultrapassar 500 anos de prisão, caso haja condenação em todas as acusações. Ao longo de 2025, o TRE-PI negou sucessivos pedidos de habeas corpus, mantendo a prisão preventiva da vereadora sob o argumento de gravidade dos fatos e risco de interferência nas investigações.

Durante o período em que esteve custodiada no Quartel do Comando-Geral (QCG) da Polícia Militar, Tatiana Medeiros apresentou episódios de ansiedade e problemas de saúde, chegando a ser encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT). A defesa passou a sustentar a necessidade de substituição da prisão preventiva por domiciliar, pedido que ganhou força após a constatação de seu estado clínico.

Mesmo presa, o caso ganhou novos contornos com a descoberta de um celular e um tablet na cela da vereadora. Inicialmente, a origem dos aparelhos foi atribuída a terceiros, mas posteriormente familiares assumiram a responsabilidade. O episódio levantou preocupações sobre possível comunicação externa e tentativa de interferência no processo.

Em junho de 2025, a Justiça autorizou a conversão da prisão preventiva em prisão domiciliar, impondo condições à parlamentar. Apesar do afastamento das funções legislativas, Tatiana continua a receber remuneração como vereadora no valor de R$ 25 mil mensais. Paralelamente, o Ministério Público do Piauí (MPPI) abriu novas frentes de investigação para apurar suspeitas de nepotismo e rachadinha no gabinete da parlamentar.

Anulação de provas

O processo seguiu com idas e vindas ao longo do segundo semestre. Em outubro, uma decisão do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) anulou parte das provas colhidas na investigação, o que levou à suspensão temporária do processo. A defesa utilizou o novo cenário para pedir a liberdade da vereadora, alegando excesso de prazo e fragilidade das acusações. Em decisão inicial, a Justiça chegou a autorizar sua soltura e possibilidade de retorno ao mandato.

No entanto, a decisão foi revertida pelo plenário do TRE-PI, que restabeleceu a prisão domiciliar e manteve o afastamento do cargo. A instabilidade jurídica marcou essa fase do processo, com sucessivas revisões e recursos.

Audiência de instrução

A fase de instrução do processo foi considerada uma das mais extensas já realizadas no estado. Ao todo, cerca de 112 pessoas foram arroladas para depor, entre testemunhas, réus e investigados. A audiência, iniciada em novembro de 2025, contou com forte esquema de segurança, incluindo controle de acesso ao fórum, bloqueio de ruas e escolta policial para os envolvidos, evidenciando a dimensão do caso.

Além de Tatiana Medeiros e Alandilson Cardoso Passos, outras pessoas também figuram como rés na ação penal eleitoral, ampliando o alcance da investigação. Também são réus na ação penal eleitoral: Stenio Ferreira Santos, Maria Odelia de Aguiar Medeiros, Emanuelly Pinho de Melo, Lucas de Carvalho Dias Sena, Bruna Raquel Lima Sousa, Savio de Carvalho Franca e Bianca dos Santos Teixeira Medeiros.

As acusações envolvem crimes como organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e violação do sigilo do voto.

Atualizações mais recentes

Em março deste ano, a sentença da vereadora e de outros réus chegou a ser adiada após a Defensoria Pública da União não apresentar as alegações finais dentro do prazo. A juíza responsável pelo caso, Júnia Feitosa, da 1ª Zona Eleitoral de Teresina, determinou nova intimação com prazo reduzido para garantir o andamento do processo. Segundo a magistrada, após a entrega das manifestações, o Judiciário terá até dez dias para proferir a sentença.

O processo aguarda a apresentação das alegações finais por todas as partes envolvidas. Após essa etapa, a Justiça Eleitoral terá prazo para proferir a sentença. A decisão poderá resultar em absolvição ou condenação da vereadora, com possíveis consequências como perda do mandato e inelegibilidade.


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