A Prefeitura de Teresina decidiu não realizar no momento uma nova licitação para o sistema de transporte público da capital neste momento. A estratégia apresentada pelo prefeito Silvio Mendes nesta sexta-feira (11) é negociar com as empresas que já operam o serviço, rever os contratos e ampliar gradualmente a oferta de ônibus, enquanto são executadas obras de infraestrutura e uma nova organização das linhas de ônibus.
As medidas foram apresentadas após uma reunião que contou com representantes da Câmara Municipal, do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público, Caixa Econômica Federal, Citer, motoristas e empresários. O trabalho técnico foi elaborado pelo engenheiro Antônio Santana, que, segundo o prefeito, possui mais de 600 projetos executados no Brasil e em outros países da América Latina.
Silvio Mendes explicou que a decisão, inicialmente, é manter as empresas que já operam o transporte coletivo, embora tenha frisado que existem descumprimentos contratuais tanto por parte dos empresários quanto da própria Prefeitura. O prefeito disse que a administração municipal reconhece a existência de uma dívida de mais de R$ 300 milhões com as empresas, mas considera o valor não correspondente ao montante que efetivamente deve ser pago.
Silvio informou ainda que, após receber na próxima semana os cálculos considerados definitivos sobre a dívida, pretende voltar a conversar com os empresários para construir um acordo e formalizar as mudanças por meio de um aditivo contratual.
Prefeitura quer ampliar oferta de 213 para 278 ônibus
Atualmente, Teresina conta com 213 ônibus em circulação. O número está muito abaixo do previsto no contrato original, que estabelecia uma frota de 436 veículos. A proposta apresentada é elevar a quantidade de ônibus em operação para 278, número considerado o mínimo necessário neste primeiro momento.
Os novos ônibus deverão ser equipados com ar-condicionado e terão diferentes capacidades de transporte de passageiros. A ideia é utilizar veículos maiores nos principais corredores e veículos menores para atender os bairros.
“A distribuição foi pensada para reduzir o tempo de espera dos passageiros. A população quer que o ônibus passe na frente da sua casa o mais rápido possível. Se eu coloco um ônibus grande, ele vai passar de meia em meia hora. O que está em jogo é tempo perdido pela população para se transportar”, explicou Antônio Santana.
Novos ônibus vão substituir veículos mais antigos
A chegada dos novos veículos não significa só acrescentar 96 ônibus à frota atual. Parte dos veículos será utilizada para retirar de circulação os mais antigos. Segundo o engenheiro Antônio Santana, a idade média da frota atual é de aproximadamente 10,3 anos, com veículos que chegam a 17 anos de uso. A ideia é aproveitar ao máximo a frota que já existe na capital em condições de continuar operando.
A Prefeitura pretende estabelecer, no novo acordo com as empresas, obrigações relacionadas à quantidade de viagens e à regularidade do serviço. “A aquisição dos veículos precisa estar acompanhada de metas claras para evitar que os ônibus novos simplesmente substituam os antigos. Não basta só isso”, afirmou o prefeito Silvio Mendes.
Primeira linha troncal ligará Parque Piauí e Zoobotânico
Uma das primeiras intervenções previstas será a implantação de uma linha troncal ligando o Parque Piauí ao Zoobotânico, passando pelo Centro de Teresina. A proposta faz parte da retomada do conceito de sistema tronco-alimentado previsto no planejamento de mobilidade da capital.
A implantação, no entanto, será gradual. A Prefeitura pretende iniciar por um eixo e, posteriormente, avançar para outras regiões. “Uma das grandes críticas de Teresina é que, quando tentaram implantar o sistema tronco-alimentado, tentaram fazer tudo de uma vez. Deu errado. Não vamos cometer esse erro novamente”, disse Antônio Santana.
Outro grande eixo previsto deverá ligar a região do Bela Vista à Universidade Federal do Piauí (Ufpi).
Rede de linhas será redesenhada
Além da aquisição dos ônibus, a PMT pretende reformular completamente a rede de linhas de Teresina. Segundo Antônio Santana, o desenho atual foi elaborado em uma época em que o Centro concentrava cerca de 64% dos deslocamentos da cidade. “A realidade mudou e a zona Leste passou a ter peso semelhante na atração de viagens".
“Temos dois centros. O Centro propriamente dito e a zona Leste. Os estudos de origem e destino mostram que a zona Leste atrai hoje tantas pessoas quanto o Centro. Então, a lógica de desenho da rede de transporte está falhando em não reconhecer isso. A nova rede deverá manter o conceito de integração, mas sem concentrar todos os deslocamentos para o Centro”, explica.
A previsão é que os grandes eixos sejam atendidos com os ônibus de maior capacidade, enquanto veículos menores façam a ligação entre os bairros e os corredores principais.
500 novas paradas de ônibus serão licitadas
A Prefeitura também lança uma licitação para implantação e recuperação de 500 paradas de ônibus. A medida é considerada necessária para melhorar a infraestrutura do sistema, já que, segundo Antônio Santana, a aquisição de novos veículos não será suficiente para recuperar o transporte coletivo.
Além das paradas, a PMT pretende recuperar as estações de transbordo que foram danificadas ou depredadas.
Entre as outras mudanças anunciadas pela Prefeitura estão a retomada do sistema Inthegra, mas com um novo desenho e a avaliação sobre a retirada dos cobradores dos ônibus de Teresina.
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