A escolha da Prefeitura de Teresina do prédio da antiga Companhia Editorial do Piauí (Comepi) para a construção de um novo Shopping da Cidade gerou discussão entre a população e especialistas que defendem a preservação do patrimônio histórico da capital, já que o imóvel foi construído por volta de 1860, tendo mais de 160 anos, e é tombado em nível estadual.
Em 1852, quando a capital foi transferida para Teresina, os principais prédios e a administração pública se mantiveram localizados no que é conhecido como Largo do Amparo, o conjunto arquitetônico em torno da Igreja Nossa Senhora do Amparo, na Praça da Bandeira.
No século XIX, quando o prédio foi construído, tinha como finalidade abrigar o maquinário da oficina de fundição das embarcações a vapor que atracavam no cais do Rio Parnaíba. Com a decadência da navegação fluvial, o imóvel passou a abrigar a Companhia Editorial do Piauí. Ao longo do tempo, sofreu um processo de descaracterização em sua volumetria, mas, ainda assim, foi tombado em nível estadual em 1981.
O prefeito Silvio Mendes afirmou, em anúncio, que o prédio terá capacidade para 500 ambulantes e que a gestão municipal possui um projeto arquitetônico, preservando o imóvel, que é patrimônio estadual e foi cedido pelo Governo do Piauí à Prefeitura de Teresina. O orçamento da obra pode chegar a R$ 35 milhões, com recursos próprios.
“Nós estamos atrás de uma solução para o centro, uma das soluções dos vários problemas, e está cedendo o prédio da Comepi para fazer um segundo shopping da cidade, pois o primeiro a gente fez e deu certo. Vamos fazer para mais 500 ambulantes que estão pelas ruas, pelo centro”, afirmou o prefeito ao O Dia.
De acordo com Claudiana Cruz, arquiteta e urbanista do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Piauí (Iphan), a adequação da edificação pode ser positiva, considerando o processo de degradação pelo qual o imóvel vem passando. No entanto, por se tratar de um bem tombado, é necessário seguir diretrizes de conservação, preservando suas características.
“Essa adequação depende muito da dimensão e qualidade do projeto, da quantidade de pessoas que a prefeitura pretende acomodar. Que essa intervenção não seja pautada na destruição e sim no respeito com a cidade e a legislação vigente”, disse.
Apesar do posicionamento do Iphan, a responsabilidade pela preservação do prédio é da Secretaria de Cultura do Piauí (Secult). A reportagem entrou em contato com o setor de Obras e Patrimônio do órgão sobre a implantação do shopping, mas não obteve retorno.
A arquiteta e urbanista Luciene Cardoso destacou que os desafios de conciliar novos usos à preservação dos imóveis são significativos. Segundo ela, apesar do atual Shopping da Cidade atender à necessidade dos comerciantes informais que permaneciam nos espaços públicos do Centro, a sua implantação na praça da Bandeira, provocou impactos na paisagem cultural do bairro e da cidade.
“Há muitas maneiras de ver um mesmo lugar. Cada tipo de uso do Centro leva a um olhar distinto sobre sua paisagem. É necessário unificar esses olhares por meio da análise das vantagens e desvantagens das novas funções atribuídas”, declarou.
LEIA TAMBÉM
- Programa federal prevê energia para 12 mil unidades rurais no Piauí
- Washington Bandeira afirma que nome de Joel Rodrigues na disputa ao Governo não preocupa a base
- Hospital em Teresina é interditado por irregularidades em UTIs; saiba mais
- Postos de combustíveis no Piauí podem ser alvos de CPI da Assembleia Legislativa
A instalação de novos equipamentos comerciais no centro da cidade ocorre em um contexto de tentativa de fortalecimento do comércio local, que tem perdido força diante da expansão para os bairros, além de integrar ações de revitalização da região central.
Outra obra nesse sentido é a reforma da Praça do Fripisa, onde a Prefeitura de Teresina pretende construir cerca de 250 lojas para abrigar vendedores de livros. Em frente à praça está a Biblioteca Estadual Cromwell de Carvalho, também um bem tombado. A previsão de início das obras é após a Semana Santa, com investimento estimado em R$ 1 milhão.
Em nota, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Piauí (CAU/PI), informou que as informações que circulam sobre a proposta ainda são extraoficiais, e que se pronunciará no momento em que tiver acesso aos documentos oficiais para fazer uma análise técnica sobre a situação.
Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.