O policial militar Gabriel Veras Tomaz Silva, preso no último domingo (26), em Teresina, suspeito de agredir, ameaçar e manter em cárcere privado a então companheira, foi colocado em liberdade após passar por audiência de custódia. Apesar da soltura, a Justiça determinou a suspensão do porte de arma e impôs outras medidas restritivas.
O caso ocorreu em um apartamento na zona Leste da capital e mobilizou equipes da Polícia Militar após a vítima pedir socorro por telefone e por meio de mensagens enviadas a grupos. Segundo o relato, as agressões começaram ainda pela manhã e se intensificaram ao longo do dia. A mulher afirmou que estava na residência onde vivia com o suspeito, com quem mantinha um relacionamento em processo de separação, quando foi atacada fisicamente.
De acordo com o corregedor da Polícia Militar do Piauí, coronel Newmarcos Basílio, a liberação do policial ocorreu ainda durante os procedimentos iniciais da Justiça. “Ele foi solto ainda na audiência de custódia. O juiz soltou na audiência de custódia e botou algumas preliminares de restrições. Suspensão do porte de arma e outras limitações ilegais. O processo corre em segredo de justiça na Justiça comum, porque aí ele está sendo acusado de um crime comum, e não militar”, disse.
Ainda segundo o corregedor, a apuração criminal seguirá na Justiça comum, enquanto a corporação conduz um procedimento interno para avaliar possível infração disciplinar. “O que resta para a corregedoria? Apurar através de um procedimento administrativo a responsabilidade disciplinar, se houver. O processo já foi aberto e vai transcorrer normal para ver se tem algum resquício disciplinar nessa ação. Mas a apuração criminal, se houver, ela vai transcorrer na justiça comum”, complementou.
Em nota, a Polícia Militar confirmou que, além da suspensão do porte de arma, foi instaurada uma sindicância para apurar o caso internamente.
A vítima, que é jornalista e ex-companheira do policial, relatou ter sido agredida física, emocional e sexualmente. Em entrevista, ela afirmou ter saído do depoimento à polícia sem documentos que comprovassem a violência nem a concessão imediata de medida protetiva.
A jovem disse temer pela própria vida e pela segurança da família, especialmente da filha de oito anos. Segundo ela, além das agressões, o suspeito também teria feito ameaças contra seus parentes, incluindo a criança.
Ela contou que conheceu o policial em 2022 e que o relacionamento evoluiu até passarem a morar juntos no fim de 2025. Com o tempo, segundo a vítima, o comportamento do companheiro mudou, com episódios de ciúmes e controle.
“Ele começou a querer me acompanhar no meu trabalho. Eu ia trabalhar e ele ficava lá me observando. Aquilo começou a me incomodar e depois de um tempo começou a me atrapalhar no meu serviço. Eu comecei a faltar, porque não queria ele lá me acompanhando. E ele costumava andar armado o tempo todo, inclusive dentro de casa. Aonde eu ia, ele ia junto e armado. Dizia que era porque era do trabalho dele, que é policial e precisava andar com a arma. Mas eu não achava que era só isso”, conta.
A vítima também relatou que tentou encerrar o relacionamento em mais de uma ocasião, mas que era constantemente responsabilizada pelo término e pressionada a continuar na relação. O caso segue sob investigação na Justiça comum.
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