Com a paralisação dos motoristas e cobradores do transporte público de Teresina, iniciada nesta segunda-feira (18), muitos usuários estão precisando buscar alternativas para conseguir chegar ao trabalho, consultas médicas e outros compromissos. Sem ônibus circulando em determinados horários, a população passou a recorrer aos chamados transportes alternativos. No entanto, além do transtorno, o impacto também tem sido sentido no bolso dos passageiros, já que os custos dessas viagens são bem superiores à tarifa de ônibus, que atualmente custa R$ 4.
Entre as opções encontradas pelos usuários estão os motoristas por aplicativo, mototaxistas, táxis e os chamados “ligeirinhos”, veículos particulares que realizam transporte de passageiros. Para quem depende diariamente do transporte coletivo, os gastos extras acabam comprometendo o orçamento no fim do mês.
A zeladora Rosilene Alves Serafim, de 43 anos, moradora da região da Santa Maria da Codipi, zona Norte de Teresina, relata que precisou recorrer aos “ligeirinhos” para conseguir se locomover durante a paralisação. Antes do movimento, a corrida do Centro até a Santa Maria custava R$ 5. Com a interrupção parcial dos ônibus, o valor dobrou e passou a custar R$ 10.
Eu tenho vindo para o trabalho de motorista por aplicativo ou ‘ligeirinho’. O que eu gastava R$ 8 por dia, agora estou gastando R$ 20. Para quem ganha um salário mínimo, isso faz muita diferença
“Eu tenho vindo para o trabalho de motorista por aplicativo ou ‘ligeirinho’. O que eu gastava R$ 8 por dia, agora estou gastando R$ 20. Para quem ganha um salário mínimo, isso faz muita diferença”, conta.
Na manhã desta terça-feira (19), Rosilene aproveitou a folga para realizar uma consulta médica e precisou fazer mais deslocamentos ao longo do dia. Somente com “ligeirinho”, ela gastou R$ 40. Caso estivesse utilizando o transporte público, as viagens teriam custado apenas R$ 16. Isso representa um gasto extra de R$ 24 por dia, equivalente a um aumento de 150% em relação ao valor original.
Segundo a zeladora, quando não consegue vaga nos “ligeirinhos”, a alternativa é solicitar uma motocicleta por aplicativo, cuja corrida pode chegar a R$ 12. “É complicado e pesa no bolso. A sorte é que meus filhos têm motocicleta e eles não estão tendo esse gasto. Isso atrapalha muito a vida da população”, disse.
A estudante de Enfermagem Camily Borges também relata que sentiu o impacto da paralisação no orçamento. Acostumada a utilizar o transporte público diariamente pagando meia passagem, ela afirma que os custos aumentam significativamente quando precisa recorrer aos aplicativos.
“Diariamente eu costumo gastar duas passagens, que dão R$ 2,70, porque pago o valor de estudante. Quando eu pego transporte por aplicativo, costumo optar pela moto, que custa R$ 11 ou R$ 12 por viagem, e afeta bastante meu orçamento, porque gasto em um dia o equivalente a mais de uma semana de viagens no transporte público”, conta.
Segundo a jovem, além do valor já mais alto das corridas por aplicativo, os preços ainda costumam aumentar durante as paralisações e greves devido à maior procura pelos serviços.
Enquanto os passageiros sofrem com o aumento das despesas, motoristas por aplicativo relatam aumento na procura por corridas, principalmente nos horários em que os ônibus deixam de circular. Ariosvaldo Alves, de 58 anos, trabalha como motorista por aplicativo há cerca de quatro meses e conta que percebeu um crescimento significativo na demanda no fim da tarde de segunda-feira (18), período em que os coletivos interromperam as atividades.
Segundo ele, apesar da maior procura, os preços das corridas não tiveram aumento expressivo. Ainda assim, os passageiros aceitaram as viagens rapidamente, principalmente para evitar permanecer por muito tempo nos pontos e terminais.
“O preço da corrida ficou variando entre R$ 3 e R$ 4, e as pessoas aceitavam, porque elas não queriam ficar no centro até tarde esperando os ônibus voltarem a circular, e nem ficar sozinhas. Para nós, motoristas, é bom, porque é um extra que a gente faz”, relata.
Já para os mototaxistas, a paralisação não trouxe o aumento esperado na demanda. Antônio de Oliveira trabalha há mais de 20 anos na Praça Rio Branco, centro da capital, e explica que os aplicativos de transporte acabaram reduzindo bastante o número de passageiros da categoria.
Segundo ele, muitos clientes optam pelos aplicativos devido ao valor mais acessível das corridas. “Se a gente cobra R$ 25 do Centro até a Santa Maria, o aplicativo cobra R$ 18, então as pessoas vão preferir o que é mais barato. Talvez, se tiver a greve mesmo, aí aumente a demanda para os mototaxistas, mas, como era só uma paralisação em horários específicos, as pessoas estavam usando os aplicativos”, destacou.
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