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MPPI apura suspensão de transporte escolar na zona Leste de Teresina

A suspensão do transporte escolar de alunos que vivem nas comunidades Vale do Gavião, Árvores Verdes e Santa Bárbara, localizadas na zona Leste de Teresina, foi assunto de uma audiência extrajudicial realizada pelo Ministério Público do Piauí (MPPI), nesta quinta-feira (05). A reunião ocorreu na sede leste do órgão e reuniu representantes da Secretaria Municipal de Educação (Semec) e lideranças das comunidades afetadas.

A audiência foi conduzida pela promotora de Justiça Flávia Gomes Cordeiro, titular da 38ª Promotoria de Justiça de Teresina. Participaram a secretário municipal de Teresina, Ismael Silva, acompanhado do representante jurídico da Semec, Cristian Frankil. Além disso, moradores das comunidades que relataram os impactos da suspensão do serviço também compareceram.

Divulgação / PRF
MPPI apura suspensão de transporte escolar na zona Leste de Teresina

De acordo com as lideranças comunitárias, a interrupção do transporte ocorreu poucos dias antes do início do ano letivo e surpreendeu as famílias dos alunos. Os representantes afirmaram que a situação já havia ocorrido em 2024 e foi resolvida após intervenção do Ministério Público.

Os participantes destacaram que a falta de transporte compromete o acesso à escola, especialmente para crianças com deficiências, alunos com mobilidade reduzida, estudantes que percorrem trajetos considerados inseguros e famílias que têm filhos matriculados em unidades diferentes.

Durante a reunião, o secretário Ismael Silva explicou que o transporte escolar no município segue uma portaria vigente desde 2014, que estabelece o critério de distância mínima de 2,5 quilômetros entre a residência do aluno e a escola para concessão do benefício.

O gestor informou, ainda, que a rede municipal atende cerca de 90 mil estudantes e que não é possível ofertar transporte para todos. O secretário ressaltou que alunos com deficiência e cadeirantes têm prioridade e contam com veículos específicos.

Reprodução/MPPI
Audiência ouviu moradores e Semec sobre transporte escolar na zona Leste de Teresina.

Ao final da sessão, Ismael Silva solicitou o prazo de uma semana para reavaliar a situação apresentada pelas comunidades. Segundo ele, eventuais exceções precisam ser analisadas com cautela, pois podem gerar aumento de demandas semelhantes em outras regiões da cidade. A promotora Flávia Gomes Cordeiro determinou o aguardo de uma resposta formal da Secretaria Municipal de Educação, para que o Ministério Público avalie as próximas providências.

O caso evidencia o debate sobre os critérios de concessão do transporte escolar e os limites entre normas administrativas e o direito ao acesso à educação, garantido pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. A falta de transporte pode contribuir para evasão escolar, especialmente em áreas periféricas, onde as distâncias e as condições de segurança dificultam o deslocamento diário de estudantes.

O Ministério Público informou que seguirá acompanhando o caso e poderá adotar medidas adicionais após a manifestação da Secretaria Municipal de Educação.


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