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Moradores do bairro Ilhotas protestam contra fechamento de passagens de nível durante obra do metrô

Moradores do bairro Ilhotas, na região Centro-Sul de Teresina, realizaram uma manifestação na manhã desta terça-feira (14) contra o fechamento de duas passagens de nível localizadas nas ruas Professora Luzia Gomes (Santa Luzia) e José Omati. A intervenção faz parte das obras de modernização do Metrô de Teresina, executadas pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans).

Durante o protesto, os manifestantes colocaram fogo em pneus e gritaram palavras de ordem para chamar a atenção das autoridades. Segundo os moradores, o fechamento das passagens deixará parte da comunidade isolada, dificultando o acesso a serviços essenciais, como escolas, supermercados, hospitais e unidades de saúde.

As obras de remodelação estão sendo realizadas no trecho entre as estações Piçarra e Frei Serafim. O projeto prevê a construção de uma mureta de proteção ao longo da linha férrea para evitar o escoamento de água até as residências. No entanto, a estrutura também impedirá a travessia de pedestres e veículos entre os dois lados do bairro.

Joelma Abreu/ODIA
Moradores do bairro Ilhotas protestam contra fechamento de passagens de nível durante obra do metrô

De acordo com os moradores, a alternativa apresentada seria utilizar outra passagem, localizada na Rua Governador Tibério Nunes, ou seguir até a Avenida Marechal Castelo Branco. Entretanto, eles afirmam que o trajeto é mais longo e inseguro.

A aposentada Antônia Lima da Silva teme que a mudança comprometa até mesmo o atendimento em situações de emergência. "Se fechar essa passagem, ficará ruim até para procurarmos socorro, pois teremos que dar uma volta mais longa, lá pela Avenida Marechal."

O morador Raimundo José do Nascimento afirma que a passagem é utilizada diariamente por moradores e veículos oficiais. "Já era difícil antes dessa obra, pois passávamos aqui com sacrifício, agora eles vão interditar. Aqui é uma passagem que trafega mais de mil carros por dia, inclusive viaturas da Polícia Militar. Eles precisam fazer uma solução, igual fizeram na Vila São Raimundo, onde construíram a passagem e colocaram o asfalto. Esse é o único acesso que temos."

Para Maria do Carmo Evangelista, a obra pode comprometer completamente a mobilidade da comunidade e afetar o comércio local. "Essa é a única saída que temos para ir ao médico, ao trabalho. Aqui tem quatro ruas que só têm entrada e não têm saída, e a única saída que temos é essa e agora querem fechar. E vamos passar por onde? Os comércios vão fechar sem movimentação."

Reprodução
Moradores do bairro Ilhotas protestam contra fechamento de passagens de nível durante obra do metrô

Outro ponto levantado pelos moradores é a falta de diálogo antes da execução da intervenção. Francisco das Chagas Silva, que vive no bairro há mais de 50 anos, afirma que a população não é contrária à modernização da ferrovia, mas defende que a obra seja realizada sem comprometer o direito de ir e vir.

"Se é para fazer o serviço, que seja feito, mas não podemos ficar ilhados, sem acesso de ambulância e de viaturas da polícia. Se alguém adoecer desse lado, como a ambulância vai passar para o outro lado? Só queremos poder ir e voltar."

O presidente da Associação de Moradores do bairro Ilhotas, Luiz Gonzaga de Sousa Filho, afirma que as duas passagens são fundamentais para a mobilidade da região e para o acesso dos serviços públicos.

"Essas passagens de nível estão prestes a ser fechadas, dificultando até o acesso da segurança pública. Depois de fechadas, essa área ficará ainda mais vulnerável. Já enfrentamos problemas com a atuação de facções e intenso movimento de drogas na região da linha férrea. Além disso, a parada construída na ferrovia não atende à comunidade, pois deveria ter sido instalada em um ponto de maior circulação."

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Moradores do bairro Ilhotas protestam contra fechamento de passagens de nível durante obra do metrô

Segundo ele, a comunidade não foi consultada antes do início da obra e nenhuma alternativa de mobilidade foi apresentada. "O poder público não buscou a comunidade antes de iniciar a obra e nem discutiu alternativas para garantir a locomoção e a mobilidade urbana. A única opção que existia está sendo retirada da população."

Os moradores afirmam que não são contra a modernização do Metrô de Teresina, mas pedem que o projeto seja revisto para preservar as passagens de nível ou que sejam construídas alternativas que garantam o deslocamento seguro da população sem comprometer a execução da obra.

A equipe de reportagem do PortalODIA.com entrou em contato com a Secretaria de Estado dos Transportes (Setrans), mas, até o fechamento da matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto para esclarecimentos.