Portal O Dia

Morador abrigou faccionados na própria casa e facilitou roubos em condomínio para quitar dívida

O morador preso por facilitar roubos a residências de um condomínio na zona Leste de Teresina abrigou os suspeitos na própria casa e os ajudou a praticar os crimes para, segundo a polícia, quitar dívidas que tinha com os criminosos. Trata-se de um empresário que não teve o nome informado, mas que é dono de uma loja de veículos na Avenida Miguel Rosa. 

De acordo com a polícia, ele teria comprado um carro na mão dos faccionados, mas não teria pago o valor combinado. Em razão disso, passou a receber cobranças. “Os faccionados, então, ofereceram a ele um abono na dívida e ele passou a facilitar a entrada deles no condomínio para fazerem os roubos. Era uma forma de quitar a dívida que havia sido contraída”, explicou o investigador Igor Alves.

Reprodução
Morador é preso suspeito de dar apoio a furtos em casas de condomínio em Teresina

A família do morador não tinha qualquer conhecimento sobre a situação. Apesar de ele pôr os faccionados para dormir na própria casa, nenhum familiar nunca chegou a desconfiar. No entanto, quando a família foi procurada pela polícia, passou a ajudar nas investigações e colaborou inclusive para a prisão.

Foi o que afirmou o delegado Lucas Adalício, que presidiu o inquérito. A prisão do morador aconteceu no final de julho e houve resistência por parte dele. 

“Nós fizemos o acompanhamento do indivíduo com a ajuda de informações da família e no momento da abordagem, ele jogou o carro para cima da equipe. Demos cumprimento a um mandado de busca na casa dele, coletamos mais informações com os familiares e no momento da oitiva, ele confessou a participação e assumiu que tinha colocado dois faccionados para fazer os arrombamentos”, explicou o delegado.

André dos Santos/O Dia
Lucas Adalício, delegado

Arrombamentos aconteciam à noite e quando moradores não estavam em casa

O modus operandi dos suspeitos de roubar as residências do condomínio se repetia em todas as ações: eles aproveitavam a noite para entrar nas casas sem chamar atenção, acessavam e violavam o cofre e roubavam tudo que havia de valor dentro, incluindo relógios de luxo, joias e dinheiro em moeda brasileira e estrangeira. 

Em geral, os suspeitos agiam utilizando balaclava para cobrir o rosto, roupas escuras e luvas para evitar serem identificados. O que chamou a atenção da polícia é que, além do vestuário, os criminosos tinham um arsenal de armas de grosso calibre e de ferramentas para abertura de cofres e caixas-fortes.

Divulgação/Polícia Civil
Armas e objetos encontrados com os presos

Durante as prisões efetuadas nesta sexta-feira (04) em Teresina, foram apreendidas armas de fogo e instrumentos como marretas, pés-de-cabra, talhadeiras e até espingarda. As armas já se encontravam carregadas e prontas para serem usadas. A polícia investiga indícios que apontam para a possibilidade de os presos atuarem também com assaltantes de bancos.

No momento da prisão, um dos indivíduos usava inclusive o relógio de uma das vítimas. “Eles entravam nas casas de forma furtiva e faziam o rompimento do cofre. Como os roubos aconteciam em época de férias, no mês de julho, muitos moradores não estavam em casa e eles se aproveitavam disso para agir”, detalhou o delegado Lucas.

Antecedentes criminais

Os presos desta sexta-feira (04) já possuíam vários antecedentes criminais como envolvimento com roubo, latrocínio e homicídio. Um deles chegou a ser preso em 2011 acusado de roubo a banco. Quanto ao morador do condomínio, segundo a polícia, ele já responde por estelionato e falsidade de documento.