A Polícia Civil está investigando se líderes religiosos no Piauí estariam recebendo dinheiro para cooptar pessoas para o esquema de trade que foi desarticulado na semana passada em Teresina. A informação recebida pelos investigadores é que de lideranças de igrejas evangélicas estariam recebendo 10% por cada pessoa captada para investir no esquema chefiado pela DF Group e pelo trader Douglas Fonseca.
A informação é do delegado Matheus Zanatta, superintendente de Operações Integradas (SOI) da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI). Ele conta que a polícia recebeu relatos de que o DF Group agia principalmente dentro de templos evangélicos por meio de seus líderes, e que se utilizava de um discurso voltado para a fé dos frequentadores destes espaços.
É uma informação bastante grave e preocupante. Vamos nos aprofundar nas investigações para saber se elas procedem realmente. Se for comprovado que estas pessoas, estes líderes religiosos, estavam mesmo fazendo a captação de novos investimentos com novas vítimas, elas com certeza vão ser responsabilizadas no inquérito.
O delegado se referiu ao esquema e à possível participação de líderes religiosos como “máfia”. Zanatta reiterou que Douglas Fonseca tinha uma oratória e discursos direcionados para atrair as vítimas através de suas crenças religiosas, oferecendo como retorno valores totalmente impraticáveis no mercado financeiro. O DF Group dizia às vítimas que elas teriam mensalmente um retorno de 10% em cima do investimento e que o dinheiro viria de forma rápida.
Além dos valores incompatíveis com a realidade do mercado, a empresa de Douglas Fonseca não tinha qualquer registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Inclusive a CVM nos informou no bojo do inquérito que já havia aberto um procedimento administrativo contra o DF Group em virtude dos serviços ilegais que estavam sendo prestados”, acrescentou o delegado.
Trader disse ter patrimônio bilionário fora do Brasil
O esquema do DF Group desarticulado pela polícia revelou uma movimentação financeira de mais de R$ 100 milhões. Mas a polícia também trabalha com a possibilidade de Douglas Fonseca e os demais envolvidos terem enviado dinheiro para contas abertas em paraísos fiscais.
De acordo com o superintendente da SOI, Matheus Zanatta, o trader afirmou em depoimento que tem cerca de R$ 1 bilhão fora do Brasil. A informação ainda será verificada pela polícia. “Se isso realmente proceder, vamos pedir imediatamente o bloqueio destes valores para usá-los integralmente no ressarcimento às vítimas. Lembrando que já havíamos pedido o bloqueio de bens do grupo. Infelizmente na conta do Douglas havia apenas a quantia de R$ 38 e na conta do DF Group, apenas R$ 5 mil”, explicou.
Apesar dos valores financeiros terem sido irrisórios, a polícia apreendeu bens materiais que, somados, chegam a R$ 100 milhões. Entre estes bens estão carros de luxo, residências e ativos financeiros no nome dos investigados.
Além de Douglas Fonseca, outras duas pessoas estão na mira da polícia. Uma delas foi presa nesta segunda (13). Trata-se de Tárcio Moura Soares Gusmão. O terceiro integrante do esquema segue foragido.
LEIA TAMBÉM
Polícia já recebeu mais de mil BO's contra o DF Group
Desde a última sexta-feira (10), quando foi deflagrada a operação contra os traders, até a tarde desta segunda-feira (13), a Polícia Civil do Piauí já havia recebido mais de mil Boletins Ocorrências contra o DF Group e a pessoa de Douglas Fonseca. O número pode ser ainda maior, visto que outras possíveis vítimas continuam procurando os canais de denúncia para relatarem terem sido lesadas pelo grupo.
São pessoas que, segundo o delegado Zanatta, colocavam altos valores financeiros, muitas vezes economias feitas ao longo da vida, nas mãos dos criminosos sob a falsa crença de que receberiam retorno alto e rápido. Algumas vítimas teriam transferido valores perto de R$ 30 mil aos criminosos.
“Se você foi vítima, registre o Boletim de Ocorrência. Você pode ir em qualquer delegacia ou fazer o registro pelo BO Fácil no Whatsapp 0800 086 0190. Leve seus documentos pessoais e toda a documentação que comprove as transferências para a empresa e os investigados, porque só assim poderemos garantir o ressarcimento”, finaliza o delegado.