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Infestação de caramujos africanos preocupa moradores do Povoado Campestre, em Teresina

Moradores do Povoado Campestre, na zona Rural de Teresina, têm vivido uma situação preocupante com uma infestação de caramujos africanos em diferentes áreas da comunidade. O caramujo africano transmite doenças graves como a meningite e parasitoses causadas pelo contato com o muco das lesmas. E o que chama a atenção é no Campestre, os animais têm sido encontrados em ruas, quintas, terrenos baldios, áreas de mata e até dentro de residências.

Além do aumento da presença dos caramujos, moradores relatam também casos frequentes de pessoas com sintomas parecidos como febre, náusea, vômitos e dores. São sintomas semelhantes a casos de dengue, por exemplo, mas que também podem estar associados às doenças transmitidas pelos caramujos africanos.

Reprodução/Whatsapp
Infestação de caramujos africanos preocupa moradores do Povoado Campestre, em Teresina

Murilo Garcia Felipe é animador infantil e frequenta o povoado Campestre. Ele relatou ao Portalodia.com que a presença dos caramujos se tornou constante no cotidiano dos moradores. Murilo afirma que os animais aparecem em diversos pontos do povoado, inclusive em roupas, lençóis e banheiros das casas.

“Onde você anda, você encontra caramujo. Em poucos metros andando, a gente acaba pisando e quebrando dois ou três no caminho”, relatou.

De acordo com os moradores, não há uma ação coletiva organizada para conter a infestação de caramujos africanos. As medidas adotadas até agora partem de iniciativas individuais como uso de sal, água sanitária, queima dos animas e eliminação manual. Vale lembrar que os caramujos africanos não possuem predadores naturais, o que facilita sua proliferação e dificulta sua eliminação.

Moradores dizem que até o momento, não procuraram empresas especializadas em controle de pragas ou órgãos públicos porque a situação ainda seria controlável. No entanto, se os caramujos africanos continuarem a se reproduzir e ocupar mais espaços, há quem fale em procurar o Centro de Zoonoses e os órgãos de controle sanitário e de saúde. Isso, porque a proliferação destes moluscos é considerada praga urbana com risco à saúde pública.

Reprodução/Whatsapp
Ovos de caramujo africano

Falta de informação

Outro ponto que preocupa é a falta de informação sobre os riscos relacionados ao caramujo africano. Segundo Murilo, muitos moradores não sabem diferenciar a espécie invasora dos caramujos comuns e desconhecem as doenças que podem ser transmitidas pelo animal.

O caramujo africano é considerado uma espécie invasora e pode atuar como hospedeiro de parasitas capazes de transmitir enfermidades como angiostrongilíase abdominal e meningite eosinofílica. A contaminação pode ocorrer por meio do contato com o muco do animal ou pela ingestão de alimentos contaminados. Entre os sintomas associados estão febre, dor abdominal, náusea, vômitos, perda de apetite e alterações intestinais.

Moradores do Povoado Campestre relatam que, nas últimas semanas, dezenas de pessoas apresentaram sintomas semelhantes e que podem ser confundidos com sinais de outras doenças como a dengue, por exemplo. Em uma única rua, pelo menos nove pessoas chegaram a passar mal com vômito, dores abdominais, febre e náuseas nos últimos dias.

Em diferentes áreas do povoado, pelo menos 50 pessoas registraram sintomas do tipo, segundo Murilo. Ele conta que sua esposa chegou a ser internada com redução de plaquetas, constipação e inchaço abdominal, mas que no atendimento, nenhum profissional chegou a cogitar a relação dos sintomas com a infestação de caramujos, mesmo ele tendo relatado que os animais estão à solta pelo povoado.

O Portalodia.com procurou a Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS) para questionar se há casos registrados de doenças transmitidas por caramujos africanos na capital e se o órgão tem conhecimento da situação junto com o Centro de Zoonoses. Até o fechamento desta matéria, nenhum retorno foi obtido. O espaço segue aberto para futuros esclarecimentos.


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