Portal O Dia

Incêndio na Embrapa atingiu 10hectares e consumiu plantas estudadas há 30 anos, diz diretor

O incêndio registrado no terreno da Embrapa Meio-Norte, localizada no bairro Buenos Aires, na zona Norte de Teresina, atingiu cerca de 8 hectares, informou nesta quarta-feira (7) o chefe da empresa pública Anísio Ferreira. Segundo ele, as chamas destruíram áreas destinadas a pesquisas com plantas e também alcançaram uma área do Jardim Botânico da capital, além de se aproximarem de áreas residenciais da região.

Reprodução/Redes Sociais
Incêndio na Embrapa atingiu 10 hectares e consumiu plantas estudadas há 30 anos, diz diretor

Entre as áreas atingidas estão cultivos de fruteiras nativas, como bacuri, cajá e xixá, que fazem parte de trabalhos de melhoramento genético desenvolvidos pela empresa. Parte desses experimentos foi afetada pelo fogo iniciado em uma área próxima ao muro da Embrapa, onde, segundo a instituição, vizinhos costumam jogar lixo e atear fogo.

De acordo com Anísio Ferreira, ainda não é possível calcular o tamanho do prejuízo. Os pesquisadores deverão avaliar os danos para identificar as perdas de material genético e os impactos nos projetos de pesquisa. Segundo o chefe da Embrapa Meio-Norte, as plantas destruídas ou afetadas eram objeto de pesquisas desenvolvidas há décadas.

“São plantas que estão sendo estudadas há mais de 30 anos pela Embrapa, por meio de cruzamentos. Temos toda uma orientação nesse sentido. E isso nos deixa muito entristecidos. O fogo é um problema da sociedade e não se combate punindo, se combate educando”, afirmou Anísio Ferreira, chefe da Embrapa.

Arquivo O DIA
Anísio Ferreira, chefe da Embrapa Meio-Norte.

Além das fruteiras nativas, um pomar de manga utilizado em um experimento de melhoramento genético também foi bastante afetado pelo incêndio. A área, que estava desativada, passava por um processo de retomada das pesquisas.

Ainda na tarde de terça-feira (6), um foco de incêndio atingiu o antigo curral e a vacaria da Embrapa. A estrutura não foi totalmente danificada, e não havia bovinos no local, já que os animais estão em Campo Maior. Parte da estrutura ao redor foi destruída.

O fogo que atingiu o pomar de manga se alastrou pela área e foi controlado por volta das 22h de terça-feira por equipes do Corpo de Bombeiros, da brigada de incêndio da Embrapa e do Exército.

Na manhã desta quarta-feira, ainda havia focos de incêndio no terreno pertencente à Embrapa Meio-Norte. Equipes acompanham a situação para evitar que as chamas voltem a se espalhar pela área, por meio de rescaldo.

Os animais mantidos pela Embrapa para pesquisas não foram atingidos pelo incêndio. No entanto, animais silvestres que viviam na região, como pacas e camaleões, morreram em decorrência do fogo.

As chamas foram registradas por moradores da região e também por câmeras de segurança instaladas em bairros vizinhos, que mostram o fogo alto durante o incêndio.

Há a suspeita de incêndio intencional

A possibilidade de o incêndio ter sido provocado de forma intencional também é investigada. Segundo Anísio Ferreira, a ocorrência de diferentes focos em um intervalo curto de tempo levantou suspeitas.

Na noite de segunda-feira (5), o primeiro incêndio começou por volta das 20h e foi controlado perto de 1h da madrugada de terça-feira (6). O combate envolveu quatro brigadistas da própria Embrapa e uma equipe do Corpo de Bombeiros.

Segundo informações repassadas pela instituição, novos focos apareceram na tarde de terça-feira, principalmente em áreas próximas ao muro, onde há descarte de lixo. A sequência de ocorrências reforçou a suspeita de que os incêndios possam ter sido provocados.

De acordo com informações da Embrapa, ficou evidente que, na tarde de terça-feira, os focos do incêndio próximo ao muro do órgão apareceram nas áreas onde moradores da região jogam lixo e ateiam fogo.

"Afirmar (intencionalidade) seria leviano de nossa parte, mas temos indícios de que os focos ocorreram ao mesmo tempo ou com intervalos de 10 a 15 minutos de um ao outro e foram quatro focos. É sugestivo que tenha sido intencional", afirmou.

As circunstâncias que provocaram o incêndio ainda deverão ser apuradas pelas autoridades. A Embrapa contabiliza os prejuízos provocados pelas chamas, principalmente nas áreas destinadas às pesquisas de melhoramento genético de fruteiras.