Um homem foi preso nesta quinta-feira (3), no Centro de Teresina, com cerca de R$ 57,4 mil em espécie, que, segundo a Polícia Militar, seriam utilizados para o pagamento de pessoas durante um adesivaço eleitoral. O suspeito teria informado aos policiais que cada participante receberia R$ 250, sob a justificativa de custear o combustível dos veículos que participariam da ação.
Segundo informações do major Marconi, uma equipe da Polícia Militar realizava patrulhamento nas proximidades da Praça do Fripisa quando avistou um homem em uma motocicleta sem placa. Ao perceber a presença da guarnição, ele tentou fugir.
Cerca de três quadras depois, os policiais conseguiram abordá-lo. Durante a revista, a equipe encontrou uma grande quantidade de dinheiro escondida nas roupas do suspeito. "Dentro das calças dele, nas peças íntimas, tinham envelopes. A equipe se surpreendeu com a quantia. Inclusive, eu estive no local no mesmo momento, fiz a contagem dos valores e encaminhamos para a Polícia Federal", destacou o major.
O comandante afirmou ainda que, de forma espontânea, o homem revelou que o dinheiro seria utilizado para o pagamento de participantes de um adesivaço eleitoral. Segundo o suspeito, cada pessoa receberia R$ 250. "O valor de 250 reais para cada veículo que iria, logicamente, comprar combustível", disse.
Ainda conforme o major, o suspeito também teria informado o nome da candidata que, segundo ele, teria contratado seus serviços. No entanto, a Polícia Militar não localizou, no Piauí, nenhuma candidata com o nome mencionado. "Ele também falou, de forma espontânea, que ele foi contratado pela senhora Gerlani, que é candidata a deputada estadual. Só que nós pesquisamos e não tem nenhuma candidata com esse nome aqui no Piauí", finalizou.
Imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais foram solicitadas pela Polícia Federal e deverão ser analisadas para auxiliar na apuração do caso. O celular do suspeito também foi apreendido e deverá passar por perícia. As autoridades buscam esclarecer a origem do dinheiro, a finalidade dos pagamentos e se houve participação de outras pessoas.
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Possíveis sanções
Caso as investigações comprovem que o dinheiro seria utilizado para oferecer ou pagar vantagem a eleitores em troca de votos, o caso pode configurar corrupção eleitoral, prevista no artigo 299 do Código Eleitoral. A legislação estabelece pena de reclusão de até cinco anos e pagamento de multa para quem der, oferecer ou prometer dinheiro ou outra vantagem para obter ou dar voto, mesmo que a oferta não seja aceita.
Se ficar comprovada a participação da candidata na prática, ela também poderá responder criminalmente, caso tenha oferecido ou financiado a vantagem com finalidade eleitoral. Além da esfera criminal, a conduta pode gerar consequências na Justiça Eleitoral, como eventual cassação do registro ou do diploma, conforme o enquadramento jurídico e as provas produzidas no processo.
Já o homem poderá responder pelo mesmo crime se ficar comprovado que participou conscientemente da oferta ou distribuição da vantagem. A responsabilização, contudo, dependerá da conclusão das investigações e da análise da Justiça, não sendo possível afirmar, neste momento, que houve compra de votos.