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Grafite marca espaço na Lagoa do São Joaquim e reforça identidade cultural no cotidiano popular

Entregue na manhã deste sábado (28), a urbanização da Lagoa do São Joaquim, localizada na zona Norte de Teresina, contou com a presença de artistas locais que participaram de intervenções artísticas através do grafite no novo espaço. A revitalização do local, além de equipamentos de lazer, incorpora a arte urbana como elemento central de ocupação e convivência comunitária.

Assis Fernandes/O Dia
Grafite marca espaço na Lagoa do São Joaquim e reforça identidade cultural no cotidiano popular

A obra contempla o entorno completo da lagoa, entre as ruas Rui Barbosa, São José e Jim Borralho. O espaço recebeu anfiteatro, campos esportivos, áreas de circulação acessíveis e equipamentos voltados ao lazer, com a proposta de ampliar o uso público da lagoa. Ao mesmo tempo em que foi feita a reestruturação física, o espaço também recebeu pinturas feitas por artistas da própria região, com mensagens ligadas à arte, à paz, à natureza e à identidade cultural da zona Norte.

A iniciativa dialoga com a presença crescente da arte urbana em espaços públicos e com a tentativa de aproximar a população de manifestações culturais historicamente marginalizadas. A intervenção foi realizada pelo coletivo Ruaz Crew, que desenvolveu sete painéis distribuídos nas entradas do parque e em áreas de circulação. Entre os elementos retratados estão figuras ligadas ao cotidiano local, como animais da fauna regional e símbolos do imaginário popular.

A grafiteira e produtora cultural Maria Simone, integrante do coletivo, afirma que a proposta foi construir uma narrativa visual que dialogue com quem frequenta o espaço. “Buscamos trazer a arte do grafite, a cultura urbana e a cultura periférica, tendo como tema principal a fauna local. Os visitantes vão se deparar com mensagens de conscientização que vamos produzir com nossa arte”, afirmou.

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Maria Simone

No espaço, o grafite cumpre um papel que vai além da estética: é uma ferramenta de expressão e também de conscientização. Quando a arte chega nesses espaços, ela amplia o acesso à cultura e fortalece a identidade da comunidade. A programação de inauguração inclui ainda batalhas de MCs e outras atividades ligadas à cultura Hip Hop, reforçando o anfiteatro como espaço voltado a manifestações culturais locais. A presença desses elementos evidencia a tentativa de integrar lazer, cultura e participação comunitária em um mesmo ambiente.

O grafiteiro Ray, conhecido como Ray Tattoo Graff, também participou das intervenções e destacou a importância de ocupar espaços públicos com arte produzida por artistas da própria região. “É um privilégio estar pintando na minha quebrada, na região que eu moro. Sou um fruto da (zona) Norte. O grafite é isso, é o contato com a rua, com as pessoas, com a molecada que se aproxima, pergunta, se interessa. Isso é muito gratificante”, afirmou.

Ele ressalta que a visibilidade nesses espaços contribui para reduzir o preconceito ainda associado ao grafite. “Quando a gente leva a arte para um lugar onde todo mundo passa, muita gente tem o primeiro contato ali. Isso valoriza o artista local e mostra que o grafite também é cultura, também é educação”, disse.

Ray também destaca o papel do Hip Hop como ferramenta social dentro desse contexto. “A gente não trabalha só com o grafite. Tem as batalhas, o break, o DJ. É um universo que abre possibilidades. Às vezes o jovem não se encontra em uma coisa, mas encontra em outra. O hip hop tem essa função de incluir, de dar caminho”, afirmou. Para ele, a construção das obras leva em conta o cotidiano do espaço. “A gente observa o ambiente, as crianças, os idosos, os jovens. Tudo isso influencia na criação. Fazer parte desse processo de embelezamento da comunidade é algo muito gratificante”, completou.

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Grafite marca espaço na Lagoa do São Joaquim e reforça identidade cultural no cotidiano popular

A inserção da arte urbana em projetos de requalificação de espaços públicos tem sido apontada como estratégia de valorização cultural e fortalecimento de vínculos comunitários. Em locais como a Lagoa do São Joaquim, essa integração amplia o alcance da arte e transforma o espaço em um ponto de encontro não apenas para lazer, mas também para expressão cultural.

A expectativa é que, com a ocupação contínua por artistas e moradores, o local se consolide como referência cultural na zona Norte, onde a arte deixa de ser apenas contemplativa e passa a fazer parte da vivência cotidiana da população.


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