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Fila de espera no HUT aumenta após atraso em tratamentos oncológicos no HU

Uma fila de espera por transferência para tratamento oncológico tem se formado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), reunindo pacientes que precisam de atendimento especializado no Hospital Universitário (HU), mas enfrentam demora na regulação. Familiares relatam agravamento do estado de saúde e cobram providências das autoridades.

Arquivo/O Dia
Fila de espera no HUT expõe drama de pacientes que aguardam tratamento oncológico no HU em Teresina

Jordana de Freitas acompanha a mãe, Maria do Rosário, de 58 anos, que aguarda vaga para iniciar o tratamento. Segundo ela, o quadro clínico se agravou após uma internação anterior. "A minha mãe já veio de uma internação anterior no Hospital do Buenos Aires, que iniciou no dia 3 de abril e ficou oito dias hospitalizada. A gente foi para casa e nesse período a minha mãe só piorou. Ela desenvolveu ascite (doença popularmente conhecida como ‘barriga d’água’) e está com derrame pleural bilateral, com obstrução intestinal e precisa investigação oncológica", explicou.

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Jordana de Freitas, filha da paciente Maria do Rosário

Ela afirma que a mãe está há dias sem alimentação adequada e ocupa uma das posições na fila de espera por transferência. Ela relata o sofrimento da família diante da demora.

"Então eu estou clamando aqui ao Governo do Estado, ao governador Rafael Fonteles, ao prefeito Silvio Mendes, a todos os órgãos competentes que possam me ajudar com a vaga para que a minha mãe comece o tratamento dela de uma forma digna. É uma mãe de família, é uma pessoa de 58 anos, então é um pedido de socorro que eu faço. Ela chegou aqui na quarta-feira, estamos na 14ª posição. Ontem foi que a minha mãe foi liberada para começar a tomar água. De quinta a terça-feira sem se alimentar, só de líquidos", complementou.

De acordo com o advogado Wallyson Soares dos Anjos, a situação não é isolada e reflete um problema estrutural no sistema de saúde. Ele afirma que pacientes oncológicos estão sendo mantidos em unidades que não possuem a especialidade necessária, enquanto aguardam regulação para hospitais de referência.

"Essas pessoas estão aqui provisoriamente, elas não eram para estar aqui, já eram para estar em um hospital específico que trate da neoplasia, do câncer, é o HU ou talvez o HGV. Está faltando investimento no Estado, tanto por parte do município, como por parte do governo do Estado, como por parte da União. Os pacientes estão em uma fila, na fila da morte, que estão apelidando de fila da regulação, uma fila que não era para existir", destacou o advogado.

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Advogado Wallyson Soares dos Anjos

Ele também informou que há prazos legais para início do tratamento, que não estariam sendo cumpridos. "Pacientes com câncer têm o prazo máximo de 30 dias para fechar o diagnóstico e iniciar o tratamento. Essas pessoas estão há mais de dois meses pulando para outros postos para tentar fazer o seu tratamento e não conseguem. A Jordana, por exemplo, a mãe dela estava na 14ª posição, a do Kelvin está na 7ª posição", pontuou.

O advogado ainda apontou falta de transparência no sistema de regulação e relata que tem recorrido ao Judiciário para tentar garantir atendimento aos pacientes. Segundo Wallyson, a justificativa apresentada pela Fundação Municipal de Saúde é a ausência de leitos disponíveis no HU, referência para esse tipo de tratamento no estado.

Outro caso é o de Kelvin Marques, que acompanha a mãe, Ana Lúcia, também à espera de transferência. Ele relata dificuldades no acompanhamento médico e na comunicação dentro da unidade.

"A gente vê muita irresponsabilidade por parte de algumas autoridades. Como, por exemplo, eu tive que saber da boca de outros médicos que não trabalham no HUT, o real estado da minha mãe. Isso não existe. O que custa o médico chegar lá, demorar, ao invés de um minuto, passar cinco minutinhos? E perguntar "Como é que você está? Aqui, o exame está dizendo isso". A gente tem que ir atrás disso e daquilo. A gente não sabe de nada", disse.

Kelvin afirma que o quadro de saúde da mãe tem evoluído rapidamente enquanto aguarda a transferência. "Ela chegou aqui com uma massa pélvica de um tamanho, e essa questão da regulação está demorando bastante. E a massa já aumentou bastante. Cresceu dois centímetros em três dias. E aí está essa dificuldade da comunicação dos médicos com a gente".

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Kelvin Marques, filho da paciente Ana Lúcia

Ele também descreve dificuldades no dia a dia do cuidado dentro do hospital, com falta de insumos básicos e necessidade de apoio constante da família. Segundo Kelvin, há outros pacientes na mesma situação, aguardando por vagas que não chegam.

A demora na regulação, segundo os relatos, tem gerado insegurança e medo entre os familiares. Muitos afirmam que não sabem quanto tempo terão que esperar e temem pelo agravamento dos quadros clínicos enquanto permanecem na fila por atendimento especializado.

Procurada, a Fundação Municipal de Saúde (FMS), que administra o Hospital de Urgência de Teresina, ainda não se manifestou sobre o caso. O espaço segue aberto para os devidos esclarecimentos.

Confira a nota do HUT

O Hospital de Urgência de Teresina (HUT) esclarece que não é referência para tratamento oncológico e não dispõe de serviço especializado de oncologia clínica. Há casos em que esses pacientes chegam sem diagnóstico definido ou necessitando de estabilização imediata. Após avaliação médica, investigação diagnóstica e estabilização clínica, quando identificada a necessidade de tratamento oncológico especializado, os pacientes são inseridos no sistema de regulação para as unidades de referência da rede.

Em relação aos casos mencionados, as pacientes encontram-se assistidas pela equipe multiprofissional do HUT, com suporte clínico adequado às suas condições, e já estão devidamente cadastradas na Central de Regulação para transferência ao Hospital Universitário, unidade de referência para oncologia. No momento, eles aguardam disponibilidade de vaga deste hospital federal, conforme critérios regulatórios.

Informamos ainda que a nossa referência em Teresina para oncologia é o Hospital Universitário e Hospital São Marcos, conforme perfil de cada paciente.


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